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Chapéu
Terceira vez

Campos Neto volta a faltar na CPI do Crime Organizado

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Imagem mostra Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, ele está de cabeça baixa e com os dedos da mão no rosto

O ex-presidente do Banco Roberto Campos Neto - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto faltou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado nesta quarta-feira 8. Já é a terceira ausência de Campos Neto na comissão criada para apurar a atuação, expansão e o funcionamento de facções criminosas no Brasil.

Foi durante a gestão de Campos Neto no Banco Central que cresceu exponencialmente o número de fintechs, que possuiam regulação mais branda do que a determinada aos bancos tradicionais. A CPI do Crime Organizado apura o uso dessas instituições financeiras por criminosos para movimentar quantias bilionárias.

Operação Carbono Oculto revela esquemas bilionários

A Operação Carbono Oculto, deflagrada pela pela Receita Federal e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, apontou que facções criminosas, como o PCC, utilizaram fintechs para lavar dinheiro de atividades ilícitas, incluindo tráficos de drogas e fraudes.

Segundo as apurações, uma fintech movimentou R$ 46 bilhões. Outra quadrilha utilizou uma rede de cerca de 40 empresas, incluindo fintechs para movimentar mais de R$ 39 bilhões, com algumas projeções superando R$ 45 bilhões.

Banco Master e Will Bank: demissões na categoria

A transferência de controle do então Banco Máxima para Daniel Vorcaro — que posteriormente deu origem ao Banco Master — foi autorizada pelo Banco Central em outubro de 2019, já durante a gestão de Roberto Campos Neto.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em 27 de janeiro, Campos Neto teria sido informado com antecedência sobre fragilidades relevantes na estrutura de ativos e na liquidez do Banco Master.

Apesar dos alertas, nenhuma medida imediata de intervenção foi adotada naquele momento, o que permitiu que a situação da instituição se deteriorasse ao longo do tempo.

Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está preso acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras bilionárias, lavagem de dinheiro e corrupção. A prisão preventiva foi motivada por ameaças, monitoramento ilegal de autoridades e jornalistas, e obstrução de justiça.

“Roberto Campos Neto precisa esclarecer os motivos que levaram à decisão de afrouxar as regras para as fintechs, cujas consequências estão recaindo sobre a categoria bancária, que encara demissões decorrentes da liquidação do Banco Master, do Will Bank e de fintechs usadas pelo crime organizado, além da insegurança sobre o pagamento de seus direitos”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.

Sindicato defende regulação rigorosa do SNF

A fim de assegurar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SNF), o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região defende a regulação do sistema financeiro, integrada pelo Banco Central, CVM, Previc, Receita Federal e Ministério do Trabalho.

Essa regulação abrangeria aspectos financeiros, tributários, jurídicos e trabalhistas, garantindo estabilidade ao sistema e proteção à categoria bancária.

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