O 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT começou na noite desta sexta-feira (27), no Guarujá (SP), reunindo lideranças sindicais de todo o país e representantes de entidades nacionais e internacionais em um momento marcado por desafios políticos e sociais.
Manifesto contra o assédio e a violência
Antes da abertura, houve a leitura do manifesto da Contraf-CUT de tolerância zero para casos de violência e assédio. A leitura foi realizada pela comissão estabelecida pela entidade, formada por Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT; Katia Cadena, diretora executiva da Contraf-CUT; e Rosalina Amorim, dirigente da Executiva da Contraf-CUT.
A cerimônia contou com a participação de diversas lideranças, que ressaltaram a importância da unidade, da democracia e da mobilização da classe trabalhadora diante do atual cenário.
Desafios para a classe trabalhadora
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, abriu o Congresso destacando a importância da organização da categoria bancária e da classe trabalhadora para enfrentar os desafios políticos e econômicos do país e ressaltou que os 20 anos da Contraf-CUT representam apenas parte de uma trajetória histórica de mobilização e conquistas.
“Nós vamos comemorar hoje os 20 anos da Contraf, mas na verdade estamos comemorando uma história muito maior, que começou bem antes e teve muita gente que construiu”, afirmou.
Ao fazer um balanço da gestão, Juvandia lembrou que o período foi marcado por fortes ataques aos direitos trabalhistas e às instituições democráticas. Segundo ela, a entidade atuou na resistência em defesa da democracia, da soberania nacional, dos bancos públicos e da organização sindical.
Para a presidenta da Contraf-CUT, o momento exige mobilização da categoria e da sociedade diante da polarização política e do avanço da extrema direita em vários países.
Juvandia também destacou os impactos das transformações tecnológicas no sistema financeiro e a necessidade de adaptar a organização sindical a esse novo cenário. “Mudou tudo: o jeito que nos comunicamos, compramos e fazemos negócios. Mudou também a forma como precisamos nos organizar”, disse.
Ao final, a dirigente reforçou o chamado à mobilização da categoria. “Nosso slogan diz que ‘o futuro é nosso’. E, se o futuro é nosso, quem faz e organiza somos nós”, concluiu.
Importância das eleições de outubro
Sergio Nobre, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), diz estar convencido que as redes sociais terão papel fundamental na disputa eleitoral. “Eles não vão permitir que haja debate e comparação de projeto (...) eles vão querer jogar a campanha na lata do lixo. Muito ataque pessoal, muita fake news e utilizando as redes sociais.”
A presidenta da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito de São Paulo (federação anfitriã), Aline Molina, deu as boas-vindas aos participantes e destacou o simbolismo da realização do congresso em São Paulo diante do cenário político estadual e nacional. Ela também reforçou a importância da organização política da classe trabalhadora e da eleição de representantes comprometidos com os direitos sociais.
“É muito importante que a gente receba este congresso no estado de São Paulo, pois estamos vivendo aqui um governo que representa a base do fascismo brasileiro. Precisamos lutar por essa democracia, mesmo que burguesa, para que nossos filhos, netos e bisnetos possam avançar para uma democracia verdadeira. A Contraf-CUT tem 20 anos, mas representa toda a luta da categoria bancária nos últimos 40 anos. Que tenhamos mais décadas de conquistas.”
A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, destacou conquistas históricas da categoria bancária e o compromisso com a construção de um país mais justo.
“Tenho certeza de que todos os delegados e delegadas que estão aqui vieram atualizar o plano de luta da nossa confederação com o coração cheio de vontade de reforçar o compromisso com nossas bandeiras: um Brasil mais digno, mais igualitário, sem violência de gênero, sem homofobia, sem feminicídio, com igualdade de oportunidades e salário justo para todos.”
O 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT seguirá até domingo, com a realização de uma série de painéis sobre os desafios dos trabalhadores diante das transformações do sistema financeiro, aprovação do plano de lutas e eleição da direção executiva, conselho fiscal e conselho diretivo.