Conforme noticiado em novembro de 2025, os impactos da reestruturação das carteiras do segmento Uniclass seguem gerando reflexos sobre os trabalhadores das agências digitais do CEIC. A mudança operacional, segundo relatos, continua afetando diretamente a dinâmica de atendimento, a produção comercial e o cumprimento de metas no Uniclass Digital.
De acordo com apurações, o banco reconheceu, ainda que sem um comunicado formal, que houve superdimensionamento das metas comerciais no período. A maioria dos GRDs do segmento Uniclass Premium não atingiu as metas estabelecidas no 4T25 e, posteriormente, foi informada pela gestão de que os parâmetros adotados naquele trimestre “não estavam adequadamente calibrados”.
Como consequência, trabalhadores relatam que os indicadores de produção no GERA terão a pontuação padronizada em 1.000 pontos em todas as linhas do indicador para o segmento Uniclass Premium, como forma de ajuste referente ao 4T25.
“Essa correção de rota foi importante porque evidenciou que a qualidade da carteira impacta diretamente os resultados, e os bancários não conseguem compensar distorções estruturais apenas com esforço individual”, afirma Edegar Faria, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e bancário do Itaú.
Apesar do ajuste, trabalhadores apontam um aparente contrassenso no planejamento do banco para o período seguinte. As metas do 1T26 teriam sido elevadas em comparação ao trimestre anterior, ao mesmo tempo em que aumentaram as dificuldades para contato efetivo com clientes. Segundo relatos, em um volume médio de 130 tentativas de contato realizadas por dia, os clientes atendem entre 3 e 5 ligações.
Além disso, bancários destacam que a cobrança por desempenho não considera o perfil predominante da carteira do Uniclass Premium, composta majoritariamente por clientes idosos. De acordo com bancários, a resistência de clientes mais velhos está relacionada ao aumento de fraudes, que eleva a desconfiança dos clientes e dificulta o contato e a oferta de produtos por canais remotos.
“Distribuir 1.000 pontos é uma medida paliativa que não enfrenta o problema central: metas abusivas têm levado bancários ao limite, com impacto direto na saúde mental, sob a pressão constante por desempenho e risco de desligamento”, afirma Gleice Pereira, dirigente do Sindicato e bancária do Itaú.
Migração para o iClientes
Paralelamente, a migração de sistemas como 360, EA e VAI para o iClientes (plataforma que tem como objetivo unificar ferramentas internas) também tem gerado efeitos operacionais. Trabalhadores relatam que os notebooks utilizados na atividade apresentam lentidão e instabilidade, atribuídas à falta de otimização do sistema, com impacto no desempenho do Windows e na continuidade do atendimento.
Ao identificar metas desproporcionais, pressões excessivas por resultado, cobranças individualizadas ou práticas que comprometam a saúde mental e a qualidade do trabalho, os bancários devem procurar o Sindicato para registrar denúncia e relatar a situação com detalhes. As informações encaminhadas ajudam a mapear padrões, fundamentar a atuação sindical e cobrar providências do banco para corrigir distorções, garantir condições adequadas de trabalho e evitar o agravamento do assédio por metas, com sigilo e acolhimento aos trabalhadores.