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Chapéu
Campanha dos Financiários 2026

Financiários apresentam reivindicações prioritárias na primeira mesa de negociação da Campanha Nacional 2026

Imagem Destaque
Foto da mesa de negociação da Campanha Nacional dos Financiários 2026

Primeira rodada de negociação com a Fenacrefi foi realizada nesta quarta-feira (23), em São Paulo, e debateu os principais eixos da pauta da categoria

A primeira rodada de negociação da Campanha Nacional dos Financiários 2026 ocorreu nesta quarta-feira (23), em São Paulo. A Comissão Nacional dos Financiários apresentou à Federação Interestadual das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Fenacrefi) as reivindicações prioritárias da categoria.

A negociação foi dividida em dois blocos ao longo do dia, com o debate dos principais eixos da pauta de reivindicações. Na parte da manhã, foram discutidos temas como a abrangência da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a contratação de trabalhadores do Ramo Financeiro, a redução da jornada, o teletrabalho e o trabalho realizado fora das dependências das empresas, as homologações, a proteção aos trabalhadores desligados, o uso ético da tecnologia e o combate à terceirização.

“A pauta dos financiários, construída em um processo democrático com a participação da categoria em todo o país, foi entregue à Fenacrefi em 16 de setembro. Agora demos início aos debates e negociações com os representantes das empresas. Esperamos que, ao longo do processo negocial, consigamos construir uma proposta com avanços para a categoria”, destaca a secretária-geral do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Lucimara Malaquias, que compõem a representação dos trabalhadores na mesa com a Fenacrefi.

Abrangência e contratação no Ramo Financeiro

Um dos pontos debatidos foi a ampliação da representação do Ramo Financeiro, uma das reivindicações dos trabalhadores.

Redução da jornada

A redução da jornada está entre os principais temas da pauta. A reivindicação é por uma jornada de cinco horas diárias, sem redução do salário ou da remuneração já recebida, em quatro dias por semana, totalizando 20 horas semanais.

A proposta prevê ainda que a jornada possa ser cumprida entre segunda e sexta-feira, com intervalo de 20 minutos para refeição ou descanso incluído na jornada.

Teletrabalho e trabalho remoto

A categoria reivindica parâmetros mínimos para o teletrabalho, o trabalho em domicílio e o trabalho remoto, além da formalização das condições dessa modalidade de prestação de serviço.

Também está em debate a realização de acordo específico para estabelecer o regime e as condições de trabalho dos empregados que desempenham suas funções fora das dependências da empresa.

Rescisões e proteção ao emprego

Outro eixo discutido na rodada envolve a proteção dos trabalhadores no momento da rescisão contratual. A reivindicação é que as rescisões dos contratos de trabalho sejam formalizadas no sindicato dos empregados, permitindo a conferência e a fiscalização dos direitos rescisórios. A categoria também reivindica uma indenização especial ao empregado dispensado sem justa causa durante a vigência da CCT, conforme os critérios estabelecidos na proposta.

Tecnologia e relações de trabalho

O impacto do avanço tecnológico nas relações de trabalho também está entre os temas prioritários. A proposta busca estabelecer princípios para o uso de tecnologias e mecanismos de fiscalização do cumprimento das obrigações assumidas pelos trabalhadores, inclusive em situações de teletrabalho e trabalho remoto. A fiscalização deverá respeitar princípios de finalidade, proporcionalidade, transparência, privacidade e intimidade, em conformidade com a legislação vigente e com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A categoria também reivindica que as empresas não realizem captura de imagens ou áudios dos empregados para fiscalização da jornada durante o teletrabalho e o trabalho a distância. Outro ponto previsto é a necessidade de avaliação humana para decisões relacionadas a avaliações, advertências e medidas disciplinares, evitando que essas decisões sejam tomadas exclusivamente por sistemas automatizados.

Terceirização

A suspensão da terceirização e da intermediação de mão de obra também foi debatida. A proposta prevê a suspensão de projetos de terceirização, contratações por empresas de intermediação de mão de obra e transferências para empresas do mesmo grupo ou holding.

A reivindicação também busca impedir a terceirização de atividades das empresas e o enquadramento dos trabalhadores em categorias diferentes da dos financiários.

Saúde, segurança e proteção aos trabalhadores

Na parte da tarde, as discussões foram voltadas para temas relacionados à saúde e segurança no trabalho, prevenção, combate ao assédio e à discriminação. Entre as reivindicações está a manutenção dos salários durante afastamentos por doença. A proposta prevê a complementação salarial pela empresa, em valor equivalente à diferença entre a importância recebida do INSS e a remuneração total que o trabalhador receberia se estivesse na ativa, incluindo salários, comissões, gratificações, adicionais e PLR, até o retorno ao trabalho.

A pauta também reúne uma série de propostas destinadas a ampliar a proteção à saúde física e mental dos trabalhadores e garantir melhores condições de trabalho e amparo em momentos de vulnerabilidade. Entre as reivindicações estão a ampliação da assistência médica e da vacinação, a manutenção do seguro de vida durante o afastamento por auxílio-doença previdenciário e o reforço da proteção aos trabalhadores vítimas de assaltos.

Para os planos de saúde, a proposta estabelece um teto de 5% do salário básico para os empregados que optarem por planos superiores. Também é reivindicado o custeio ou reembolso integral de vacinas contra gripe e epidemias para empregados e dependentes. No caso do seguro de vida, a proposta prevê o custeio integral do prêmio pela empresa durante o período em que o trabalhador estiver afastado em razão de auxílio-doença previdenciário.

Em situações de assalto, a categoria reivindica reajuste de 5% acima da inflação no valor da indenização por morte ou incapacidade permanente, além de atendimento médico e psicológico imediato aos empregados presentes no local.

Direitos e proteção no ambiente de trabalho

A pauta também inclui medidas relacionadas às condições de trabalho e à atuação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPAA). Entre as reivindicações está o fornecimento e a higienização gratuitos de uniformes, sem a utilização de logomarcas consideradas constrangedoras, além da ampliação para 90 dias do prazo de notificação aos sindicatos sobre o término dos mandatos da CIPAA.

A categoria também reivindica a ampliação do período de utilização do plano de saúde após a demissão sem justa causa, com prazos que variam de 180 a 390 dias, de acordo com o tempo de serviço.

Outro ponto trata da garantia de direitos para casais em união estável homoafetiva, com a inclusão expressa do direito às licenças-maternidade, paternidade e adoção. A pauta ainda prevê medidas de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica, como a criação de canais de apoio sigilosos, grupos voluntários de prevenção, prioridade para transferência de unidade e flexibilização do horário de expediente, de forma a contribuir para a segurança da trabalhadora.

As negociações entre o movimento sindical e a Fenacrefi terão continuidade nesta quinta-feira (24), com o aprofundamento das discussões sobre os temas relacionados à saúde e às condições de trabalho.

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