Celebrado em 27 de julho, o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho chama a atenção para a importância da promoção da saúde e da segurança nos ambientes laborais. Embora não tenha sido instituída por lei federal, a data é reconhecida há décadas por órgãos públicos, entidades de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), sindicatos e instituições de pesquisa como um marco da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais no Brasil.
A origem da data remonta a 27 de julho de 1972, quando o então Ministério do Trabalho publicou as Portarias nº 3.236 e nº 3.237. As normas instituíram o Programa Nacional de Valorização do Trabalhador, determinaram a implantação dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) nas empresas enquadradas na legislação, estimularam a formação de profissionais da área e inauguraram uma nova etapa das políticas públicas voltadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Anos depois, em 1978, a Portaria nº 3.214 consolidou esse processo ao aprovar as primeiras Normas Regulamentadoras (NRs).
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a data também é um momento de denunciar a realidade vivida pela categoria. Dados do DIEESE mostram que os transtornos mentais são hoje a principal causa de afastamentos de bancárias e bancários pelo INSS. Em 2024, eles responderam por 52,9% dos afastamentos no Brasil, 51,8% no estado de São Paulo e 56,1% no município de São Paulo. As doenças osteomusculares, como LER/DORT, aparecem na sequência, representando 17,3% dos afastamentos no país, 18% no estado e 15,8% na capital paulista.
A realidade também é percebida diariamente pelo Sindicato. Os atendimentos realizados pela Secretaria de Saúde e Condições de Trabalho cresceram de forma expressiva nos últimos anos: passaram de 757, em 2019, para 913, em 2021, 1.175, em 2023, 2.361, em 2024, e atingiram 2.914 em 2025. Apenas até 15 de julho de 2026, já haviam sido registrados 2.101 atendimentos, número que evidencia a continuidade do avanço do adoecimento entre bancárias e bancários.
Outro indicador preocupante é o aumento das denúncias de assédio moral recebidas pelo Sindicato. O canal da entidade registrou 153 denúncias em 2021, número que saltou para 452 em 2023, 518 em 2024 e 592 em 2025. Somente até junho de 2026, já foram contabilizadas 380 denúncias.
A secretária de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicato, Valeska Pincovai, destaca que a prevenção de acidentes de trabalho vai muito além da proteção contra riscos físicos e deve incluir o enfrentamento dos fatores que comprometem a saúde mental da categoria.
"Quando falamos em prevenção de acidentes de trabalho, também estamos falando de prevenir o adoecimento causado por metas abusivas, assédio moral, sobrecarga de trabalho e pressão permanente. Os dados mostram que os transtornos mentais já são a principal causa de afastamentos entre bancárias e bancários, e isso exige uma mudança na organização do trabalho. É fundamental que os bancos assumam sua responsabilidade na construção de ambientes saudáveis e respeitosos, preservando a saúde e a vida dos trabalhadores", afirma Valeska.
O Sindicato reforça que seguirá atuando na defesa de melhores condições de trabalho, do combate ao assédio moral, da prevenção de doenças ocupacionais e da valorização da saúde física e mental da categoria, especialmente neste momento de Campanha Nacional dos Bancários. O tema da saúde tem sido destaque nas mesas negociais com os bancos e seguirá na pauta do Sindicato permanentemente.