CONTRA A "REFORMA"

Trabalhadores unidos na greve geral desta sexta 14

Categorias dos setores de transportes, saúde, indústria, educação, bancos, serviço público e outros decidiram, em todo o país, aderir à paralisação nacional. Confira

  • Redação Spbancario, com informações da RBA
  • Publicado em 13/06/2019 16:15 / Atualizado em 14/06/2019 11:52

Na fábrica da Mercedes-Benz, a assembleia com trabalhadores discutiu as propostas do governo de para a nova Previdência

Foto: Adonis Guerra

Trabalhadores dos mais diversos setores vão cruzar os braços nesta sexta-feira 14, greve geral contra a reforma da Previdência e outros retrocessos como o desemprego a níveis alarmantes e as tentativas de venda do patrimônio nacional, incluindo os bancos públicos.

Os bancários estão entre eles. Em assembleia na terça 11, os trabalhadores da base do Sindicato (São Paulo, Osasco e região) decidiram por unanimidade aderir à greve. Bancários de outras cidades e regiões do país farão o mesmo.

Transportes

Os trabalhadores no setor de transporte coletivo urbano estão confirmando adesão. Na cidade de São Paulo,  metroviários  definiram interromper atividades a partir da 0h. Outros municípios da região metropolitana, como os do ABC e de Guarulhos/Arujá, também podem participar do movimento. Assembleia dos metroviários de São Paulo, na semana passada, confirmou paralisação na capital paulista.

Sindirodoviários, que representa trabalhadores em transportes rodoviários no Espírito Santo, informou que a categoria vai participar da greve. Notificado, o sindicato patronal disse que recorrerá à Justiça. A expectativa é de que os rodoviários do Distrito Federal também parem na sexta-feira, segundo a CNTLL, confederação do setor filiada à CUT.

Ainda pelo balanço parcial da entidade, devem parar motoristas e cobradores em Salvador e Feira de Santana, também na Bahia, Natal e Mossoró (RN) e Maceió. Estão previstas paralisações na região de Sorocaba e do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo.

Segundo a Nova Central, estão confirmadas greves em Boa Vista e Petrolina (PE). No Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, ainda não há confirmação se a paralisação será total ou parcial.

O sindicato dos trabalhadores do Metrô de Pernambuco informou que a categoria também vai parar em Recife, assim como em Belo Horizonte.

A Federação Nacional dos Metroviários informou que também haverá greve em Porto Alegre e Teresina.

Saúde

Trabalhadores da saúde que atuam em hospitais, prontos atendimentos, unidades básicas de saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPA), entre outras, vão paralisar as atividades. Apenas serviços de urgência e emergência vão funcionar nos hospitais e prontos atendimentos. Os profissionais de saúde ressaltam que, no serviço público, as regras propostas na reforma da Previdência do governo Bolsonaro prejudicarão principalmente as mulheres, pois terão que trabalhar sete anos a mais do que é determinado atualmente e só terão direito a 60% do valor do benefício. E para conquistar o direito à aposentadoria integral, terão que contribuir por 40 anos.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS) está convocando os profissionais de todo o país para a greve geral. Os trabalhadores também vão aproveitar a paralisação para dialogar com a população sobre os ataques do governo Bolsonaro contra o Sistema Único de Saúde (SUS).

Administração pública em São Paulo

Em São Paulo, além da saúde, a adesão do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep) conduz a paralisação nas áreas de cultura, serviços – como cemitérios, zeladoria e obras – e outros da gestão municipal. O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde do Estado de São Paulo (SindSaúde-SP) também vai aderir à greve geral. “Diante da eminente perda de direitos conquistados a duras penas ao longo de décadas de lutas que custaram suor, sangue e vidas, a decisão da categoria já em março, que bravamente lutou na cidade por seus direitos, foi de aderir ao calendário nacional de lutas, inclusive para a construção da greve geral”, diz o Sindsep.

Metalúrgicos

Metalúrgicos da Mercedes-Benz, de São Bernardo do Campo também vão participar do movimento, e vão parar atividades por 24 horas, conforme decisão deliberada em assembleias realizadas na quarta-feira 12.

Os trabalhadores da Mercedes se juntam a metalúrgicos de diversas regiões que já confirmaram a paralisação. “A gente precisa derrotar essa reforma, porque qualquer discussão sobre Previdência tem que ser feita com os trabalhadores. Todos devem estar juntos no Brasil, com seu sindicato e os movimentos organizados, para derrotar a reforma“, disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Aroaldo Oliveira da Silva.

Petroleiros de São Paulo

O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro) entregou à gerência da Petrobras os ofícios comunicando a paralisação da categoria a partir da 0h, desta sexta. “A Petrobras tem sido, nos últimos anos, foco de vendas indiscriminadas de subsidiárias e ativos estratégicos, como refinarias, dutos e campos de petróleo. Isso assusta os trabalhadores com a possibilidade de mais demissões”, relata Azélio Alves, diretor do Sindipetro.

Além de barrar a “reforma” da Previdência, a greve geral também vai defender a soberania nacional, exigir políticas que levem à retomada da atividade econômica e reduzam o desemprego, com trabalho decente e renda digna.

Assista à reportagem do Seu Jornal, da TVR

Educação: do ensino básico à universidade

Sindicatos que representam trabalhadores da educação, desde o ensino básico até a universidade, também aprovaram adesão à greve geral. Creches, pré-escolas, unidades de ensino fundamental e médio, bem como as faculdades e universidades, das redes pública e privada, vão ter as atividades suspensas. A reforma prejudica todos os trabalhadores, mas em especial os professores. Eles exigem o fim dos cortes de recursos na educação. Além da greve, haverá manifestações em vários locais do país. Em São Paulo, o ato será as 16h, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista.

Em âmbito nacional, cerca de 4,5 milhões de trabalhadores da educação pública devem parar na greve geral, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). “O protesto é em defesa da educação pública e de qualidade, contra os cortes de verbas, pela aposentadoria e por mais empregos”, defende a organização.

Os trabalhadores das escolas particulares também vão aderir. “A reforma proposta por Bolsonaro vai acabar progressivamente com as aposentadorias públicas e privatizar o sistema previdenciário”, destacou a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee). Estão confirmadas paralisações dos professores em 33 escolas particulares da capital paulista.

As entidades estudantis também convocaram os alunos a participar da paralisação. A União Nacional dos Estudantes (UNE) vê a greve também como continuidade da luta dos estudantes contra os cortes de recursos. “Diante do quadro de recrudescimento dos direitos dos estudantes e trabalhadores, a União Nacional dos Estudantes prepara uma greve geral para o próximo dia 14 de junho em todo o país. O movimento, impulsionado pelas últimas grandes manifestações contra os cortes na educação, promete continuar a luta e ainda rechaçar a alta do desemprego no país e a tentativa de reforma da previdência do governo Bolsonaro”, diz a entidade.



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