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Luiz Gushiken deixou legado de luta contra a ditadura e pelas liberdades democráticas

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Imagem mostra Luiz Gushike, ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. ele é um homem oriental e, na foto, está na casa dos 30 anos. Veste camisa e gravata e fala ao microfone, com a mão esquerda levantada

Os militares estavam saindo do poder em 1985, mas deixavam como legado os efeitos da política econômica marcada pelo arrocho salarial, inflação alta, além da repressão à organização dos trabalhadores.

Neste contexto, o Sindicato dos Bancários de São Paulo voltava para o comando dos trabalhadores após intervenção do governo militar iniciada em 1983, em reação à organização da primeira greve geral desde 1964.

Naquele mesmo ano de 1985, Luiz Gushiken, que completaria 76 anos nesta sexta-feira 8 de maio, fora eleito pelos bancários para presidir o Sindicato em meio à redemocratização do país.

A situação econômica era tão grave naquele tempo, que o Sindicato chegou a incluir em sua pauta de reivindicações o reajuste trimestral dos salários; mais que isso, investiu fortemente na organização nacional dos bancários.

“Naquele período, o ânimo das massas no Brasil estava tão eletrizado e infundia tão grande confiança nas lideranças que os mecanismos de repressão não atemorizavam os dirigentes. Aliás, foi esse grandioso movimento de massas o que verdadeiramente solapou os alicerces da ditadura militar, fermentando as condições para a histórica campanha pelas Diretas-já e a derrocada do regime militar no Brasil” , contou Luiz Gushiken em entrevista publicada em 2003 na Revista dos Bancários.

Greve histórica de 1985

Como presidente do Sindicato, comandou, em 1985, uma das maiores greves da categoria de todos os tempos, defendendo salários dignos e melhores condições de trabalho.

Foi nesta campanha que a categoria bancária conquistou importantes benefícios, como o vale-refeição e o auxílio-creche/babá.

No ano seguinte, foi eleito deputado constituinte pelo PT de São Paulo, sendo reeleito para os dois mandatos seguintes. No primeiro governo Lula (2003-2006) foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação e chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República.

Trajetória incansável de luta

Carinhosamente chamado pelos companheiro de China, Gushiken era tido como o articulador, paciente, alegre e fissurado por trabalho. 

Nascido na cidade de Oswaldo Cruz, interior de São Paulo, em 1950, Luiz Gushiken iniciou sua trajetória no movimento sindical em meados dos anos 1970, na capital paulista, na trotskista Libelu (Liberdade e Luta), com colegas da Fundação Getúlio Vargas, na qual cursava administração de empresa, e estudantes de outros cursos e universidades. 

Também nessa época exercia a primeira experiência na liderança de trabalhadores, eleito cipeiro de uma agência do antigo Banespa. 

Gushiken integrou grupo de bancários de várias tendências que passaram a compor a oposição à então diretoria do Sindicato, a partir da greve de 1978, vencendo, no ano seguinte, a eleição na chamada Retomada. 

Na gestão de Augusto Campos, Gushiken auxiliou na organização das oposições bancárias do interior e de outros estados, ampliando a unidade da categoria em todo o país. 

Até hoje é lembrado pelo papel importante na formação sindical de vários trabalhadores, pela aproximação com outros sindicatos e na formação da CUT (Central Única dos Trabalhadores), em 1983.

Gushiken faleceu em setembro de 2013, após uma batalha de cerca de doze anos contra o câncer. Mas seu legado de luta pelas liberdades democráticas, e pela organização dos trabalhadores  bancários permanece.

Luiz Gushiken, presente!

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