O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região entregou ao Itaú nesta quarta-feira, dia 1º de julho, a pauta específica de reivindicações dos trabalhadores. Durante a reunião com o banco, realizada no CEIC, a representação sindical ressaltou que a instituição financeira atravessa um amplo processo de reestruturação, com impactos diretos sobre o emprego e as condições de trabalho, e cobrou que o banco valorize o processo de negociação para enfrentar esses desafios.
A pauta contempla reivindicações relacionadas à preservação do emprego, como o fim do fechamento de agências e a valorização dos trabalhadores nos processos de realocação, garantindo que as reestruturações não resultem em demissões. Também cobra mais transparência sobre as mudanças nos modelos de atendimento Uniclass e Phygital e a manutenção do debate sobre os programas de remuneração variável.
Na área de saúde e condições de trabalho, o Sindicato reivindica o acolhimento adequado aos trabalhadores adoecidos, o fim das convocações para exames médicos que desconsideram os pareceres dos médicos assistentes, a manutenção dos benefícios durante os afastamentos por motivo de saúde e a participação dos representantes dos trabalhadores na implementação da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). O combate ao assédio moral e o reforço da segurança nas agências também estão entre as prioridades.
Outro eixo importante da pauta trata dos impactos das novas tecnologias. O movimento sindical reivindica transparência na utilização de ferramentas de monitoramento baseadas em inteligência artificial e a abertura de um debate sobre a implementação da IA nos processos de trabalho, de forma a proteger os direitos dos empregados.

Banco apresenta projeto voltado aos aposentados
Durante a reunião, o Itaú apresentou um projeto piloto de atendimento especializado para aposentados, que será implantado inicialmente nos estados de São Paulo e Paraná. Segundo o banco, as unidades especializadas passarão por adequações de layout, mas os empregados permanecerão nos mesmos cargos. As metas serão ajustadas de acordo com os produtos oferecidos ao novo segmento, e os trabalhadores receberão treinamento específico para atuar nesse modelo de atendimento.
O Itaú informou ainda que avalia a abertura de novas agências, a contratação de empregados e a manutenção de caixas, decisões que dependerão de estudos ainda em andamento. A instituição assumiu o compromisso de apresentar todas as mudanças à Comissão de Organização dos Empregados (COE), incluindo informações sobre tempo de espera nas agências e os impactos da reestruturação nas demais unidades.
Home office gera divergência
Outro tema debatido foi o novo modelo híbrido que o banco pretende implementar entre 2027 e 2028. O Itaú afirmou que a mudança foi motivada pela avaliação de que o trabalho remoto gera impactos na integração das equipes e no processo de aprendizagem dos trabalhadores. Segundo o banco, cerca de 2 mil empregados que atualmente atuam em regime de home office integral permanecerão nessa modalidade.
O movimento sindical se posicionou contra a alteração e defendeu a manutenção do modelo atual. Entre os argumentos apresentados estão a preservação da qualidade de vida dos empregados, especialmente diante dos longos deslocamentos nos grandes centros urbanos, e a inexistência de queda na produtividade.

De acordo com Valeska Pincovai, dirigente sindical e bancária do Itaú, o Sindicato reivindicou que o banco garanta uma estrutura adequada para os trabalhadores que retornarão com maior frequência ao trabalho presencial e mantenha o pagamento da ajuda de custo prevista no Acordo Coletivo de Trabalho.
"Deixamos bem clara a insatisfação dos trabalhadores sobre as mudanças no home office e solicitamos que o banco realizasse uma pesquisa para ouvir os empregados, mas eles se recusaram. Vamos realizar nossa própria consulta e levar os resultados para a mesa de negociação", afirmou Valeska.
Seguimos juntos
Com o início do processo negocial, a dirigente sindical Valeska Pincovai deixa o convite para que a categoria participe ativamente: "Esperamos que, com a pauta dos trabalhadores em mãos, o banco leve em consideração todas as necessidades apresentadas e negocie seriamente com os representantes dos trabalhadores. Convidamos todos os bancários a vir conosco para esta luta, construindo uma mobilização forte para conquistar e manter direitos. Acompanhe as próximas reuniões e atividades nas redes sociais do Sindicato."