Auditório lotado no segundo dia do 41º Conecef (Foto: Seeb-SP)
O segundo dia do 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizado nesta quinta-feira, 18 de junho, teve como foco debates sobre o Saúde Caixa, as condições de trabalho, a carreira e a remuneração variável.
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“Os debates deste segundo dia de Conecef mostram como nossos desafios nesta Campanha Nacional — o modelo de custeio do Saúde Caixa, as metas abusivas, a sobrecarga de trabalho, o assédio moral, a digitalização do trabalho e do seu monitoramento, o fechamento de agências, os critérios de remuneração variável e carreira, e o adoecimento físico e mental — são lutas convergentes e indissociáveis”, destaca a dirigente do Sindicato e representante da Fetec-CUT/SP na CEE/Caixa (Comissão Executiva dos Empregados da Caixa), Luiza Hansen.
“Não podemos tratar do custeio do Saúde Caixa sem falar dos fatores de risco psicossociais no banco. Não podemos falar de carreira e remuneração variável sem levar em consideração as metas abusivas e o assédio presentes no modelo de gestão. Não podemos tratar do fortalecimento da Caixa sem considerar que a direção do banco fecha agências e dificulta o atendimento nas unidades que seguem abertas. Não podemos falar do cumprimento da NR-1 enquanto a Caixa implementa um projeto adoecedor como o modelo ‘figital’, que determina que o empregado realize seis atendimentos simultâneos, de forma presencial e remota. Vamos vencer esses desafios, unidos e mobilizados, na nossa Campanha Nacional”, reforça o diretor executivo do Sindicato e empregado da Caixa, Francisco Pugliesi, o Chico.
Primeira mesa: Saúde e Condições de Trabalho
A primeira mesa de debates do 41º Conecef tratou do tema Saúde Caixa e Condições de Trabalho e contou com as apresentações da Dra. Hyolitta Adrielle Costa de Araújo, economista do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos); de Meilliane Lima, advogada e sócia da LBS Advogados e Advogadas; e da Dra. Larissa Matos, advogada da Sales Matos Advocacia e doutora em Direito do Trabalho pela USP.
Saúde Caixa - Em sua fala, a Dra. Hyolitta fez uma análise da trajetória do Saúde Caixa, evidenciando como o teto de 6,5% para o custeio pela Caixa — que levou ao desrespeito, por parte do banco, ao modelo 70/30 (70% dos custos cobertos pela Caixa e 30% pelos beneficiários) — foi determinante para o desequilíbrio financeiro do plano.
“Os números mostram que o problema central não está na autogestão, mas na limitação imposta pelo teto de custeio. As despesas assistenciais crescem em ritmo superior ao limite de contribuição da Caixa, o que pressiona cada vez mais os beneficiários e coloca em risco a sustentabilidade do plano”, destacou Hyolitta.
Por fim, além de destacar a importância das conquistas negociais que preservaram o modelo solidário, o mutualismo e o pacto intergeracional no Saúde Caixa, a economista do Dieese apresentou projeções que comprovam que a forma de custeio praticada pela Caixa hoje, com o teto de 6,5%, não se sustenta. Já um cenário com a retomada efetiva do modelo 70/30, com o fim do teto de 6,5%, produziria resultados sustentáveis.
NR-1 - Já a advogada Meilliane Lima fez uma apresentação sobre a nova NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que inclui obrigatoriamente os riscos psicossociais — como assédio, metas abusivas, sobrecarga, jornadas exaustivas, execução simultânea de múltiplas tarefas e ausência de participação do trabalhador nos processos decisórios — no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas.
“Os riscos psicossociais não são questões subjetivas ou individuais. Eles decorrem da forma como o trabalho é organizado e gerido. A mudança da NR-1 representa um avanço importante porque reconhece oficialmente que a organização do trabalho pode adoecer e que as empresas têm responsabilidade sobre isso”, destacou Meilliane Lima.
A advogada destacou ainda que a NR-1, além de fortalecer a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio) na promoção de um ambiente de trabalho saudável, garante aos trabalhadores o acesso aos dados dos PGR.
Neoliberalismo contemporâneo e o mundo do trabalho - Encerrando a primeira mesa do segundo dia do 41º Conecef, a Dra. Larissa Matos abordou a digitalização dos serviços, metas abusivas, acúmulo de funções e a hipervigilância algorítmica como fatores que impactam a saúde mental dos trabalhadores.
A advogada apresentou dados que comprovam a “epidemia” de transtornos mentais e comportamentais nos bancos — com aumento de 168% no número de afastamentos por transtornos mentais em dez anos — e destacou que esse cenário é, em grande parte, resultado do processo de reorganização do trabalho, caracterizado pelo fechamento de agências, acúmulo de funções, metas cada vez mais abusivas, decisões automatizadas e hipervigilância algorítmica.
“O assédio moral hoje é mais perpetrado pela tecnologia do que por um grito visível. Temos que discutir isso, criar cláusulas de barreira nas nossas convenções coletivas, porque nem o Judiciário está preparado para tratar dessa questão. Na maior parte dos casos, o Judiciário ainda entende que assédio moral é somente a humilhação e o constrangimento”, avalia a Dra. Larissa Matos.
Coletivo Caixa Autista
Entre a primeira e a segunda mesa de debates do dia, foram realizadas intervenções de delegados e delegadas que integram o Coletivo Caixa Autista, que milita pelos direitos e pela igualdade de oportunidades para os empregados com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Garantir acessibilidade, adaptações razoáveis e tratamento adequado não é um favor. É uma medida que literalmente salva vidas (…) A Caixa, por sua função social, deve ser referência em inclusão, promovendo acessibilidade, respeito às diferenças e igualdade de oportunidades para todos os trabalhadores”, destacou Charles Lima, coordenador do Coletivo Caixa Autista.
Daniel Gaio, presente!
Após a intervenção do Coletivo Caixa Autista, foi realizada uma homenagem, com a exibição de um vídeo, ao empregado da Caixa Daniel Gaio, dirigente da Contraf-CUT e integrante da Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que faleceu em abril.
Foram homenageados ainda os empregados da Caixa e militantes do movimento sindical bancário Otacílio Ramalho e Samuel Pereira, que faleceram, respectivamente, em abril e maio deste ano.
Segunda mesa: Carreira e Remuneração Variável
A segunda mesa do dia teve como tema “Carreira e Remuneração Variável” e contou com apresentações de Catia Uehara, economista e técnica do Dieese; Leonardo Quadros, diretor de Saúde e Previdência da Fenae; e Mauro Salles, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.
Remuneração variável - A economista Catia Uehara iniciou sua apresentação diferenciando os conceitos de remuneração fixa direta. A economista do Dieese abordou também diferentes formas de remuneração variável — comissões, PLR, prêmios e bônus — e suas características próprias.
Para ela, é importante diferenciar a PLR das demais formas de remuneração variável. “A PLR é uma conquista histórica dos bancários e possui regras negociadas coletivamente. Já os programas de remuneração variável e de premiação atendem a outras lógicas, normalmente vinculadas ao desempenho, às metas e a resultados definidos pelas empresas”, explicou Cátia.
De acordo com a economista, a principal preocupação dos trabalhadores no debate sobre programas de remuneração variável é que estes tenham critérios transparentes, sejam negociados, abranjam todos os trabalhadores e não sofram alterações de regras durante o exercício.
Programas de remuneração variável na Caixa - Em sua intervenção, Leonardo Quadros relembrou a trajetória dos programas de remuneração variável na Caixa e avaliou as mudanças implementadas nos últimos anos.
“O crescimento da Caixa, seus lucros e sua relevância social são fruto do trabalho de milhares de empregadas e empregados em todo o país. Qualquer programa de remuneração variável precisa reconhecer essa contribuição de forma justa, transparente e compreensível para todos”, avalia Leonardo.
Impactos do Super Caixa - Por sua vez, Mauro Salles abordou os possíveis impactos do programa Super Caixa nos empregados do banco público.
A representação dos empregados da Caixa defende que eventuais programas de remuneração variável, quando existirem, sejam construídos por meio de negociação, com critérios claros, previsibilidade dos resultados, sem alterações de regras no meio do exercício e com valorização do trabalho realizado por todos os funcionários do banco, levando em consideração não somente ganhos financeiros, mas também as condições de trabalho e a saúde mental e física dos trabalhadores.
Grupos de Trabalho
Após o encerramento das mesas de debates do segundo dia do 41º Conecef, os delegados e delegadas que representam os empregados da Caixa se dividiram em quatro grupos de trabalho: Saúde Caixa; Saúde e Condições de Trabalho; Remuneração e Carreira; e Defesa da Caixa e Funcef.
Os resultados destes debates, somados às propostas enviadas por empregados e empregadas de todo o país, serão levados à plenária final do 41º Conecef, que será realizada na sexta-feira, 19 de junho, quando será deliberada e aprovada a pauta específica de reivindicações dos trabalhadores da Caixa para a Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026.