
A decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida nesta quarta-feira (26), de tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete de seus aliados por tentativa de golpe de Estado em 2022, representa um capítulo inédito e decisivo na história política e institucional do Brasil. A unanimidade da votação reforça o entendimento coletivo, por parte do Judiciário, de que há indícios robustos de participação ativa dessas figuras em uma articulação que visava interromper a normalidade democrática e subverter a vontade popular expressa nas urnas.
Ao transformar Bolsonaro e seu círculo próximo em réus, o STF não apenas reconhece a gravidade dos atos praticados — que envolvem a incitação pública contra o sistema eleitoral, reuniões com teor conspiratório e tentativas concretas de mobilização de setores militares —, mas também envia um recado contundente sobre os limites do poder e a intolerância institucional com investidas golpistas. Trata-se de uma resposta clara ao uso abusivo das prerrogativas da presidência para fins autoritários, situando juridicamente essas condutas como violações à ordem constitucional.
A medida também pode ser lida como parte de um processo mais amplo de reconstrução democrática, no qual as instituições buscam reafirmar seus papeis diante das ameaças sofridas nos últimos anos. Nesse sentido, o julgamento do STF transcende o plano jurídico: assume uma dimensão simbólica e política fundamental para o Estado Democrático de Direito.
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