Mais um novo ano começa e com ele tem início uma importante campanha de conscientização: o Janeiro Branco. A iniciativa busca ampliar o debate sobre a saúde mental e emocional da população, com foco na prevenção de doenças relacionadas ao estresse, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico. Desde 2023, a campanha é reconhecida por lei federal, sancionada pelo presidente Lula, o que reforça sua relevância como política pública de promoção da saúde.
Ao longo do mês de janeiro, atividades e iniciativas comunicacionais colocam a saúde mental no centro das discussões. O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região integra esse movimento, uma vez que o tema é uma preocupação permanente para a categoria, especialmente diante das condições de trabalho impostas no setor financeiro.
Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (SmartLab) evidenciam a gravidade do cenário. Nos últimos dez anos, o número de afastamentos por transtornos mentais mais que dobrou. Em 2014, o INSS concedeu 221.127 benefícios previdenciários relacionados a esse tipo de adoecimento; em 2024, foram 471.649, um aumento de 113,3%. No setor bancário, a situação é ainda mais alarmante: o crescimento foi de 168% no mesmo período.
Em 2025, a difícil realidade vivida pelos bancários ganhou ainda mais repercussão e chegou à Câmara dos Deputados. No dia 23 de setembro, foi realizada uma audiência pública com o tema “Situação dos trabalhadores e trabalhadoras do setor bancário”, convocada pelo deputado federal Vicentinho (PT-SP), a partir de reivindicação do movimento sindical bancário.

Durante a audiência, a secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Valeska Pincovai, denunciou práticas abusivas das instituições financeiras. “Os bancos não acolhem, não dão atendimento humanizado, não orientam o trabalhador sobre como se afastar ou realizar o tratamento. O que vemos é uma política de perseguição aos trabalhadores que adoecem, com ofertas de dinheiro em troca da estabilidade, desrespeito aos atestados médicos e até contestação de perícias do INSS”, afirmou.
Para a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, o Janeiro Branco é um momento fundamental para reforçar a luta por mudanças estruturais no setor. “A saúde mental dos bancários está sendo adoecida por metas abusivas, assédio moral e sobrecarga de trabalho. O Janeiro Branco nos ajuda a dar visibilidade a esse problema, mas é preciso ir além da conscientização: os bancos precisam assumir responsabilidade e mudar suas práticas. O Sindicato seguirá firme na defesa da vida, da dignidade e da saúde da categoria”, destacou Neiva.