Além da ausência de uma fiscalização integrada entre o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — falha que compromete o controle sobre as fintechs e instituições financeiras — avança também uma investigação sobre a conduta do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master.
Segundo reportagens publicadas na imprensa, Campos Neto teria sido informado com antecedência sobre fragilidades relevantes na estrutura de ativos e na liquidez do Banco Master. Ainda assim, optou por não adotar medidas imediatas de intervenção, permitindo que a situação se agravasse.
No fim do ano passado, o Banco Central instaurou uma investigação interna para apurar eventuais falhas na fiscalização do caso, analisando todo o processo que vai da expansão acelerada do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro até a liquidação do banco, decretada em novembro de 2025.
Já sob a presidência de Gabriel Galípolo, foi determinada a abertura de uma auditoria interna para avaliar se o BC dispunha, em momento anterior, de informações suficientes para decretar a liquidação antes do colapso definitivo da instituição.
Os desdobramentos do caso resultaram em mudanças significativas na estrutura do Banco Central. Paulo Souza, então diretor de Fiscalização e figura central da gestão Campos Neto, foi afastado uma semana após a liquidação do Master. Belline Santana, que chefiava o Departamento de Supervisão Bancária, também deixou o cargo.
De acordo com reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, Campos Neto tinha ciência dos problemas de liquidez do Banco Master desde 2024, mas a decisão de intervir só foi tomada na gestão seguinte, já sob Galípolo.
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, o episódio extrapola uma falha técnica e revela os efeitos concretos de uma política de desregulação que fragiliza o sistema financeiro e penaliza os trabalhadores.
“O Master e o Will Bank são exemplos claros das consequências da desregulação, especialmente durante a gestão de Campos Neto. Os trabalhadores convivem com o fantasma do desemprego, enquanto o sistema financeiro terá de arcar com bilhões por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC)”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato.
As liquidações do Banco Master e do Will Bank devem gerar resgates da ordem de R$ 47 bilhões. Segundo Neiva, esse montante precisará ser recomposto pelos demais bancos do sistema. “Para cobrir esse rombo, as instituições tendem a elevar metas, pressionar ainda mais os bancários e encarecer o crédito. No fim, o trabalhador sofre na ponta e a sociedade inteira paga a conta do descontrole regulatório”, alerta.
O Sindicato defende que a estabilidade do sistema financeiro passa, necessariamente, por uma fiscalização integrada entre Banco Central, CVM e Receita Federal.
“A sociedade brasileira precisa debater um novo marco regulatório que coloque a proteção social e os direitos trabalhistas no centro. Sem regulação firme e fiscalização eficaz, as crises continuarão sendo socializadas, enquanto os prejuízos recaem sempre sobre os trabalhadores”, conclui Neiva Ribeiro.