O fim da escala 6x1 e a atual conjuntura política, no Brasil e em São Paulo, foram tema de debate nesta segunda-feira, dia 11, no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A entidade recebeu em sua sede, no centro da capital paulista, o deputado federal Alencar Santana (PT). O parlamentar é presidente da Comissão Especial da Câmara que analisa a PEC 221/2019, ligada à redução da jornada de trabalho e ao fim da 6x1.
A direção do Sindicato está atuando ativamente na luta contra a escala 6x1, pois esse debate também abre caminho para a redução de jornada na categoria bancária. É o que explica a presidenta da entidade, Neiva Ribeiro, que esteve presente na atividade.
"Nós temos interesse de trabalhar na escala 4x3. Os bancos lucraram R$ 123 bilhões ano passado. Boa parte dessa riqueza sequer fica no Brasil. Queremos discutir o aumento da produtividade e sua reversão em redução de jornada para termos mais tempo de lazer e qualidade de vida. Por isso, a luta pelo fim da escala 6x1 também é muito importante para a nossa categoria", afirmou Neiva em sua fala de abertura.

Luta da classe trabalhadora
Com papel central na discussão do fim da escala 6x1 no Congresso Nacional, Santana comentou os bastidores dessa luta na Câmara e os desafios impostos pela oposição e pelo empresariado.
"A oposição finge não ser contrária ao fim da escala 6x1, mas está articulando para termos longas transições e compensações aos empresários. Outros querem inclusive uma desregulamentação total das relações de trabalho", relatou o deputado.
Santana destacou que o debate pela redução de jornada só está sendo possível graças ao perfil do atual governo federal, uma vez que, historicamente, governos alinhados ao empresariado atuam na linha contrária, reduzindo direitos da classe trabalhadora.
"A escala 6x1 só está em debate porque o governo é nosso. Com eles, o trabalhador só perde. A primeira medida do governo Bolsonaro foi a reforma da previdência. O trabalhador perdeu. Então a 6x1 só virou prioridade porque o governo do presidente Lula pautou em regime de urgência", afirmou.
"A última vez que o Brasil reduziu jornada foi em 1988. Nunca foi fácil mexer com o capital dessa maneira. E não está sendo fácil. Então precisamos valorizar essa luta", ressaltou Santana convocando o movimento sindical e a classe trabalhadora a somar forças nessa pauta.
Conjuntura paulista
O deputado Alencar Santana também analisou aspectos da conjuntura política estadual. Na visão do parlamentar, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chega ao final do seu mandato acumulando retrocessos, o que abre caminho para uma mudança nas eleições.
"Com Fernando Haddad, temos totais condições de ganhar as eleições estaduais. Tarcísio entregou a privatização da Sabesp, que aumentou a conta de água; implementou pedágios free flow por todo o estado gerando inúmeras multas aos motoristas, que foram todas suspensas pelo presidente Lula; a insegurança tomou conta e o feminicídio aumentou expressivamente. Por isso, Tarcísio agora é vidraça e podemos vencer", observou Santana.
Fechamento de agências
A campanha "Eu Quero Mais Agências", lançada pelo Sindicato neste ano com um abaixo-assinado sobre o tema, também teve destaque na atividade. A presidenta Neiva Ribeiro destacou a atuação da entidade nessa frente, sobretudo nas periferias mais atingidas pelo encerramento de agências bancárias.
"Os bancos estão reduzindo postos de atendimento por todo o país, priorizando agências 'boutique' voltadas ao público de alta renda. Estamos percorrendo as periferias da cidade, que são as áreas mais atingidas com os fechamentos, protestando e dialogando com a população", relatou Neiva.
Ao final da atividade, o deputado Alencar Santana assinou o abaixo-assinado e manifestou seu apoio à iniciativa do Sindicato. Os detalhes estão disponíveis no site oficial da campanha: euqueromaisagencias.com.br.
