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Sindicato pressiona organizações internacionais por violação de direitos humanos na Colômbia

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Protesto na Colômbia

O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região enviou carta à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e à Organização das Nações Unidas (ONU) contra a violência e a violação dos direitos na Colômbia. 

No texto, o movimento sindical expressa solidariedade aos trabalhadores colombianos, que lutam por melhores condições de vida e enfrentam a violência policial nas ruas, mortes e perseguição política: "A impunidade pelas violações dos direitos humanos e os crimes promovidos pelo Estado Colombiano como resposta às manifestações pacíficas não podem se justificar". 

"Os trabalhadores estão mobilizados contra a proposta de reforma tributária do governo de Iván Duque, que vai aumentar a desigualdade entre ricos e pobres, em plena crise sanitária e econômica. Há mais de duas semanas a população está nas ruas exigindo uma renda básica universal, melhorias no sistema de saúde e educação, pensões e melhor gestão da pandemia do novo coronavírus. O governo colombiano recuou no projeto, mas estabeleceu uma violenta repressão, que tem como registro mais de 40 mortos e 500 desaparecidos. Há inúmeras denúncias de violência policial desde o dia 28 de abril", afirma Ivone Silva, presidenta do Sindicato.  

Uma Comissão de Paz, composta por parlamentares e diplomatas, está em Cali, capital do estado de Valle del Cauca, onde foram registradas 15 vítimas, para reportar violações aos direitos humanos. Apesar de dizer que está aberto ao diálogo, segundo representantes do comitê, Duque não está disposto a desmilitarizar Cali, Bogotá e as cidades com maiores índices de violência policial. 

"O governo nacional não cedeu em relação aos pedidos que fizemos há mais de um ano e os massacres continuam. Se não há negociação para a desmilitarização de 104 pontos e 13 eixos que estamos apresentando, as mobilizações vão continuar", declarou Francisco Mates, presidente da Central Unitária de Trabalhadores (CUT) da Colômbia. 

"A violência também se estende a lideranças políticas e sindicais na Colômbia. Há uma perseguição que interfere na liberdade de atuação e mobilização que não pode ser aceita. O Sindicato, junto com o movimento sindical internacional, está mobilizado pela garantia dos direitos de manifestação e liberdade de expressão, sobretudo o direito à vida", destaca Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato e vice-presidente da UNI Américas Mulheres.  

"Alertamos às organizações internacionais para uma investigação profunda da repressão aos protestos sociais na Colômbia. A solidariedade dos movimentos sociais e sindicais, no Brasil e no exterior, é extremamente importante nesse momento em que vivemos, com a ampliação de práticas antissindicais e desrespeito aos direitos dos trabalhadores e da democracia", afirma Rita Berlofa, dirigente executiva do Sindicato e presidenta da UNI Finanças Mundial.