Cerca de 150 sindicalistas de 40 países dos cinco continentes estiveram reunidos nesta terça-feira (7), na sede da CUT nacional, em São Paulo
Entidades sindicais de 40 países se reuniram na sede nacional da CUT, em São Paulo, no dia 7, para discutir as perspectivas para o mundo do trabalho em um contexto de avanço do neoliberalismo, que ameaça direitos trabalhistas conquistados em todo o mundo.
A reportagem é da Rede Brasil Atual.
O primeiro dia da 13ª Conferência da Universidade Global do Trabalho (Global Labor University – GLU) teve como tema O Futuro do Trabalho: Democracia, Desenvolvimento e o Papel do Trabalho. Outras mesas da conferência, na quarta 8, e quinta 9, serão realizadas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Na abertura, o presidente da CUT, Vagner Freitas, denunciou aos dirigentes sindicais estrangeiros o golpe parlamentar e jurídico que se instalou no Brasil desde 2016.
"O objetivo do golpe de 2016 foi o de destruir a CUT, o MST, o PT, os movimentos populares e o Lula como referência de liderança no Brasil e personalidade do mundo. Mas os golpistas não vão nos destruir. Vamos enfrentá-los nas ruas e nas urnas e vamos vencer", destacou.
Freitas alertou também para o crescimento do desemprego e da informalidade que, junto com a destruição de direitos promovida pela "reforma" trabalhista do governo Temer, comprometem a qualidade do trabalho.
Representante da GLU, Michelle Willians afirmou que o mundo do trabalho vive uma "tormenta perfeita", o que demanda maior unidade dos trabalhadores. "Os ricos estão cada vez mais ricos, obscenamente ricos, enquanto mais de 2 bilhões de pessoas em todo mundo, que representam um terço da população, estão sem trabalho formal. Além disso, há uma crise de alimentação provocada pelas tempestades ,furacões e o aumento da temperatura no globo”, enfatizou.
Segundo representantes sindicais estrangeiros, o golpe do impeachment contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, e a retirada de direitos que se seguiu, acendeu o sinal de alerta para a perda de direitos e fortalecimento da onda neoliberal em todo o mundo.
"O Brasil é um exemplo de como a perda do financiamento sindical eliminou direitos. Há poucos anos o Brasil era visto como exemplo de políticas progressistas e hoje se nota a perda rápida desses direitos. Isto nos coloca em alerta. Não podemos só confiar nos bons políticos, precisamos de uma sociedade forte", afirmou o diretor-executivo do Centro Internacional para o Desenvolvimento e Trabalho Decente (International Center for Development and Decent Work, ICDD), Christoph Scherrer.
Mudanças estruturais
Na segunda mesa de debates, Mudanças Estruturais e Futuro do Trabalho, o presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA), Marcio Pochmann, que também é economista e professor da Unicamp, destacou as mudanças tecnológicas que vem incidindo sobre o processo produtivo – a chamada Indústria 4.0 – e afirmou a importância dos trabalhadores se organizarem, também do ponto de vista analítico, para disputarem espaço nessa nova sociedade.
"Do ponto de vista organizativo da classe trabalhadora, qual seria a agenda que nos permitiria disputar esse futuro? Se há grande produtividade, que está elevando o progresso técnico como o resultado da luta inter-capitalista, qual é a parte dessa produtividade que ficará com os trabalhadores?", questionou Pochmann.
"A revolução tecnológica trará um impacto negativo por razões diferentes. Não é somente a questão da robotização, mas também como os dados de trabalhadores dentro de uma empresa poderão ser utilizados", afirmou o secretário-geral da Federação Internacional dos Trabalhadores de Transporte (International Transport Workers Federation, ITF), Victor Figueroa.
O secretário-geral da Confederação Sindical das Américas (CSA), Victor Baez, associou a destruição de direitos trabalhistas ao receituário neoliberal apoiado por organismos internacionais que influenciam governos de direita na América Latina. "Passou pela Argentina, e também pelo Brasil, a senhora secretária do FMI. Já fizeram muitos ajustes. Uma coisa que tem muito a ver com o trabalho docente é a proteção social, e eles tentam tirar, e tiraram aqui no Brasil muitos direitos trabalhistas. Na Argentina, estão querendo fazer a mesma coisa."