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MP dá 72 horas para Itaú explicar fechamento de agência e filas no sol em cidade de MG

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Filas se tornaram rotina na única agência do Itaú em Resplendor (Foto: Divulgação/MPMG)

Filas se tornaram rotina na única agência do Itaú em Resplendor (Foto: Divulgação/MPMG)

O fechamento da única agência do Itaú em Resplendor, município localizado no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, passou a ser investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A Promotoria de Justiça da cidade expediu, na segunda-feira (15), um ofício exigindo esclarecimentos do banco sobre o encerramento definitivo das atividades da unidade, previsto para o próximo dia 25 de junho, e sobre as condições de atendimento oferecidas à população durante o processo de fechamento.

A medida foi tomada após denúncias de moradores que relatam transtornos causados pela redução do atendimento. Segundo o MPMG, consumidores têm enfrentado longas filas do lado de fora da agência, expostos ao sol e sem o devido respeito às prioridades legais destinadas a idosos e demais grupos vulneráveis.

O órgão concedeu prazo de 72 horas para que o Itaú apresente justificativas e documentos que comprovem a regularidade das medidas adotadas. Entre os pontos cobrados estão a comprovação de que os clientes foram avisados com pelo menos 30 dias de antecedência sobre o fechamento, esclarecimentos sobre a transferência de contas para o município de Aimorés e a apresentação de um plano de transição para aposentados e pensionistas do INSS.

Além disso, o Ministério Público exige explicações sobre as filas externas e as reclamações relacionadas ao tempo de espera acima dos limites legais. Caso considere as respostas insuficientes ou não receba manifestação dentro do prazo, o MPMG poderá ingressar com uma Ação Civil Pública para suspender o fechamento da agência e solicitar a aplicação de multas e indenizações por danos morais individuais e coletivos.

Situação recorrente

Em campanha "Eu Quero Mais Agências", Sindicato dos Bancários realiza protesto na região do Jabaquara, no dia 10/06

Nem mesmo a cidade que deu nome ao banco escapou do desmonte promovido pelo Itaú. Em maio deste ano, a instituição financeira anunciou o fechamento da sua única agência física em Itaú de Minas, fazendo outro município mineiro como vítima.

Os episódios refletem uma tendência nacional de redução da rede física de atendimento bancário. Em 2025, o Itaú fechou 319 agências e anunciou o encerramento de outras 188 unidades até maio deste ano. Entre 2015 e 2025, os bancos encerraram, em média, 45 agências por mês em todo o país.

Atualmente, 2.649 municípios brasileiros não possuem sequer uma agência bancária, o equivalente a 48% das cidades do país. Nos últimos anos, a categoria bancária perdeu mais de 80 mil postos de trabalho, passando de 504.345 trabalhadores, em 2015, para 424.021, em 2024.

"Os bancos estão fechando agências pensando somente no lucro. Eles não levam em consideração sua responsabilidade social quanto ao atendimento aos clientes e à população em geral, principalmente aos que não tem acesso à tecnologia", protesta Valeska Pincovai, bancária do Itaú e dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.

"É desumano o tratamento dado aos aposentados, que trabalham a vida inteira e não recebem um pingo de respeito quando vão sacar a aposentadoria. Eles estão sendo jogados para locais totalmente distantes de onde recebiam antes e, ao chegar nas agências que restaram, enfrentam demora no atendimento", completa Valeska.

Eu Quero Mais Agências

O Sindicato dos Bancários de São Paulo tem realizado protestos e mobilizações em defesa dos empregos e do atendimento presencial. Neste ano, a entidade lançou a campanha "Eu Quero Mais Agências", que reúne assinaturas em um abaixo-assinado cobrando a valorização do emprego bancário e melhores condições de atendimento.

Como parte da mobilização contra o desmonte da rede bancária, no início de junho, o deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT-SP), ex-presidente do Sindicato, protocolou o Projeto de Lei 548/2026 na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

A proposta estabelece contrapartidas para bancos públicos, privados e cooperativas de crédito que mantêm contratos de prestação de serviços com o Estado de São Paulo. O objetivo é preservar empregos e combater o fechamento de agências, especialmente em municípios menores e regiões periféricas.

Deputado estadual Luiz Claudio Marcolino, ex-presidente do Sindicato (Foto: Patricia Domingos/Alesp)

Caso seja aprovado, o projeto determinará que as instituições mantenham ao menos uma agência em cada município paulista. Nas cidades com menos de 10 mil habitantes, será permitida a instalação de postos de atendimento bancário. O texto também prevê mecanismos para impedir reduções abruptas nos quadros de funcionários.

Em entrevista ao Sindicato, Marcolino afirmou que espera resistência dos bancos contra a sua proposta. Mesmo assim, o deputado reforçou que pretende lutar ativamente: "Nosso projeto está no caminho certo e, se for necessário, faremos vários atos e conversas com prefeitos e vereadores das cidades, pois eles e toda a população organizada têm interesse em contar com as agências."

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