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Chapéu
Tecnologia para quem?

Bancos deixam de oferecer contas digitais grátis

Linha fina
Recuo de grandes instituições na gratuidade de serviços digitais revela que clientes não são favorecidos pelo avanço tecnológico no setor bancário
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Imagem: Pixabay / C0 Public Domain

São Paulo – Apresentadas à população como uma forma de facilitar transações bancárias e baratear operações realizadas por clientes, as contas digitais não são a “maravilha” que os grandes bancos mostram nas suas publicidades. Nos últimos meses, instituições financeiras como Bradesco, Itaú e BB deixaram de oferecer serviços digitais com isenção de tarifas.

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Inicialmente, Bradesco (Digiconta), Itaú (iConta) e BB (BB Conta Digital) ofereciam modelos de contas digitais com custo zero para transações como saques e transferências. Entretanto, estes três bancos deixaram de oferecer os produtos para novos clientes no primeiro semestre deste ano. Somente clientes que já haviam contratado contas digitais continuam utilizando os serviços sem pagamento de tarifa mensal.

BB e Bradesco relançaram seus formatos de contas digitais, mas agora com cobrança mensal de tarifa. Já o Itaú manteve seu modelo digital apenas para clientes com maior renda, também com cobrança de tarifa mensal.

“O recuo em oferecer contas digitais isentas de tarifa mensal mostra que o interesse dos bancos neste modelo passa longe de uma maior comodidade aos clientes. O intuito real é a maximizar lucros, fazendo com que os próprios clientes `trabalhem´ para os bancos e reduzindo o quadro de funcionários nas instituições. O Sindicato de forma alguma é contra as novas tecnologias, mas acredita que elas devem servir às pessoas, bancários e população, e não à ganância sem limites dos banqueiros”, avalia a secretária de Imprensa e Comunicação do Sindicato, Marta Soares.

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“É preciso lembrar que grande parte dos brasileiros ainda não possui acesso aos meios digitais. Assim, a estratégia dos bancos para cortar custos reduzindo agências físicas e investindo em unidades digitais é excludente e prejudica sobretudo os mais pobres. Temos de lembrar que bancos são concessões públicas e, como tal, devem ter responsabilidade social e servir a todo o conjunto da população”, enfatiza a dirigente.