Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
A decisão foi tomada por unanimidade pelo presidente, Gabriel Galípolo, e mais cinco diretores, com três desfalques, em reunião realizada nesta quarta-feira 29.
Mesmo esta sendo a segunda redução consecutiva, a população brasileira segue convivendo com um dos juros mais elevados do mundo. Isto porque os juros reais são muito mais altos do que a Selic.
Segundo o Banco Central, a taxa média de juros para a concessão de crédito pelos bancos foi de 33,1% ao ano em março de 2026, a maior desde o início da série histórica, em março de 2011.
Mas a taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito rotativo chegou a 428,6% ao ano, justamente uma das modalidades de crédito mais utilizadas pelos brasileiros.
Bancos lucram bilhões com juros altos
Para justificar o patamar muito mais elevado de juros do que a Selic, os bancos alegam que têm um custo para emprestar dinheiro, como mão de obra, estrutura, impostos, inadimplência, dentre outros.
Mas quem de fato ajuda a explicar as taxas de juros tão elevadas é o lucro das instituições financeiras. Em 2025, os cinco maiores bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander), juntos, tiveram lucro de R$ 123,8 bilhões.
Soma-se a isto o spread bancário, a diferença entre o custo de captação dos bancos e o que ele cobra para emprestar, que é muito mais alta no Brasil em relação a outros países.
“Enquanto isso, a população brasileira sofre com o endividamento causado, dentre outros fatores, pelas taxas abusivas de juros. Mais de 81 milhões de CPFs estão negativados, segundo o Serasa. O Banco Central precisa reduzir a Selic com mais intensidade. E os bancos têm o dever de discutir a redução do spread bancário. Não é justo que os bancos lucrem dezenas de bilhões com os juros nas alturas enquanto milhões de famílias sofrem todos os meses para pagar as contas”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.