Depoimentos

“Temo pelo futuro, por isso apoio a luta”, diz bancária

Trabalhadores mobilizados na greve criticam reforma da Previdência do governo, alertam para o fato de que todos terão de trabalhar mais, e denunciam desmonte dos bancos públicos

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 14/06/2019 12:12 / Atualizado em 14/06/2019 14:39

Bancários cruzam os braços no Bradesco Prime, concentração do banco na Avenida Paulista

Foto: Seeb-SP

"Não concordo com o texto da reforma da Previdência. Quem está sendo prejudicado é o trabalhador que acorda cedo, que trabalha a vida inteira. É preciso uma reforma que não prejudique os mais pobres, que faça justiça social. Por isso, apoio esta mobilização e este dia de greve", disse um bancário do Bradesco Prime, uma das concentrações fechadas pelos trabalhadores e pelo Sindicato nesta sexta-feira 14, dia de greve geral em todo o país.

Outro bancário do Bradesco Prime demonstrou sua indignação com a situação do país. “A inflação que corrói o poder de compra do trabalhador e, ao mesmo tempo, bancos lucram cada vez mais e os bancários ganham cada vez menos. Isso não é justo. Antes de pensar em [reforma da] Previdência é preciso corrigir várias injustiças", disse.

Um bancário da Caixa, que estava ajudando a organizar a greve no prédio da Sé, disse que apesar de contar com a previdência complementar, a Funcef, a paralisação era importante uma vez que a reforma dificulta aos trabalhadores se aposentarem com 100% do benefício – pela proposta do governo Bolsonaro, será preciso 40 anos de contribuição para ter direito ao benefício integral, o que é quase impossível em um mercado pós-reforma trabalhista: “Vamos ter de trabalhar muito mais tempo em um ambiente desgastante de cumprimento de metas”.

Ele destacou os impactos no sistema de seguridade social caso a Proposta de Emeda à Constituição (PEC) 6/2019 seja aprovada: “Nós, como bancários, somos trabalhadores e temos de estar do lado da classe trabalhadora.”

E disse ainda que a greve também é em defesa dos bancos públicos, que estão sendo desmontados pelo atual governo. “No último período tem sido bastante difícil, com a readequação da força de trabalho. Do dia para noite, os técnicos foram transferidos para agências, sem opção. Isso tem gerado um clima de ansiedade. Esse é o ataque mais imediato, mas tem todo um processo de sucateamento. Aqui, na Caixa Cultural, está há quase seis meses sem programação nova. Vemos notícias da venda de partes da Caixa. Isso cria um medo na categoria de uma eventual privatização do banco”, contou.

Outro trabalhador, do Bradesco, ressaltou que a proposta do governo o fará trabalhar por mais tempo, mesmo tendo começado bem cedo. "Eu trabalho em banco desde os meus 15 anos, e acabei de completar 32 anos de banco. Aí, da noite para o dia, querem aprovar uma reforma dessas pra me fazer trabalhar mais 15, 20 anos até chegar na idade mínima? É por isso que sou a favor de qualquer mobilização que vise garantir nossos direitos. E outra: com 47 anos, onde vou conseguir outro emprego se eu sair do banco?”, questiona.

Segundo um bancário do Banco do Brasil, não há nenhuma medida boa na proposta de reforma da Previdência do governo, e os privilégios serão mantidos. “O pensionista vai receber 50% do benefício enquanto a filha de militar que não casa vai continuar recebendo 100%. Falta um ano e meio para eu me aposentar e não vou conseguir. Tenho deficiência física e 33 anos e meio de contribuição. E com a reforma vou ter que trabalhar mais 9 anos. Meu recado para os trabalhadores é sempre lutar, porque se deixarmos, esse governo vai acabar com o emprego de todo mundo. Vai vender todo nosso patrimônio e deixar os brasileiros com as migalhas”, alertou.

Ele também destacou o desmonte do BB: “Aqui está tendo um monte de PDV. O número de funcionário terceirizado é cada vez maior. Sempre que tem PDV não contratam ninguém para repor e o volume de trabalho só aumenta.”

Uma bancária do Itaú se disse preocupada com o futuro: “Vejo a dificuldade que foi para meus pais se aposentarem com apenas um salário mínimo. Fico pensando como será quando for a minha vez, e se eu me aposentar. Temo pelo futuro e vejo que muitas pessoas, colegas até, não estão nem aí. Acham que é terrorismo. Vou continuar apoiando a luta contra esse retrocesso".



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