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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Bancários do Itaú debatem conjuntura, relações de trabalho e pauta de reivindicações durante Encontro Nacional

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Em votação, bancários do Itaú aprovam pauta de reivindicações para a Campanha Nacional 2026

Em votação, bancários do Itaú aprovam pauta de reivindicações para a Campanha Nacional 2026

Bancários de todo o país participaram nesta sexta-feira (19) do Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú, que aprovou a pauta de reivindicações dos empregados. As propostas debatidas e aprovadas durante a atividade serão encaminhadas à 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada entre os dias 19 e 21 de junho, em São Paulo. Após a Conferência, as demandas levantadas serão formalmente entregues ao Itaú no dia 2 de julho.

A abertura dos trabalhos foi conduzida por Valeska Pincovai, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú. Valeska destacou a relevância do encontro para reforçar a união nacional da categoria e discutir temas em voga.

"É muito importante que façamos o debate da inteligência artificial, da redução dos postos de trabalho, fechamento de agências e, principalmente, do adoecimento da categoria. Precisamos debater propostas para este enfrentamento neste ano tão difícil, em que o país passa por uma eleição muito importante para todos nós. Por isso, nossa prioridade é defender a democracia e garantir melhores condições de trabalho para os bancários e bancárias", afirmou Valeska.

Valeska Pincovai realiza abertura do Encontro Nacional dos Funcionários do Itaú

A programação contou ainda com uma análise de conjuntura apresentada por Ivone Silva, presidenta do Instituto Lula e ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Em sua exposição, Ivone abordou o cenário político e econômico, no Brasil e no mundo, e seus reflexos para a classe trabalhadora. Umas das prioridades apontadas foi o enfrentamento à extrema direita, com destaque para as ameaças à democracia por meio da desinformação espalhada nas redes sociais.

"Temos uma crise nas instituições democráticas, no Brasil e no mundo. Essa crise mundial tem gerado pessoas individualistas, um pensamento de que 'eu me garanto' e de que só se pode confiar nas pessoas próximas, como amigos e familiares. Isso abre caminho para a crença em fake news, o que é agravado com a Inteligência Artificial e as big techs", explicou.

"A categoria bancária conseguiu se organizar muito bem em rede e nas mídias, vide o que fizemos durante a pandemia. Entretanto, o campo progressista não avançou no mesmo ritmo e isso é um grande desafio para todos nós. É preciso avançar nas redes sociais para enfrentarmos a extrema direita, que se aproveita muito bem desse espaço", alertou Ivone.

Itaú lucra enquanto bancários sofrem

Outro destaque do encontro foi o debate sobre a atual situação do Itaú e as tendências de reestruturação da instituição. O tema foi apresentado pela economista e técnica do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Cátia Uehara. Em sua fala, Cátia destacou os resultados positivos do banco, que registrou ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 24,6% em 2025, um crescimento de 1,3 p.p. em relação ao ano anterior e o melhor desempenho entre os principais bancos.

"Em 2024, o Itaú passou a retirar clientes inadimplentes de sua carteira. Por conta disso, em 2026, o banco tem uma carteira muito positiva nesse sentido. O Itaú virou o maior banco privado em crédito imobiliário, detendo a metade desse mercado. O banco também tem avançado bastante no crédito consignado privado, crescendo 36% em 12 meses. Isso significa que o Itaú tem avançado em créditos com baixa inadimplência. Hoje, sua inadimplência está em 1,9%, uma taxa de banco público. Nos privados, essa taxa está entre 3% e 4%, a depender do banco", relatou Cátia ao demonstrar o cenário positivo da instituição.

Apesar dos resultados favoráveis, a apresentação do DIEESE deixou claro que esses números não se revertem em contratações e ampliação da rede de atendimento. O caminho seguido pelo banco, na verdade, é o oposto.

"Entre março de 2025 e março de 2026, o Itaú encerrou 4.766 postos de trabalho. O número de agências também vem sofrendo forte redução. Em 10 anos, foram fechadas 2.439 unidades. Somente entre dezembro de 2025 e maio de 2026, são 213 agências a menos", relatou a economista do DIEESE.

Inteligência artificial e trabalho

Advogada Cynthia Lemos Valente compartilha experiências dos bancários de São Paulo nas negociações com o Itaú

Em conjunto com o DIEESE, a advogada Cynthia Lemos Valente, assessora jurídica do Sindicato dos Bancários de São Paulo, abordou os impactos da Inteligência Artificial nas relações de trabalho.

A advogada recordou a demissão em massa ocorrida em setembro de 2025, quando mais de mil bancários da base de São Paulo foram desligados a partir de avaliações feitas por IA, sem qualquer transparência e negociação prévia. Cynthia relatou aos presentes toda a luta do Sindicato para que houvesse negociação com o banco e compensações aos demitidos, o que foi alcançado após forte mobilização da entidade.

"A partir do enfrentamento realizado contra a demissão em massa, iniciamos uma discussão sobre o monitoramento das atividades laborais pelos bancos na Fenaban, o que deve ser tema da Campanha Nacional deste ano. Ao final de 2025, discussões foram feitas com o Itaú e houve avanço quanto às condições específicas sobre o assunto que passaram a integrar o Acordo Coletivo de Trabalho do banco, com vigência para o exercício de 2026", afirmou Cynthia.

Reivindicações

Na última etapa do encontro, os participantes receberam informes da COE sobre o cenário das negociações com os representantes do banco, abordando temáticas como saúde bancária e condições de trabalho. Em seguida, as sugestões de reivindicações foram aprovadas coletivamente. Entre as principais demandas deliberadas estão:

  • Fim do processo de fechamento de agências;
  • Manutenção dos postos de trabalho;
  • Transparência no GERA e nas avaliações;
  • Combate à pressão descabida e ao assédio moral nos locais de trabalho;
  • Fim das convocações de trabalhadores adoecidos para avaliação médica do próprio banco, respeito ao direito de tratamento médico e acolhimento;
  • Plano de saúde para os aposentados.
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