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Bancários vivem momentos de pânico após agressão e ameaças em agência do Itaú

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Bancários vivem momentos de pânico após agressão e ameaças em agência do Itaú

Na última segunda-feira (31), trabalhadores de uma agência bancária na Zona Leste de São Paulo passaram por momentos de pânico quando um cliente, exaltado, proferiu ameaças, agressões verbais e ofensas racistas contra os funcionários.

O incidente ocorreu quando o cliente entrou na agência para contestar o resgate antecipado de um título de capitalização (PIC). Ao ser solicitado a fornecer mais informações para que os bancários pudessem localizar os dados no sistema, ele reagiu de forma agressiva, proferindo xingamentos e ameaças, como "vou tirar esse sorrisinho da sua boca" e "sou bandidão [sic] e gosto de roubar clientes como essa aqui", apontando para uma senhora idosa que estava sendo atendida.

Diante da escalada da violência, os trabalhadores acionaram o botão de pânico, mas a Polícia Militar levou mais de uma hora para chegar ao local. Quando os agentes finalmente chegaram, o agressor já havia fugido.

Ao ser informado da ocorrência, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região cobrou providências do Itaú na melhora da segurança. Em resposta, o banco deixará uma ronda à paisana atuando por 15 dias no local. O Sindicato considera a medida insuficiente e segue cobrando a implementação de agentes permanentes na agência.

Modelo inseguro

A agência onde as agressões ocorreram segue o modelo Espaço Itaú de Negócios e, por isso, não conta com porta giratória nem vigilantes. Segundo o banco, a ausência de segurança se justifica pela falta de movimentação de numerário no local. No entanto, o argumento soa contraditório, já que os caixas eletrônicos estão instalados dentro do mesmo espaço físico da agência, sem qualquer divisória que os separe do ambiente de atendimento, tornando a distinção entre as áreas inexistente.

"O ocorrido expõe a fragilidade do modelo das agências de negócio, que coloca os trabalhadores em risco diariamente. Hoje foi uma agressão verbal, mas o banco parece estar esperando uma tragédia para se preocupar com a segurança de seus funcionários", denuncia Rodrigo Pires, dirigente sindical e bancário do Itaú.

Combate à intolerância

Além das ameaças, o cliente também proferiu ofensas racistas contra uma funcionária da agência. Embora a trabalhadora tenha optado por não registrar a denúncia por crime de racismo, o Sindicato reforça seu compromisso no combate à discriminação e coloca à disposição o "Projeto Basta!", uma iniciativa que oferece apoio jurídico e psicológico a bancários vítimas de racismo no ambiente de trabalho. Caso esteja passando por alguma situação relacionada a violência doméstica, racismo ou LGBTfobia, clique aqui.

Os trabalhadores registraram um Boletim de Ocorrência e foram orientados sobre os procedimentos para abertura da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). O caso reacende o debate sobre a falta de segurança nas unidades do modelo Espaço Itaú de Negócios e levanta questionamentos sobre a responsabilidade do banco em garantir um ambiente seguro para seus funcionários e clientes. Enquanto medidas concretas não são adotadas, bancários seguem expostos a situações de risco que poderiam ser evitadas.

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