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Chapéu
Respeito à jornada!

Caixa: trabalho remoto salva vidas, mas abuso nas metas mata!

Linha fina
Empregados da Caixa das Centralizadoras em home office denunciaram ao Sindicato, entre outros abusos, cobranças diárias de metas, jornadas exaustivas sem registro de ponto e o direito à desconexão negado; denuncie irregularidades ao Sindicato!
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O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região tem recebido uma série de denúncias de empregados da Caixa das Centralizadoras que estão em home office. Entre elas estão cobranças diárias de metas, jornadas exaustivas sem registro de ponto e o direito à desconexão negado, entre outros abusos.

“O trabalho remoto fez com que minha casa deixasse de ser um lar. Durmo e acordo olhando para o computador, pois não sei mais qual a minha jornada de trabalho. Cheguei a trabalhar 17 dias sem descanso, cerca de 15 horas por dia, muitas vezes mais até do que isso, e mesmo assim está impossível cumprir minha meta que é atender 100% das demandas recebidas”, relata uma empregada. 

Na pandemia, o Sindicato orienta que os empregados assinem o acordo que permite o trabalho remoto, que tem data para acabar e suas prorrogações. Pois o banco usa como argumento para chamar os bancários para o presencial os questionamentos ao trabalho remoto. No momento, a modalidade é importante para prevenção contra a covid-19. Porém, no futuro, somente após a assinatura de um aditivo de teletrabalho é que os empregados poderiam trabalhar sempre nessa modalidade.

“Hoje tenho 16 vezes mais demandas do que no trabalho presencial. Por ser grupo de risco, não posso retornar ao presencial, mesmo querendo correr o risco de adoecer de covid, pois já cheguei ao ponto de não ver diferença de gravidade entre a doença e o home office. Estou tomando remédios para evitar mais problemas como depressão, pois o nível de estresse ao qual eu e muitos funcionários da Caixa estamos passando já ultrapassou todos os limites considerados normais. É preciso urgentemente que seja colocado limites para o trabalho remoto e que a empresa cumpra com o papel de empregador. A Caixa, contudo, vem jogando essa responsabilidade sobre o empregado, não acatando CAT e despesas com home office e equipamentos, além de "usar" nosso celular pessoal para login na rede”, complementa a trabalhadora.

“A Caixa é o único banco entre os grandes que não tem um acordo de teletrabalho assinado, pois a direção do banco alega que os trabalhadores preferem trabalhar sem o registro da jornada. De fato, os empregados não registram o ponto, mas as jornadas devem ser respeitadas. Para isso, o acordo de produtividade não pode ser abusivo e ultrapassar ao factível em uma jornada bancária. E, na sua maioria, tem ultrapassado”, afirma Dionísio Reis, diretor executivo do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e empregado da Caixa. 

Na antecipação dos feriados, por exemplo, os empregados em home office terão um dia de folga para cada dia trabalhado no período, ou seja, ficarão sem o adicional de hora extra 100%. Desde que a reforma trabalhista entrou em vigor, em novembro de 2017, o teletrabalho trouxe abusos e retiradas de direitos.

“Não há registro de ponto, mas há a jornada. Quando os trabalhadores que estão em home office têm algum problema com sistema, equipamento e ficam com uma equipe de TI para que este seja solucionado, isto também precisa contar como jornada. Da mesma forma, não pode haver cobranças diárias de metas, o que classifica assédio moral. É importante que os empregados denunciem ao Sindicato (preencha o formulário abaixo), com garantia de anonimato”, complementa o dirigente.

Além das irregularidades supracitadas, o Sindicato também tem recebido denúncias de que a Caixa não tem se responsabilizado em abrir Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para os trabalhadores em home office com problemas de saúde. (veja neste link como fazer para emitir uma CAT)

Reconhecimento do Trabalho

Além de todos os abusos e o desrespeito à jornada, a Caixa, por meio de seu presidente, Pedro Guimarães, deixou de pagar a PLR Social integralmente aos empregados, mostrando o desprezo que tem pelos trabalhadores."Os empregados devem se organizar com o Sindicato e participar das atividades pelo devido reconhecimento e por melhores condições de trabalho”, conclama Dionísio.

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