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Congresso

CUT debate captura da democracia e articula reação

Primeiras duas mesas do Congresso Extraordinário e Exclusivo da Central abordaram o atual momento político do país e fora dele, e também definiu Jornada Continental contra o Neoliberalismo no Uruguai

  • Publicado em 29/08/2017 12:48 / Atualizado em 29/08/2017 12:58

Congresso reúne 800 delegados sindicais do Brasil e de diversas partes do mundo

Foto: Dino Santos / CUT

São Paulo - A mesa A Captura das Democracias pelo Capital deu início ao ciclo de debates do Congresso Extraordinário e Exclusivo da CUT, em São Paulo, na manhã de segunda-feira 28, de acordo com matéria da CUT. O evento conta com 800 delegados sindicais do Brasil e de diversas partes do mundo e ocorre até quinta-feira 31.

Compuseram a mesa o secretário de Relações Internacionais da CUT, Antônio Lisboa, a secretária nacional de Política Social e Direitos Humanos da Central, Jandira Uehara, o jornalista Luis Nassif, o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício, além do embaixador Samuel Pinheiro.

João Felício abriu o debate falando sobre o cerceamento da atividade sindical no momento em que a direita avança no mundo. “Na democracia, se não há sindicato livre, a democracia está capturada. Hoje, nós temos um governo que tem um profundo desprezo pela organização sindical, o que está se tornando comum no mundo. Hoje, raramente você vê um governo que estabeleça parcerias com as organizações sindicais, são subordinados ao capital”.

Foto: Dino Santos / CUT


Luis Nassif criticou a atuação da Operação Lava Jato e lembrou que uma das formas de captura da democracia foi a parceria entre os agentes da Justiça de Brasil e EUA. “A partir dos atentados de 2011, diversos setores de combate ao terror se uniram nos EUA. Porém, o que saiu desse grupo foi um conjunto de leis internacionais de combate à corrupção. Toda corrupção, se tem um componente em dólar, eles dizem: ‘a jurisdição é nossa’. Portanto, eles passam a impor a lei americana sobre a lei local. Isso explica o que acontece na Lava Jato”.

Para encerrar a mesa, Samuel Pinheiro lembrou a revolução russa e criticou o processo célere de retirada dos direitos da classe trabalhadora, sem qualquer diálogo com a sociedade. “Todas essas reformas que estão aí, começaram a ser articuladas antes, por Fernando Henrique Cardoso, Lula que havia estancado esse processo. Caminhamos para um modelo de sociedade pré-1917, antes da revolução russa, quando não havia qualquer fiscalização ou regra para o mercado de trabalho”.

Jornada Continental - A segunda mesa, também pela manhã, trouxe dirigentes de fora do país que enfrentam desafios semelhantes aos brasileiros, de acordo com matéria da CUT.

Secretário de Políticas Internacionais da Confederação Geral Italiana de Trabalhadores (CGIL), Fausto Durante, apontou que na Itália a classe trabalhadora também resiste a reformas que visam a retirada de direitos. Por lá, além de manifestações, a CGIL optou por organizar referendos populares que recolheram mais de quatro milhões de assinaturas.

Foto: Dino Santos / CUT


Por conta dessa mobilização, a Suprema Corte de lá evocou a responsabilidade social das empresas em relação a todos os contratos de trabalho, diretos e indiretos, e a determinação de o trabalhador reassumir o posto imediatamente quando o juiz do Trabalho decide que a demissão for feita sem justa causa. Também foi anulada a norma que permitia às empresas de compensar trabalhadores com um voucher, papel sem valor nominal, como pagamento.

O objetivo agora é construir uma lei de iniciativa popular que tem como uma das prioridades a organização no local de trabalho. “Ao longo de dois meses, tivemos mais de 40 mil assembleias em toda Itália. E agora o Congresso Nacional italiano vai ter de dar resposta à lei de iniciativa popular e isso pode ser acrescentado a experiências de greve geral e manifestações populares. Essas são novas estratégias sindicais possíveis que podemos adotar”, afirmou.

 

 

Na Argentina, em meio a uma onda de presos e desaparecidos políticos, o secretário-geral da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), Hugo Yasky, iniciou sua intervenção com uma questão que inquieta todos os democratas argentinos: onde está José Santiago Maldonado? O jovem desapareceu há um mês em uma reserva Mapuche – povos indígenas da região sudoeste do país.

Yasky conta que também Milagro Sala, militante social, descendente de indígenas e secretária-geral da Associação Nacional de Trabalhadores do Estado, segue desde janeiro de 2016 presa, dois meses após a eleição de Maurício Macri, sob alegação de incitação à violência, após organizar uma mobilização no país.

Foto: Dino Santos / CUT


Para avançar, o secretário-geral da Confederação Sindical das Américas (CSA), Victor Baez, convocou a todos os movimentos comprometidos com a democracia a participarem da Jornada Continental contra o Neoliberalismo. “Não é uma data só, é um processo que tem ideia compartilhada de que somos a região mais desigual do planeta e não podemos atuar de forma dispersa contra a agenda econômica capitalista que coloca em risco os avanços que temos conquistado”.

O encontro acontece entre os dias 16 e 18 de novembro na capital do Uruguai e iniciará com uma greve e uma grande marcha pelas ruas da cidade. A iniciativa inclui a CUT e outras organizações brasileiras e estrangeiras de luta pelos movimentos sindical e sociais.

Ao término da mesa, o secretário adjunto de Relações Internacionais, Ariovaldo Camargo, convocou toda a base cutista para participar desta mobilização de resistência por nenhum direito a menos. “Faremos no Uruguai a maior manifestação da América Latina de enfrentamento ao neoliberalismo. Somos todos agentes de transformação espaços sindicais, no local de trabalho e pela América unida”.



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