O Dia Nacional de Luta pela Saúde, realizado nesta segunda-feira 20, é mais uma demonstração da disposição da categoria bancária nesta Campanha Nacional Unificada 2026.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, foram realizados atos em centros administrativos do Banco do Brasil (Passeio Paulista), Bradesco (Cidade de Deus), Caixa Federal (Edifício Sede), Itaú (Ceic) e Santander (Radar).
Nesta terça-feira 21 ocorrerá a quarta mesa de negociação com a Fenaban visando a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho da categotia, além de aumento salarial, na PLR e demais verbas. Essa rodada será sobre saúde e condições de trabalho.
O assunto é extremamente caro para a categoria, que vive uma epidemia de doenças mentais causadas pela sobrecarga de trabalho resultante do fechamento de postos de trabalho; e pelo assédio moral derivado da cobrança de metas por resultados inatingíveis.
E os dados da Consulta Nacional, respondida por mais de 54 mil bancários, atesta a urgência dessa discussão. Perguntados sobre quais impactos a cobrança excessiva pelo cumprimento de metas causam à sua saúde, 67% disseram ter preocupação constante com o trabalho; 59% apontaram cansaço e fadiga constante; e 47% relataram desmotivação e vontade de não ir trabalhar.
Porcentagem dos bancários que sofrem algum impacto da cobrança de metas:
- Crises de ansiedade e do pânico: 42%;
- Dificuldade de dormir, mesmo aos finais de semana: 39%;
- Medo de ‘estourar’, perder a cabeça: 24%;
- Crises constantes de dor de cabeça: 21%;
- Dor ou formigamento nos ombros, braços ou mãos: 21%;
- Vontade de chorar sem motivo aparente: 20%;
- Omissão de dor ou doença para não ser prejudicado: 17%;
- Episódios de pressão alta: 15%;
Apenas 7% relataram que a pressão por metas não causa impactos.
60% usam medicamentos controlados
A consulta revela ainda que 59,5% dos bancários usaram no último ano medicamentos controlados como antidepressivos, ansiolíticos e estimulantes; e 72% acreditam que o ambiente de trabalho nos bancos traz impactos negativos para a saúde mental.
“Esses dados mostram a dimensão do problema, e também indicam a grande expectativa para que este tema avance na mesa de negociação e se concretize em cláusulas que protejam a saúde dos trabalhadores”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Luta resultou em conquistas permanentes
Neiva Ribeiro ressalta que a luta e a organização da categoria bancária resultaram em muitas conquistas, como mecanismo de combate ao assédio moral; proibição da divulgação de rankings individuais de produtividade e de cobrança de metas via mensagens de celular; complementação de Auxílio-Doença; extensão do plano de saúde a demitidos sem justa causa; e mecanismos de prevenção de conflitos no ambiente de trabalho, para citar alguns.
“Os trabalhadores sabem que só a luta é capaz de garantir direitos. Por isso estão mobilizados e demonstrando muita vontade de participar efetivamente desta Campanha Nacional. Nós queremos construir um pacto pela saúde dos bancários. Os lucros bilionários dos bancos não podem ser construídos sobre o adoecimento dos trabalhadores. Nossa luta é para acabar com esse cenário que causa muito sofrimento nos bancários e prejuízos para toda a sociedade”, finaliza Neiva Ribeiro.