As mais de 200 demissões realizadas pelo Banco Votorantim (BV) e a falta de diálogo com os representantes dos trabalhadores motivaram um protesto do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, na sede da instituição financeira, na terça-feira 10.
“Reforçamos nossa reivindicação pelo fim das demissões, um posicionamento se vão ocorrer mais desligamentos, qual é o processo de reestruturação, além de um diálogo com o movimento sindical”, afirma o dirigente sindical Matheus Pinho.
“Sempre vemos no noticiário econômico CEOs das empresas, executivos, empresários, exigindo estabilidade, segurança jurídica, previsibilidade para os seus negócios. Eles têm muitas leis que defendem os privilégios deles. Este ano os trabalhadores precisam estar atentos, porque haverá eleições, e precisamos de parlamentares que votem leis não para o privilégio de quem já é muito rico, ou de empresas que já têm bilhões de lucro, mas para proteger o que a gente tem de mais sagrado, que é o nosso emprego”, afirma o diretor do Sindicato Marcelo Gonçalves.
Insegurança e denúncias de assédio
Em plenária virtual realizada pelo Sindicato com os trabalhadores do BV, os que seguem na ativa relataram medo de novos cortes, além de denúncias de assédio moral e pressão por resultados.
“Estamos acompanhando as denúncias e as movimentações do banco, e recomendamos que nenhum trabalhador demitido assine acordo extrajudicial proposto pela empresa”, destaca Matheus.
Cuidado com o acordo extrajudicial
Esses acordos interessam ao banco porque dão quitação total ao contrato. Isso significa que, ao assinar, o empregado não pode mais recorrer ao Judiciário para pleitear verbas e direitos que entenda terem sido descumpridos ao longo do seu contrato de trabalho.
Além, disso, o BV confirmou que os valores da PLR da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e do Programa Próprio de Participação nos Resultados (PPR — conhecidos internamente como RV) estão sendo incluídos nessas propostas de acordos extrajudiciais para “inflar” o valor oferecido.
O Sindicato alerta: a PLR é um direito garantido pela CCT à categoria bancária, e o Programa Próprio é fruto de negociação com o Sindicato. Todos os demitidos em janeiro de 2026 já possuem direito à PLR e ao PPR (integral ou proporcional, se admitidos durante 2025).
Disponibilizamos um simulador exclusivo de PLR e PPR para que funcionários da ativa e demitidos garantam que não serão lesados.
O Sindicato orienta
Se você foi demitido ou está sendo pressionado para assinar documentos sem informações e esclarecimentos, procure imediatamente o Sindicato. Nossa equipe jurídica está pronta para proteger seus direitos contra abusos.
Fortaleça a luta pelos seus direitos
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, destaca a importância da organização coletiva neste momento de instabilidade no setor financeiro.
“Ao se filiar, você passa a fazer parte da luta permanente por melhores condições de trabalho. Quanto maior o número de associados, mais forte se torna a representatividade da nossa entidade, ampliando sua capacidade de mobilização e de atuação nas mesas de negociação com os bancos. Foi essa união que garantiu conquistas como a PLR, o VA e o VR. Associe-se já e contribua para o fortalecimento dessa luta”, finaliza.