Pular para o conteúdo principal
Chapéu
Absurdo

No auge da pandemia, Caixa convoca 100% da TI para o presencial

Linha fina
Direção do banco está convocando empregados da CEPTI, Cedes e Ciaus, exceto grupo de risco, para o trabalho presencial; Sindicato enviou ofício questionando a medida e alertando para a responsabilização em caso de contaminação decorrente de erros de gestão. Participe do abaixo-assinado pela vida!
Imagem Destaque
Charge: Márcio Baraldi

A partir desta segunda-feira 5, no pior momento da pandemia de Coronavírus, com média diária de mortos por Covid-19 superando três mil óbitos, a direção da Caixa resolveu convocar todos os empregados de Tecnologia da Informação (TI) - CEPTI, Cedes e Ciaus -, exceto os incluídos no grupo de risco, para retorno ao trabalho presencial. 

Para piorar o que já é ruim, a direção do banco nem sequer comunicou os empregados por e-mail, o meio oficial de comunicação na Caixa. 

“São Paulo está em fase emergencial pelo menos até o dia 11. No ano passado - com a pandemia em patamar muito menor que o atual, mas com a operação do pagamento do auxílio emergencial a todo vapor, com orçamento de R$ 270 bilhões, maior que os R$ 44 bilhões que serão pagos a partir de amanhã 6, uma vez que o atual valor médio será de apenas R$ 250, contra os R$ 600 do ano passado, fruto da oposição e da luta dos trabalhadores - os empregados da TI foram mantidos em trabalho remoto”, destaca o diretor do Sindicato e empregado da Caixa Dionísio Reis. 

Além de cobrar a Vipes e a direção da Caixa em mesa permanente de negociação, o Sindicato enviou ofício ao banco questionando a medida e alertando para a possível responsabilidade civil e criminal da direção em caso de contaminações por Covid-19 decorrentes de erros desnecessários de gestão. 

“Não existe justificativa cabível para tamanha sandice. Não respeitam as condições das pessoas. Como que no auge da pandemia, com o perfil de pacientes graves mudando para pessoas cada vez mais jovens, muitas delas sem qualquer comorbidade, a direção do banco convoca todos os empregados de TI para retorno ao trabalho presencial, sendo que podem cumprir seu papel tranquilamente de forma remota? A reestruturação de Pedro Guimarães debilitou a TI da Caixa e, agora, acham que vão resolver expondo os trabalhadores ao risco. Desta forma, a direção do banco, totalmente alinhada ao negacionismo do governo Bolsonaro, de quem cumpre ordens, joga a favor do vírus”, indigna-se Dionísio, acrescentando ainda que a direção da Caixa alega que “somente” 48% dos empregados fora de grupo de risco foram convocados, o que não confere com a apuração do movimento sindical. 

O diretor do Sindicato questiona ainda se a medida arbitrária, sem qualquer transparência ou negociação, não seria uma forma de retaliação aos empregados diante da grande mobilização contra o desfalque dado pela direção do banco na PLR Social dos trabalhadores. “Não aceitaremos nem o calote na PLR Social e, muito menos, seremos intimidados pela direção do banco, que brinca com a vida dos empregados”, enfatiza. 

Caixa: “heróis de crachá” não merecem PLR?

O Sindicato iniciou, ainda, um abaixo-assinado para que empregados da Caixa e demais trabalhadores e clientes ajudem a pressionar a direção do banco público por medidas que ofereçam maior proteção aos empregados em meio a pandemia, colaborando assim também com a redução da circulação do vírus, ao invés de ações arbitrárias, como a convocação do pessoal de TI para retorno ao presencial, que os colocam ainda mais em risco e agravam o já tenebroso cenário da pandemia no país. CLIQUE AQUI para aderir ao abaixo-assinado 

Outro abaixo-assinado promovido pelo Sindicato no início do ano, contra a restruturação, já passa de 1.500 assinaturas. 

Feriado de Osasco 

A Cepti, além de convocar os empregados de TI ao retorno presencial, inicialmente desconsiderou o feriado antecipado de Osasco e anunciou que não iria pagar hora extra e nem dar folga de compensação. Após cobrança do Sindicato para que os direitos dos empregados fossem respeitados, a direção da área reconsiderou a decisão. Empregados que cumpriram jornada presencialmente receberão horas extras e os que trabalharam em home office terão uma folga como compensação. 

“Essa foi uma importante vitória da organização dos empregados, através da atuação do Sindicato, que garantiu que estes empregados tivessem seus direitos respeitados e não trabalhassem de graça para o banco”, conclui Dionísio.