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Caixa Federal

Sindicato cobra presidente da Funcef sobre contencioso

Durante simpósio, Carlos Vieira garante solução para equacionar dívida bilionária gerada por ações trabalhistas da Caixa, que desfalca fundo de pensão

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 31/10/2018 16:01 / Atualizado em 31/10/2018 17:59

Simpósio Fenacef 2018, realizado na Bahia

Foto: Seeb-SP

A necessidade de solucionar o grave problema do contencioso da Funcef foi reforçada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região ao presidente do fundo de pensão durante simpósio promovido pela Fenacef (Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal).

O contencioso refere-se ao valor total das ações trabalhistas que a Caixa perde na Justiça, mas que a Funcef acaba pagando. 

No evento realizado entre 22 e 27 de outubro, na Bahia, o diretor do Sindicato e empregado da Caixa Valter San Martin Ribeiro questionou quando essa questão será resolvida. O presidente da Funcef, Carlos Vieira, garantiu que uma solução está sendo negociada com o banco. Vieira disse ainda que solicitou à Caixa os números referentes ao contencioso.

Segundo estimativas, o contencioso pode chegar a um terço do ativo total da Funcef, o que equivale a cerca de R$ 17 bilhões.

“O Sindicato irá acompanhar o desenrolar dessas negociações e continuará cobrando uma posição por parte do senhor Carlos Vieira”, afirma Valter San Martin. 

A entidade enviará ofício cobrando a Funcef sobre a dívida gerada pelo contencioso e reivindicando que a Caixa pague o montante que lhe cabe.

PLP 268

Durante o simpósio, o Subsecretário do Regime de Previdência Complementar do Ministério da Fazenda, Paulo César dos Santos, se manifestou contra o PLP 268. Em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei enfraquece a participação dos trabalhadores na gestão dos fundos de pensão como a Funcef e a Previ, e abre as portas dessas entidades para agentes do mercado, o que pode resultar em prejuízos bilionários, a exemplo do Postalis, dos funcionários dos Correios.

> Previ, Funcef e demais fundos de pensão sob ameaça
Sindicato denuncia embuste do governo para atacar fundos de pensão

Atualmente, os conselhos deliberativo e fiscal dos fundos de pensão patrocinados por empresas públicas têm gestão paritária - metade dos membros é indicada pela empresa patrocinadora e a outra metade é eleita pelos trabalhadores.

O dirigente sindical Valter San Martin (à esquerda)

O PLP 268/16 original, aprovado no Senado, divide o conselho deliberativo em três: uma parte para agentes de mercado, outra para a empresa patrocinadora e a terceira para os trabalhadores. Ou seja, de metade do poder, os trabalhadores terão seu poder reduzido a um terço dos conselhos deliberativo e fiscal. 

Além disso, o PLP 268 original impede a eleição de seus representantes na diretoria.

 

 

O projeto original ainda determina que a diretoria será formada por agentes selecionados no mercado.

“A crítica do PLP 268 feita pelo subsecretário desperta curiosidade, visto que ele é um representante do governo atual, favorável ao Projeto de Lei”, avalia Valter San Martin.

Aplicações financeiras problemáticas da Funcef 

No simpósio, um dos diretores eleitos da Funcef, Max Pantoja, comunicou que a maior parte dos investimentos do fundo de pensão está aplicada em renda fixa. 

Valter San Martin criticou essa política. “Aplicar em título da dívida pública é muito confortável porque oferece poucos riscos, mas essa decisão resultará em dificuldades para o alcance da meta atuarial, porque essas aplicações rendem muito menos do que investimentos em ações e, portanto, acabarão levando a um déficit futuro da Funcef”, afirma o dirigente. 



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