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Brasil perde 37% das agências bancárias em 10 anos e vê exclusão financeira avançar

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Em Dia Nacional de Luta, trabalhadores protestam contra o fechamento de agências pelo Itaú (Foto: Seeb-SP)

Em Dia Nacional de Luta, trabalhadores protestam contra o fechamento de agências pelo Itaú (Foto: Seeb-SP)

O Brasil tem assistido a uma redução acelerada no número de agências bancárias, movimento que vem impactando diretamente o acesso da população a serviços financeiros. Reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, no último dia 22 de março, mostra que o total de unidades caiu 37% em dez anos, chegando a pouco mais de 14 mil em todo o país.

Segundo o levantamento, baseado em dados do Banco Central e do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 638 municípios ficaram sem qualquer agência bancária desde 2015, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas desassistidas. Atualmente, 2.649 cidades brasileiras, o equivalente a 48% do total, não contam com atendimento presencial. Em termos populacionais, isso afeta 19,7 milhões de brasileiros, ou 9% da população.

O processo se intensificou nos últimos anos, impulsionado pela busca por lucros cada vez maiores no setor financeiro. Ao todo, quase 6 mil agências tradicionais foram fechadas, enquanto os bancos passaram a investir em atendimento remoto e em unidades voltadas a públicos de maior renda.

A reportagem também aponta impactos urbanos desse processo. Com o encerramento das atividades, muitos imóveis antes ocupados por agências (geralmente grandes espaços comerciais) permanecem vazios por longos períodos, o que contribui para a degradação de áreas centrais e aumento do risco de vandalismo. Em algumas cidades, como São José do Rio Preto (SP), que perdeu 11 agências em 2025, o poder público já estuda medidas para estimular a reocupação desses espaços.

Outro ponto de destaque é a mudança no perfil do atendimento presencial. Em vez de ampliar o acesso, os bancos têm priorizado a abertura de unidades mais sofisticadas e especializadas, voltadas a clientes de alta renda e serviços mais lucrativos, como investimentos. Esse modelo restringe ainda mais o atendimento físico à parcela mais rica da população, reforçando desigualdades no acesso ao sistema financeiro.

Atendimento presencial segue importante

Apesar do crescimento dos canais digitais, a própria reportagem destaca que o atendimento presencial ainda é essencial. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas, 14% das contratações de investimento e 5% das transações bancárias ocorreram em canais físicos. Além disso, houve aumento na contratação de crédito (alta de 11%) e de seguros (crescimento de 6%) nas agências.

Na contramão do Brasil, a reportagem aponta que grandes bancos nos Estados Unidos seguem expandindo sua rede física, buscando ampliar a presença em comunidades de baixa e média renda. Em fevereiro deste ano, o JPMorgan Chase anunciou planos para abrir mais de 160 agências, em mais de 30 estados, além de reformar outras 600 unidades ainda em 2026.

Impactos sociais

Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato, em protesto contra demissão em massa no Itaú (Foto: Seeb-SP)

Para o movimento sindical, o fechamento de agências não é apenas uma mudança de modelo de atendimento, mas um processo que aprofunda desigualdades e precariza o trabalho no setor financeiro. É o que destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, em artigo recente sobre o tema. “Esse processo aprofunda a exclusão bancária, dificulta o acesso ao crédito e penaliza sobretudo idosos, pessoas de baixa renda e pequenos comerciantes, que dependem do atendimento presencial”, afirmou.

“O que se observa, portanto, é um modelo de negócios que prioriza a maximização dos lucros de curto prazo, à custa da precarização do trabalho, do fechamento de postos de emprego e do esvaziamento do atendimento bancário como serviço essencial. A pergunta que permanece é: até quando o setor financeiro seguirá acumulando ganhos bilionários enquanto desmonta sua responsabilidade social e aprofunda desigualdades?”

Neiva Ribeiro

A presidenta também reforça que a defesa do emprego bancário está diretamente ligada à garantia de atendimento digno à população. “Em um país marcado por profundas desigualdades, não é aceitável que um setor que acumula lucros bilionários continue promovendo demissões em massa, fechando agências e precarizando relações de trabalho sem qualquer contrapartida social.”

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