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Caixa lucra R$ 4,6 bi no 1º trimestre, mas segue com calote na PLR Social

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Presidente da Caixa, Pedro Guimarães

A Caixa, de acordo com o balanço divulgado nesta quarta-feira 12, teve lucro líquido de R$ 4,6 bilhões no 1º trimestre de 2021, crescimento de 50,3% em relação ao 1º trimestre de 2020 e queda de 19,2% em relação ao trimestre anterior. De acordo com o balanço, o resultado foi impactado, principalmente, pelo valor recebido referente à conclusão e implementação da parceria estratégica nos ramos de consórcio e Capitalização com a Caixa Seguridade (R$ 1,5 bilhão). A rentabilidade sobre o patrimônio líquido do banco (ROE) ficou em 16,33%, redução de 7,68 p.p.

Sobrecarga

Por outro lado, ao mesmo tempo em que registrou incremento de aproximadamente 42,4 milhões de novos clientes, a Caixa encerrou 2.943 postos de trabalho em doze meses, influenciado pelo Programa de Desligamento Voluntário (PDV), lançado em novembro, que teve adesão de 2.113 empregados. Além disso, a direção do banco desligou sumariamente aposentados, em plena pandemia, amparada pela Emenda Constitucional 103 (reforma da Previdência).  

O banco público, que em 2014 possuía 114 mil empregados, fechou o primeiro trimestre de 2021 com apenas 81.876 trabalhadores. 

“A equação aqui é muito simples. Dezenas de milhões de novos clientes, fechamento de milhares de postos de trabalho e desligamento sumário de aposentados só poderia resultar em sobrecarga de trabalho e adoecimento dos empregados, que ainda assim se mantêm firmes no atendimento à população. É risível que o presidente Pedro Guimarães encha a boca para anunciar a contratação de 2.766 novos empregados. É preciso muito mais para atender a demanda e melhorar as condições de trabalho. Os empregados estão extenuados física e psicologicamente”, critica o diretor do Sindicato e empregado da Caixa, Dionísio Reis. 

O diretor do Sindicato destaca também que o fato de o banco colocar em prática uma reestruturação, em plena pandemia, fez com que empregados aderissem ao PDV por medo.

Calote na PLR Social

No anúncio do balanço, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, destacou em várias ocasiões que são realizados 40 milhões de pagamentos do Auxílio Emergencial por mês. Somente em programas sociais, o banco pagou R$ 384,8 bilhões, em benefício de 121,3 milhões de pessoas. Entretanto, não mencionou que o “reconhecimento” por este trabalho foi um calote na PLR Social, com prejuízo que chega até R$ 1.600 por empregado. 

Ao invés de distribuir 4% do lucro de 2020 linearmente entre todos os empregados, como prevê o Acordo Coletivo de Trabalho, a direção do banco distribuiu 3%, justificando a medida com indicadores não negociados com a representação dos empregados e definidos antes da pandemia. 

“A CEE/Caixa teve uma reunião ontem com representantes do banco, na qual tiveram a desfaçatez de defender estas justificativas absurdas para o pagamento menor da PLR Social e ainda tiveram a coragem de afirmar que o valor foi o reconhecimento pelo pagamento do auxílio-emergencial. O que Pedro Guimarães faz, na maior cara de pau, é dar um calote nos empregados, que se arriscam diariamente nessa pandemia em prol da população brasileira”, indigna-se Dionísio. 

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As despesas com pessoal da Caixa, incluíndo a PLR, caíram 1,98% em doze meses. 

Caixa pública 

No primeiro trimestre, a Caixa obteve uma receita de R$ 206 milhões com seguros, alta de 376,3% em relação ao mesmo período de 2020 e de 176,5% em relação ao trimestre anterior. Entretanto, mesmo assim, a direção do banco realizou a IPO da Caixa Seguridade no dia 27 de abril. 

“A Caixa Seguridade é uma das áreas mais rentáveis do banco e, mesmo assim, teve seu capital aberto. Para isso, os empregados foram assediados para vender as ações e até mesmos pressionados para adquiri-las eles mesmos. E os recursos nem sequer ficaram na Caixa, servindo à população, mas foram sim direcionados ao Tesouro, por meio da devolução de IHCDs, para pagamento da dívida pública. Uma operação que transfere patrimônio público para o grande capital privado. E, a exemplo da Caixa Seguridade, o governo Bolsonaro e a direção da Caixa seguem com o plano de descapitalizar o banco, fatiá-lo e vendê-lo aos pedaços”, denuncia Dionísio. 

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Vai ter luta

Os empregados da Caixa estão em estado de greve desde o dia 22 de abril, fizeram uma forte paralisação no dia 27 do mesmo mês, e na terça-feira 11 realizaram um dia de luto em homenagem aos mortos pela Covid-19.  

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“Pedro Guimarães insiste em desrespeitar o nosso Acordo Coletivo de Trabalho com o calote na PLR Social; sobrecarrega e massacra os empregados com metas; não faz as contratações necessárias; não reforça os protocolos de prevenção contra a Covid-19; e segue dilapidando um patrimônio do povo brasileiro em prol de interesses privados. Além de organizar novos atos, o Sindicato estuda a estratégia jurídica para garantir os direitos dos empregados. Em defesa dos nossos direitos, da Caixa pública e por vacina já, a luta dos empregados da Caixa vai crescer cada vez mais”, conclui Dionísio. 

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