A decisão do governo dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros provocou preocupação entre representantes do setor produtivo, autoridades e entidades da sociedade civil, dentre eles o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que alertam para os impactos econômicos e sociais da medida, e para a necessidade de reforçar a defesa da soberania nacional.
As novas barreiras comerciais tendem a reduzir a competitividade de parte das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, com reflexos sobre segmentos da indústria, do agronegócio e, consequentemente, na geração de emprego e renda.
Além dos efeitos econômicos, a medida reacendeu o debate sobre a autonomia do Brasil na definição de sua política econômica e na condução das suas instituições.
Soberania nacional é pauta dos bancários
No movimento sindical bancário, o tema já havia sido objeto de discussão durante a 28ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada em junho deste ano.
Delegados e delegadas defenderam o fortalecimento do sistema financeiro nacional, instituições públicas da República Federativa do Brasil e da capacidade do país de formular políticas econômicas sem interferências externas.
A conferência também reafirmou a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico, a inclusão financeira e a redução das desigualdades regionais.
Para a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, embora a prioridade da categoria neste momento seja a Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026, a medida adotada pelo governo norte-americano desperta preocupação.
“Os bancários e as bancárias estão mobilizados pela Campanha Nacional Unificada 2026, em defesa dos direitos da categoria e de um sistema financeiro que atenda aos interesses da sociedade brasileira e valorize os seus trabalhadores. Mas não podemos deixar de manifestar preocupação e repúdio diante de uma decisão unilateral, sem fundamentação técnica consistente, e que pode prejudicar trabalhadores, empresas e a economia nacional. O Brasil deve ser respeitado em sua soberania e em suas instituições”, afirma Neiva, também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
A dirigente destaca que medidas dessa natureza extrapolam o campo comercial e podem afetar investimentos, emprego, renda e a estabilidade econômica, atingindo diretamente trabalhadores de diversos setores.
O posicionamento está em sintonia com as discussões internacionais com participação do movimento sindical bancário brasileiro. Tanto Neiva Ribeiro quanto a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, têm participado de fóruns e encontros internacionais em defesa da democracia, do trabalho decente, da regulação do sistema financeiro e do fortalecimento das instituições públicas.
Nos espaços de articulação internacional, as dirigentes têm defendido que o desenvolvimento econômico deve estar associado ao respeito à soberania dos países, aos direitos dos trabalhadores e à cooperação entre as nações, rejeitando medidas unilaterais que possam comprometer economias nacionais ou ampliar desigualdades.
Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a defesa do sistema financeiro nacional vai além da preservação das instituições bancárias. Envolve garantir que bancos públicos e privados atuem em favor do desenvolvimento econômico, do crédito produtivo, da inclusão financeira e da geração de empregos, preservando a capacidade do Estado brasileiro de formular políticas públicas voltadas aos interesses da população.