Diante das mais de 200 demissões promovidas pelo Banco Votorantim e das propostas de acordo extrajudicial dando quitação total de direitos, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região reuniu-se nesta quarta-feira 4 com representes do banco, que confirmaram que os valores da PLR da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e do Programa Próprio de Participação nos Resultados (PPR, conhecidos como RV internamente pelos empregados do BV) estão incluídos nas propostas para os acordos extrajudiciais.
Esses acordos interessam ao banco porque dão quitação e o empregado não pode recorrer mais ao Judiciário para pleitear qualquer verba e direitos que entenda terem sido descumpridos ao longo do seu contrato de trabalho.
O Sindicato alerta: a PLR é um direito garantido pela CCT à categoria bancária, e o Programa Próprio é um acordo coletivo de trabalho também fruto de negociação com o Sindicato. Todos os demitidos em janeiro de 2026 já possuem direito à PLR e o PPR integral ou proporcional, se admitidos durante o ano de 2025.
Falta de transparência
Mesmo sendo direitos garantidos, o banco incluiu os valores da PLR e do PPR no montante da proposta para o acordo que dá quitação ao contrato de trabalho, sem detalhar ao empregado quais direitos estaria indenizando.
Os trabalhadores denunciaram ao Sindicato a total ausência de discriminação de cálculos durante a apresentação dos termos do acordo. Muitos sequer sabiam que a PLR e o PPR estavam somados no valor final.
“É um absurdo! O banco tenta vender como vantagem um pagamento que ocorreria apenas 15 dias depois pela CCT, mas exige em troca a quitação total de direitos. O Sindicato em todo momento exigiu que o banco fosse transparente com seus ex-empregados, para que soubessem exatamente por quais direitos estavam recebendo a proposta pecuniária para a quitação do contrato de trabalho. Se o trabalhador tiver esse pleno conhecimento, entendendo ser benéfico, ficará a seu critério a avaliação para assinar ou não esse acordo”, destaca Flávio Monteiro, diretor do Sindicato.
Compare os valores: O impacto no bolso do bancário
Para evidenciar como a mistura de verbas prejudica a transparência, veja dois exemplos de remuneração variável (RV), relativos a pagamentos realizados em 2025 e correspondentes ao exercício de 2024, baseados em casos reais, de trabalhadores que participaram da plenária realizada pelo Sindicato no último dia 22:
- Analista Administrativo Júnior (Salário aproximado de R$ 5.835,00): Recebeu cerca de R$ 3.200,00 de PPR e R$ 23.000,00 de PLR CCT. Total de RV: R$ 26.200,00.
- Analista de Governança TI Pleno (Salário aproximado de R$ 11.275,00): Recebeu cerca de R$ 12.180,00 de PPR e R$ 31.862,00 de PLR CCT. Total de RV: R$ 44.042,00.
Essa explicação é dada para que os empregados desligados avaliem as propostas que receberam do banco para o acordo extrajudicial. Tendo a referência de valores recebidos em anos anteriores e ainda com a ajuda do simulador, é importante que façam seus cálculos e entendam se a proposta é financeiramente interessante, já que esses valores de PLR e de PPR referentes a 2025 já são de direito e seriam depositados em suas contas correntes até o dia 02 de março.
Sindicato aciona TRT e Ministério Público do Trabalho
O Sindicato já enviou ofício ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) alertando para que esses acordos sejam observados com cautela antes da homologação, de modo a não significar prejuízos aos trabalhadores.
Uma denúncia também foi protocolada no Ministério Público do Trabalho (MPT) para investigar a forma como esses acordos estão sendo apresentados aos trabalhadores, sem transparência e informações, além da prática de oferecer verbas garantidas por normas coletivas como se fossem concessões do banco no acordo para quitar o contrato de trabalho.
O Sindicato orienta
Se você foi demitido ou está sendo pressionado para assinar documentos sem informações e esclarecimentos, procure imediatamente o Sindicato. Nossa equipe jurídica está pronta para proteger seus direitos contra os abusos do setor financeiro.
Fortaleça a luta pelos seus direitos!
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, destaca a importância de se manter sindicalizado.
“Ao se filiar, você passa a fazer parte da luta permanente por melhores condições de trabalho. Quanto maior o número de associados, mais forte se torna a representatividade da nossa entidade, ampliando sua capacidade de mobilização e de atuação nas mesas de negociação com os bancos. Foi essa união e força coletiva da categoria organizada que garantiu, ao longo dos anos, importantes conquistas, como a PLR, o VA, o VR, entre muitos outros direitos. Associe-se já e contribua para o fortalecimento dessa luta em defesa dos nossos direitos”, afirma.