O lucro líquido recorrente do Bradesco (que exclui os itens extraordinários do período) atingiu R$ 6,811 bilhões no primeiro trimestre do ano de 2026. O resultado representa alta de 16,1% em relação ao mesmo período de 2025 e crescimento de 4,5% no trimestre.
O retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) do banco ficou em 15,8%, com acréscimo de 1,4 ponto percentual em doze meses.
Resultado direto do esforço dos trabalhadores
De acordo com o relatório do banco, este é o nono trimestre consecutivo de aumento no lucro. O desempenho das receitas em todas as linhas é a principal razão pelo resultado e a melhoria da rentabilidade com evolução da margem financeira com clientes (+16,3%), mercados (+19,7%) e seguros (+20,4%).
“Esses números mostram que os trabalhadores bancários são os responsáveis diretos pela alta do lucro apresentado pelo banco. Mas ao invés de valorização, recebem em troca sobrecarga de trabalho, adoecimentos pelas metas abusivas, insegurança e medo da demissão”, afirma Marcio Rodrigues, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Mais demissões e fechamento de agências
A holding Bradesco encerrou o 1º trimestre de 2026 com 80.348 funcionários (sendo 68.822 bancários), com fechamento de 3.017 postos de trabalho em doze meses (entre os bancários, foram fechados 3.131 postos de trabalho no período).
No trimestre, foram fechados 1.747 postos (sendo 1.728 de bancários). A base de clientes cresceu em 500 mil em doze meses, mas reduziu-se em 200 mil no trimestre, totalizando 110,3 milhões de clientes.
Foram fechadas 346 agências, 1.053 postos de atendimento (PA e PAE) e 15 unidades de negócios em doze meses, encerrando o período com 1.938 agências, 1.723 postos de atendimento e 706 unidades de negócios.
“O Bradesco insiste na lógica de demissões e fechamento de agências, o que está gerando sobrecarga e adoecimentos nos colegas que permanecem empregados. Já a população sofre as consequências de encontrar cada vez menos agências nas ruas. As que sobram estão sempre lotadas, cada vez mais longe ou são exclusivas para a alta renda. A única alternativa é o uso do aplicativo, que não resolve todos os problemas”, pontua Márcio.
Bradesco tem totais condições de contratar
As receitas com prestação de serviços e rendas das tarifas bancárias cresceram 8% em doze meses, totalizando R$ 7,9 bilhões. Já as despesas de pessoal, considerando-se o pagamento da PLR, aumentaram 4,1% no período, chegando a quase R$ 6,6 bilhões. Assim, em 2025, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 119,1%.
“Este dado reforça que, ao invés de demitir, o Bradesco tem todas as condições de contratar para reduzir a sobrecarga de trabalho e prestar melhor atendimento ao cliente. A abertura de agências para atender bem as pessoas também deveria estar entre as prioridades de uma empresa que lucra bilhões da sociedade e atua como concessão pública”, finaliza Marcio.