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Chapéu
Sistema Financeiro

XP Asset Management recebeu R$ 385 milhões em CDBs do Banco Master com a venda do Will Bank e da rede Alife Nino

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Liquidações do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno acarretaram em um rombo de R$ 57,4 bilhões no FGC (Foto: Seeb-SP)

Liquidações do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno acarretaram em um rombo de R$ 57,4 bilhões no FGC (Foto: Seeb-SP)

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada em 10 de junho, revelou que a XP Asset Management, gestora de investimentos do grupo XP, vendeu o Will Bank e a rede de restaurantes Alife Nino ao Banco Master, que, por sua vez, “bancou” o negócio com R$ 385 milhões em CDBs emitidos pelo próprio banco. A transação mostra que o relacionamento entre o Banco Master e a XP ia além da oferta e da venda de títulos da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

Os negócios entre a XP Asset Management e o Banco Master, envolvendo a venda das participações no Will Bank e na Alife Nino, foram fechados quando o banco de Daniel Vorcaro já enfrentava dificuldades.

Segundo o Estadão, a XP negociou rapidamente os CDBs do Banco Master no mercado secundário. “Dos R$ 385 milhões recebidos em CDBs, a XP havia vendido R$ 308,7 milhões até março de 2025 e liquidou praticamente tudo o que restava (R$ 71,7 milhões) em maio do mesmo ano”, diz a reportagem. Ou seja, o fundo da XP rapidamente se desfez da exposição ao risco, repassando os CDBs para investidores finais.

Procurada pela reportagem do Estadão, a XP afirmou que a “decisão de venda da participação minoritária [no Will Bank e na Alife Nino] foi tomada em 2024 e concluída muito antes de se tornarem públicos os eventos recentes envolvendo o Banco Master. Todo o processo seguiu as melhores práticas de mercado, com aprovação dos órgãos reguladores competentes”.

XP foi a maior vendedora de CDBs do Master

Ao todo, a XP vendeu, em sua plataforma, R$ 26 bilhões em CDBs do Banco Master. Os títulos da instituição controlada por Daniel Vorcaro prometiam remunerações muito acima da média de mercado e, de acordo com a reportagem do Estadão, o argumento de venda utilizado pelos agentes de investimento da XP era de que, em caso de dificuldades do banco para honrar seus compromissos, os recursos investidos seriam reembolsados pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Com a liquidação do Master, protagonista de uma das maiores fraudes financeiras da história do país, o FGC teve de desembolsar mais de R$ 40 bilhões. Tempos depois, com a liquidação também do Will Bank e do Banco Pleno, ambos do grupo Master, esse montante chegou a R$ 57,4 bilhões.

Não existem informações oficiais sobre qual teria sido o valor embolsado pela XP em comissões pela venda de CDBs do Master, mas a prática de mercado, segundo a reportagem do Estadão, estabelece um teto de 2,5% sobre o valor investido. Nesse cenário, a XP teria faturado cerca de R$ 650 milhões.

Todos perdem

Apesar de o FGC ser um fundo privado, capitalizado por contribuições dos grandes bancos, o rombo provocado pelas operações do grupo Master prejudicou toda a sociedade.

Os bancários ficaram ainda mais pressionados e sobrecarregados para cumprir metas abusivas, uma vez que os bancos precisam recompor o FGC com recursos próprios. Ao mesmo tempo, a sociedade como um todo sofre com o encarecimento do crédito.

Sindicato defende novo marco regulatório

Diante do caso Master — além de outros episódios recentes envolvendo crimes relacionados à desregulamentação do sistema financeiro, fortemente promovida durante a gestão de Campos Neto no Banco Central —, uma das bandeiras de luta do Sindicato tornou-se ainda mais urgente e relevante: a construção de um novo marco regulatório para o sistema financeiro nacional.

“Defendemos um novo marco regulatório do sistema financeiro nacional que fortaleça a fiscalização e a transparência, corrija as atuais assimetrias do setor e submeta fintechs e outras instituições financeiras não bancárias às mesmas normas fiscais, regulatórias e trabalhistas às quais estão submetidos os grandes bancos. Sem regulação forte, fiscalização rigorosa e proteção ao trabalho, seguiremos repetindo crises que penalizam sempre os mesmos: os trabalhadores e a sociedade”, conclui a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro.

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