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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Bancários voltam à mesa de negociação com bancos nesta quinta para discutir remuneração

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Reunião do Comando Nacional dos Bancários (Foto: Contraf-CUT)

Nesta rodada da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, a categoria reivindica salários, PLR e vales alimentação e refeição maiores (Foto: Contraf-CUT)

O Comando Nacional dos Bancários se reuniu nesta quarta-feira 29, na capital paulista, para a reunião de preparação para a mesa de negociação desta quinta 30 com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), com o tema Remuneração e Cláusulas Econômicas.

Nesta rodada da Campanha Nacional Unificada dos Bancários, a categoria reivindicará aumento real para os salários, na PLR (Participação nos Lucros e Resultados), nos vales refeição e alimentação, além das demais verbas remuneratórias.

Apesar da alto índice de fechamento de agências e enxugamento de vagas de trabalho, o setor bancário segue como o mais lucrativos e com o maior acumulo de patrimônio líquido no país. "Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de  R$ 124 bilhões. Só no 1° trimestre desde ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões", destacou o economista e técnico do Dieese, Gustavo Cavarzan.

"Em relação ao patrimônio líquido, em 2025, o setor banário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, após os bancos, que são eletroeletrônica e mecânica que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões", completou. 

Entre as reivindicações, relacionadas à remuneração, o Comando Nacional dos Bancários irá defender o aumento para os vales refeição e alimentação. "Nos últimos anos, a inflação dos alimentos, dentro e fora dos domicílios, foi muito alta, especialmente no período de governo Bolsonaro. Isso exige a responsabilidade dos bancos de recompor o poder de compra dos vales da categoria", destaca Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

Atualmente, o valor diário do vale-refeição dos bancários está em R$ 53,33, significativamente abaixo do preço médio da refeição cobrado nas principais capitais do país: São Paulo (R$ 62,30), Brasília (R$ 55,39), Rio de Janeiro (R$ 63,36).

PLR

No início das negociações da PLR, em 1995, Bradesco e Itaú distribuíram 14% dos seus lucros aos funcionários. Em 1997, esse percentual caiu para 10%. Mesmo com lucros exorbitantes, nos últimos anos, os bancos seguiram reduzindo o percentual de PLR distribuído. Em 2025, por exemplo, os três maiores bancos privados do país distribuíram entre 5,4% e 7,1% do lucro líquido.

"Apesar de a CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) da categoria determinar que os bancos distribuam até 15% de seus lucros, em 2025 somente a Caixa alcançou esse percentual, e o Banco do Brasil se aproximou, com 11%", observou Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

Receita de tarifas x despesas de pessoal

Desde 2016, as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) nos bancos caíram 7%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 11%.

"Essa análise piora, de 2019 a 2025, com queda de 15% nas despesas de pessoal. Tirando a PLR dessa conta, a redução foi de 17%", registra Juvandia Moreira.

Paralelamente ao processo de redução das despesas com pessoal, o setor registrou aumento da cobertura dessas despesas pelas receitas de tarifas e prestação de serviços cobradas dos clientes. Em 2025, a cobertura nos cinco maiores bancos foi de 123%, o que significa que, com o que cobraram dos clientes, os bancos cobriram toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23% desse montante.

"É preciso lembrar que essas não são as principais receitas dos bancos, tão pouco as maiores. As principais receitas, na realidade, advêm da intermediação financeira, a exemplo das operações de crédito, receitas com títulos e valores mobiliários. Portanto, o banco cobre o custo dos seus funcionários apenas com uma das menores receitas que eles têm", explica a economista e técnica do Dieese, Vivian Machado.

Supersalários dos diretores

Enquanto argumentam dificuldades na mesa de negociação para arcar com o custo dos funcionários, para os altos executivos o discurso é diferente. Em 2025, o Santander pagou, em média, R$ 8,3 milhões a cada membro da diretoria estatutária. Bradesco e Itaú pagaram R$ 7,8 milhões e R$ 17,9 milhões, respectivamente, aos seus altos executivos.

Juntos, esses valores representam mais de 120 vezes a remuneração média de um bancário na função de escriturária (incluindo salário, 13º, férias, VR, VA e PLR).

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