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“Sumiço” de fintech preocupa quase três mil investidores. Sindicato cobra regulação do sistema financeiro

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"Sumiço" da fintech Naskar traz insegurança em relação ao patrimônio de quase três mil investidores

"Sumiço" da fintech Naskar traz insegurança em relação ao patrimônio de quase três mil investidores

Na última semana, o jornalista William Matos, do portal Metrópoles, publicou reportagem denunciando o suposto “sumiço” da fintech Naskar Gestão de Ativos LTDA, que possui uma carteira de quase três mil investidores, com estimativa de recursos captados superior a R$ 900 milhões.

De acordo com a reportagem publicada em 8 de maio, a fintech “interrompeu repentinamente as atividades nesta semana e deixou os investidores desesperados”. A empresa não teria realizado o repasse mensal de rendimentos aos clientes, previsto para o dia 4 de maio. Clientes que procuraram a fintech naquele momento não obtiveram respostas.

A Naskar atua captando recursos com promessa de retorno de 2% ao mês, bem acima da média do mercado. A operação da empresa não é coberta pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), o que aumenta o desespero dos clientes.

Segundo o Metrópoles, os sócios da Naskar — Marcelo Arantes, Rogério Vieira e Maurício Jahu — não atendem ligações, não respondem mensagens e não atualizam as redes sociais. Além disso, ainda conforme apuração do jornalista William Matos, o aplicativo da Naskar não funciona há dias.

Após a publicação da matéria pelo Metrópoles, na sexta-feira, 8 de maio, a Naskar alegou ter sofrido uma perda em sua base de dados, o que teria comprometido sua operação. “Após uma perda em nossa base de dados, estamos conduzindo um processo cuidadoso de auditoria. As equipes técnicas seguem atuando na estruturação das informações, e o processo de circularização junto aos clientes terá início ao longo da próxima semana”, informou a fintech por meio de nota.

No sábado, 9 de maio, a Naskar enviou e-mail aos clientes informando que sofreu um “incidente tecnológico” que comprometeu seu banco de dados. De acordo com a fintech, foi iniciado um processo de reconstrução das informações, no qual solicitou aos clientes o envio de documentos como contratos, comprovantes de aportes financeiros e dados atualizados. A empresa enfatiza, no e-mail, que a medida tem caráter cadastral, contábil e de auditoria, não implicando reconhecimento automático dos valores aportados ou de obrigações.

Sede em São Paulo

Em nova reportagem, o jornalista do Metrópoles revela ainda que a Naskar teria abandonado o endereço em que está registrada desde o segundo semestre do ano passado. Funcionários do prédio comercial localizado na Vila Olímpia, em São Paulo, informaram que a empresa deixou o local há cerca de 10 meses.

De acordo com informações obtidas pela apuração do Metrópoles, a sede da Naskar teria sido transferida para Alphaville, sem que os clientes fossem oficialmente comunicados.

Em abril de 2025, a Naskar já havia fechado suas unidades em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro.

Sindicato cobra regulação do sistema financeiro nacional

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, avalia que o caso da Naskar é mais um a apontar para a necessidade e a urgência de um novo marco regulatório do sistema financeiro nacional.

“São diversos os casos que demonstram a fragilidade regulatória em relação às fintechs e outras instituições financeiras não bancárias. Fragilidade esta que foi ampliada durante o mandato de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, no Banco Central. Além da insegurança gerada aos clientes — que, como no caso da Naskar, ficam desesperados com a falta de informações confiáveis sobre seus investimentos, muitas vezes economias de uma vida inteira —, não faltam exemplos do uso de fintechs por organizações criminosas para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio”, enfatiza Neiva Ribeiro.

“Defendemos um novo marco regulatório do sistema financeiro nacional que aplique às fintechs e demais instituições financeiras não bancárias as mesmas normas regulatórias impostas aos bancos no que diz respeito às questões fiscais, de transparência e, sobretudo, trabalhistas, enquadrando seus funcionários como bancários. É preciso fazer justiça aos trabalhadores dessas empresas, que, na prática, atuam como bancários, mas sem os mesmos direitos e remuneração. Sem regulação forte, fiscalização rigorosa e proteção ao trabalho, seguiremos repetindo crises que penalizam trabalhadores, clientes e a sociedade como um todo”, conclui a presidenta do Sindicato.

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