O “ajuste fiscal” prometido pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, o chamado “tesouraço”, pode eliminar cerca de 2,2 milhões de empregos e causar um impacto negativo de 1,55% no PIB (Produto Interno Bruto).
A estimativa foi divulgada pelo UOL nesta quinta-feira (22), a partir de cálculos feitos pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Uma vez que a campanha de Flávio Bolsonaro não detalha quais serão os cortes, o Dieese tomou como base para os cálculos a possibilidade de congelamento das despesas primárias em termos reais, corrigidas somente pela inflação estimada (4,5%).
O Dieese calcula ainda que o “tesouraço” de Flávio Bolsonato reduziria a massa salarial em R$ 68,7 bilhões e derrubaria a arrecadação de impostos em R$ 46,8 bilhões em 2027, o que consumiria aproximadamente 40% da economia bruta que seria obtida com os cortes. Ou seja, o próprio objetivo do “ajuste” estaria comprometido.
“Temos, talvez pela primeira vez na história das nossas eleições, um candidato que não pode detalhar seus planos para o Brasil por receio de perder votos. E esse receio da campanha deste candidato é totalmente justificável. O “tesouraço” anunciado, inspirado no modelo de Milei, presidente argentino que está levando o país a miséria, fatalmente atingirá os trabalhadores, os mais pobres, as políticas sociais, os aposentados, servidores públicos, incluídos os bancários de bancos públicos, e os orçamentos da saúde e da educação. Tudo isso acarretando em menos empregos, menos renda, sem sequer atingir o alegado equilíbrio fiscal”, avalia a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Reforma administrativa digital
Em agosto, a coordenadora da pauta econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniela Marques, em um evento do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), defendeu o que ela chama de “reforma administrativa digital”, questionando quantas carreiras poderiam ser substituídas por inteligência artificial, citando ainda a possibilidade de redução no número de servidores públicos.
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No mesmo evento, Daniella Marques mencionou a possibilidade de uma PEC para reduzir “despesas públicas”, sem detalhar quais seriam as medidas propostas.