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Endividamento das famílias explodiu entre 2019 e 2022; causas são variadas, aponta Dieese

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Imagem mostra explosão levando ao ar casa, carro, contas, escola. a explosão é atrás de um homem e uma mulher abraçando uma criança cada um. os quatro estão com cabeça baixa e levam as mãos às suas respectivas testas, em sinal de preocupação

O endividamento das famílias brasileiras disparou entre 2019 e 2022, em um contexto de inflação alta, estagnação da renda e pandemia. Naquele período, o percentual de famílias endividadas saltou de 58,9% em dezembro de 2018 para 78% em dezembro 2022. Um aumento de 19,1 pontos percentuais.

O cenário não melhorou durante o terceiro governo de Lula, com o percentual alcançando 80,4% em 2026. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (Peic-CNC), divulgada em abril.  

A dimensão do aumento das dívidas familiares tem várias causas, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese):

  • Salário mínimo: piso ficou sem ganho real nos governos Temer e Bolsonaro;​
  • Negociações salariais: baixo percentual com ganho real nos governos Temer e Bolsonaro;​
  • Inflação elevada: especialmente dos alimentos, em 2021 e 2022;​
  • Desregulação do Sistema Financeiro: expansão descontrolada do crédito via fintechs;
  • Digitalização dos hábitos de consumo e dos meios de pagamento, faciltando a contração de dívidas;
  • Legalização das Bets em 2018 e sua expansão desde então;
  • Operação Lava Jato: causou impactos no PIB, nos investimentos, na renda e no emprego;
  • Teto de Gastos de 2016: impôs restrição orçamentária aos serviços públicos como saúde e educação, empurrando a população para o mercado privado.

Juros abusivos contribuem para o endivadamento

Outro ponto que contribui para o aumento do endividamento é o encarecimento dos juros. A Selic, a taxa báscia de juros da economia brasileira, está em patamar sete vezes maior do que no início de 2021, tendo passado de 2% em janeiro daquele ano para 15% ao ano em janeiro de 2026 (atualmente, está em 14,5%).

Com isso, as taxas de juros bancárias aumentaram também, e uma das modalidades mais utilizadas pelos brasileiros, os juros do rotativo do cartão de crédito, por exemplo, tiveram aumento de 335,6% ao ano em 2021, para 428% ao ano em 2026.

“Por cobrarem juros impraticávceis, os bancos têm sua parcela de culpa no endividamento das famílias, que é um problema histórico e com muitas origens. Mas quem se informa pelo noticiário econômico da mídia hegemômica acaba ouvindo uma explicação simplista dos analistas do mercado, que frequentemente apontam os investimentos do governo em políticas públicas como o único responsável pelo aumento dos juros. Este fenômeno precisa ser debatido com mais responsabilidade e profundidade, e suas causas precisam ser identificadas e enfrentadas com seriedade e sem demagogia”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

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