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Chapéu
Mesa permanente

Caixa não negocia, e Sindicato responde com forte mobilização

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A Caixa mais uma vez negou as principais reivindicações dos empregados em mesa permanente de negociação nesta terça-feira 11. A resposta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região foi dada no mesmo dia: com uma forte mobilização em mais um Dia de Luto e Luta, com atraso de abertura de mais um local onde houve morte de empregado em decorrência da Covid-19. Os atos em homenagem às vítimas do coronavírus e em protesto pelas medidas antitrabalhistas da direção da Caixa vêm ocorrendo desde semana passada e continuarão nos próximos dias.

PLR Social

Na mesa desta terça-feira, a Caixa voltou a dizer que a PLR Social foi paga corretamente. Segundo a direção do banco, a PLR Social extrapolou o que estava previsto na resolução 10/1995 da CCE. Ou seja, apesar de ter pago apenas 3%, e não os 4% determinados pelo acordo coletivo de trabalho, a direção insiste que pagou mais que deveria.

“Nosso ACT é construído exatamente para superar tais limites. Os indicadores apresentados pela Caixa para justificar a redução na PLR Social nunca foram discutidos ou negociados. É um absurdo que a empresa entenda que é legítimo aplicar indicadores definidos pré-pandemia. A distribuição feita pela Caixa foi equivocada e não respeitou a Lei 10.101/2000 e nem a negociação coletiva. A reforma trabalhista é clara ao prever que o negociado deve se sobrepor ao legislado, então a Caixa deveria respeitar o ACT”, denuncia Dionísio Reis, diretor do Sindicato e bancário da Caixa.

Na mesa, os empregados também frisaram que ainda tentam resolver o assunto pela via negocial, mas não descartam tomar outras medidas caso o banco insista na redução da PLR Social. “O custo para os empregados, inclusive humano, foi altíssimo para garantir o atendimento da população e evitar que o país entrasse em colapso. Se a Caixa fez isso este ano, podemos esperar que faça novamente na PLR de 2021. Por isso temos que reforçar nossa mobilização”, diz o dirigente.

Greve do dia 27

Um exemplo dessa mobilização foi a forte greve dos empregados no último dia 27 de abril. O desconto do dia parado foi discutido na mesa, e os representantes da Caixa responderam que manteriam a orientação do lançamento de falta não justificada; alegaram analisar a reversão do desconto, mas não sinalizaram nenhum prazo para dar retorno.

“A greve foi legítima, reconhecida pelo TST na ação movida pela própria empresa e nada justifica o lançamento de falta não justificada. Isso representa claramente uma retaliação. Não aceitaremos essa tentativa de calar os empregados e estamos buscando as medidas judiciais cabíveis.” diz a dirigente do Sindicato e empregada da Caixa Tamara Siqueira.

Protocolo de prevenção contra a Covid-19 e vacinação

A empresa não aproveitou os dados obtidos com a aplicação da testagem em massa feita nos empregados em setembro para aprimorar os protocolos de prevenção. Além disso, o vigente, de julho de 2020, está defasado e muitas vezes sequer é aplicado em sua totalidade. Diversas vezes os bancários precisam denunciar pra garantir a higienização e testagem.

A cobrança de metas dificulta a adoção do protocolo nas unidades do banco, e a direção ainda insiste que somente o serviço essencial tem ocorrido.

“Se a prevenção à Covid fosse cobrada com a mesma intensidade das metas, as vidas seriam preservadas”, critica Dionísio Reis.

Os bancários da Caixa precisam ser incluídos nos grupos prioritários de vacinação. A direção da empresa não faz gestão junto ao governo para garantir a inclusão dos empregados, como ocorreu com outras categorias. “Se Pedro Guimarães está sempre ao lado de Bolsonaro em lives e tem tanta influência, por que nunca buscou a inclusão dos empregados entre os grupos prioritários pra vacinação? Pra isso não somos essenciais?”, questiona Tamara Siqueira.

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Acordo de teletrabalho

Questionada sobre a proposta de acordo de teletrabalho, a representação da Caixa disse que ainda não há uma data para apresentação, pois estaria “em tratativas internas”.

Contratações

A representação dos empregados reiterou a preocupação com as contratações, e os desdobramentos da Ação Civil Pública, ressaltando a necessidade da Caixa de contratar mais empregados.

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Mais mobilização e luta

A dirigente Tamara Siqueira lembra que os empregados estão em estado de greve, aprovado em assembleias por todo o país. Ela reforça que, diante da postura intransigente do banco, a resposta será mais mobilização e luta. “Estamos realizando os dias de luto e luta, fizemos uma forte greve no dia 27, com grande adesão dos empregados, mesmo mantendo o mínimo em funcionamento como determinou a Justiça. A Caixa continua desrespeitando nosso ACT, reduzindo direitos e vamos resistir a isso. Vai ter luta!”