Itaú está fechando agências e sobrecarregando bancários de unidades que seguem abertas, que precisam absorver a demanda mesmo com o quadro de funcionários desfalcado (Foto: Seeb-SP)
A política do Itaú de fechamento de agências e corte de empregos bancários não afeta apenas clientes, a população e o comércio local. Os bancários que seguem nas unidades abertas estão sobrecarregados e adoecendo, uma vez que precisam absorver a demanda das agências fechadas e o banco não repõe o quadro de funcionários.
“Desde que o Itaú começou a segmentação na diretoria comercial, os trabalhadores as agências físicas estão vivendo um suplício por conta da redução do quadro de funcionários. O Itaú não está realizando reposição na rede, sobrecarregando as agências que seguem abertas, principalmente as localizadas em regiões periféricas. Situação que se agrava ainda mais quando algum colega precisa faltar ou se afastar. É uma situação insustentável, que adoece os bancários"
Adriana Magalhães, dirigente do Sindicato e bancária do Itaú
“Os estagiários, que fazem todo seu processo de aprendizado, ao serem certificados estão sendo efetivados para trabalhar nas agências digitais. Essa politica de contratação é extremamente importante para a carreira de um jovem. Porém, neste contexto de quadro enxuto, não seria lógico que os mesmos fossem efetivados nas agências físicas?”, questiona a Adriana Magalhães.
De acordo com relatos de bancários, tem quase um ano que não existe contratação de Agentes de Negócios (AN) para substituições nos cargos. Além disso, quando um GA (gerente de agência) ou GGA (Gerente Geral de Agência), se afasta, a agência fica muito tempo sem reposição, até que outra agência fecha e um dos seus bancários seja realocado na unidade aberta.
“O que apuramos é que não estão liberando os agentes de negócio nem mesmo para fazerem a entrevista. As agências do Itaú, quando não são fechadas são sobrecarregadas ao extremo, um completo desrespeito com os clientes e bancários”, avalia a dirigente do Sindicato.
O Itaú fechou 319 agências físicas em 2025 e anunciou o fechamento de mais 188 até maio deste ano.
Para piorar a situação, os bancários são orientados a direcionar os clientes para o autoatendimento. “Temos conhecimento de agências que nem utilizam mais a bateria de caixas. Apenas o atendimento nas mesas e no autoatendimento. Um desmonte completo”, critica Adriana Magalhães.
“Cobramos que o Itaú interrompa esta política de fechamento de agências, corte de postos de trabalho e faça a devida reposição no quadro de funcionários nas unidades que seguem abertas. É inadmissível que o Itaú, que opera como concessão pública e lucrou R$ 46,830 bilhões em 2025, atue com tamanha irresponsabilidade para com a população e os bancários”, conclui a dirigente.
Eu quero mais agências
Entre 2015 e 2025, os bancos fecharam em média 45 agências por mês. Diante deste cenário, no qual 638 municípios ficaram sem agências bancárias, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, o Sindicato, além de realizar protestos permanentemente, lançou o site da campanha Eu quero mais agências, no qual convida a categoria e clientes a aderirem ao abaixo-assinado por mais agências bancárias.