Relatos de trabalhadores da Crefisa recebidos pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, somados a depoimentos públicos em redes sociais, levantam preocupações sobre as condições de trabalho na financeira, especialmente na sede da empresa, na Rua Canadá nº 390, em São Paulo.
As denúncias envolvem empregados das áreas administrativas, tecnologia (TI), contabilidade e administração comercial.
Demissões recorrentes
Os principais pontos relatados incluem demissões frequentes, atingindo inclusive funcionários com mais tempo de casa.
Segundo um trabalhador, “a preocupação ali é o nosso emprego. Essa situação é horrível. Esse medo toma conta de todos”.
“Os funcionários são ótimos profissionais […] a demissão é difícil. Essa instabilidade e incerteza é uma angústia”, relata outro trabalhador, sob sigilo.
Há também relatos de forte impacto emocional, com trabalhadores que se expuseram em situações sensíveis e, posteriormente, foram desligados, gerando sensação de insegurança.
Falta de planejamento
Nas áreas de TI e administrativas, surgem críticas à falta de planejamento, ausência de plano de carreira, demissões sem justificativa e pressão por prazos.
Um gerente de uma das áreas da Rua Canadá disse: “Não possuo plano de carreira […] muitos funcionários são demitidos sem justificativa […] alguns com depressão.”
Em outro relato, a funcionária desabafa: “Pedi demissão após 33 dias, esgotada emocionalmente.”
Falhas no pagamento de VT
Também foram relatados problemas operacionais recorrentes, como falhas no pagamento de vale-transporte entre muitos funcionários da Adobe e em outras áreas da Crefisa.
Problemas no convênio médico
Em relação ao convênio médico que foi trocado recentemente, há queixas de aumento do custo do plano de saúde, coparticipação elevada que consome grande parte do salário, sobretudo dos mais baixos salários, e vira um drama para o funcionário, e também há relatos de piora na cobertura em comparação a convênios anteriores.
“Esse contexto sugere a necessidade de melhorias na gestão, com adoção de diálogo mais transparente, revisão de práticas internas e busca por soluções que reduzam conflitos e promovam condições adequadas de trabalho”, enfatiza Marcelo Gonçalves, diretor do Sindicato.
Caminho é diálogo e negociação
Para o Sindicato, o caminho é claro: estabelecer diálogo ético e transparente, por meio de uma negociação, mas que produza resultados concretos. Com avanços. Ou seja, que consiga corrigir possíveis falhas. E buscar o respeito e a valorização dos trabalhadores. Isso a empresa também ganha: com a redução de conflitos e ações judiciais.
“Apontar problemas e reivindicações é direito dos profissionais da Crefisa e faz parte da dinâmica de qualquer organização. Ouvir, negociar e resolver demonstra profissionalismo, maturidade e responsabilidade por parte da direção da empresa. O Sindicato insiste e reivindica em uma gestão que dialoga. Pois, com isto, melhora o ambiente de trabalho; reduz o passivo trabalhista, também o conflito sindical e, consequentemente, fortalece a própria empresa”, conclui Marcelo.
Folga anual é direito, e empregados da Crefisa devem exigir
O abono assiduidade (folga assiduidade) é um dia de descanso remunerado, garantido por meio de Campanha Nacional, ao empregado que não teve faltas injustificadas no período de 1º de outubro a 31 de setembro do ano seguinte, com mínimo de um ano de vínculo. A folga deve ser agendada com o RH até 31 de setembro.
“É fundamental que a gestão da empresa respeite o abono assiduidade, e que os empregados da Crefisa façam valer este direito que está garantido na Convenção Coletiva de Trabalho ratificada pela própria empresa”, destaca Marcelo. Qualquer dúvida ou dificuldade, os trabalhadores devem procurar imediatamente o Sindicato.
Data-base mudou
A Campanha Nacional de 2024 dos financiários definiu uma alteração importante: a partir daquele ano, a data-base da categoria passou a ser em 1º de outubro, e não mais em 1º de junho.
Dessa forma, em 1º de outubro de 2025, os salários praticados em 30 de setembro de 2025 foram reajustados novamente, com base no INPC/IBGE acumulado de junho a setembro de 2025, acrescido de 0,3% de aumento real, conforme previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2024-2025.
Em 2026 haverá nova Campanha Nacional, ocasião em que representantes dos trabalhadores e das financeiras se reunirão para negociar novo reajuste salarial e demais verbas, além da renovação da convenção coletiva de trabalho da categoria.
“É muito importante que todos se tornem sócios e sócias do Sindicato, além de se informarem pelos canais oficiais do Sindicato. Também se mantenham mobilizados e organizados, pois o Sindicato é dos trabalhadores da Crefisa, e a participação de todos é legitima e necessária para pressionar os bancos e as financeiras por um reajuste digno e condizente com o esforço de todos os funcionários, e também por mais direitos”, afirma Marcelo.