Marcha das Margaridas

Margarida Alves, sindicalista, presente!

Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, foi executada há exatos 36 anos, em 12 de agosto de 1983, por exigir respeito, direitos e dignidade aos trabalhadores das usinas de cana-de-açúcar da região

  • Redação Spbancarios
  • Publicado em 12/08/2019 15:19 / Atualizado em 12/08/2019 16:55

Foto: Comissão Pastoral da Terra

Há exatos 36 anos, Margarida Maria Alves, então presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, foi executada com um tiro de espingarda calibre 12 no rosto, na frente do marido e do filho, na porta de casa. O crime, cometido por pistoleiros a mando de fazendeiros da região, continua impune. Dos cinco acusados de participação no assassinato, apenas dois foram julgados e absolvidos: Antônio Carlos Coutinho Regis e José Buarque de Gusmão Neto, vulgo Zito Buarque. Agnaldo Veloso Borges já morreu, e os irmãos Amaro e Amauri José do Rego estão foragidos.

Durante os 12 anos em que presidiu o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, Margarida moveu mais de 73 ações contra usinas de cana-de-açúcar. Símbolo da luta das mulheres camponesas por terra, justiça e igualdade, a memória e o legado dela são lembrados desde 2000 na Marcha das Margaridas, que ocorre em Brasília na quarta 14.

“Margarida Alves foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Seu legado é de luta por direitos de mulheres e homens do campo, contra abusos cometidos por fazendeiros do chamado brejo paraibano. Sua frase de impacto, 'Melhor morrer na luta do que morrer de fome', inspira não só as guerreiras da Marcha das Margaridas, mas toda a luta das mulheres e das trabalhadoras e trabalhadores contra todas as formas de opressão e injustiça. Margarida presente!”, enfatiza Neiva Ribeiro, secretária-geral do Sindicato.

O assassinato de Margarida Alves teve repercussão internacional, com denúncia encaminhada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em julho de 2016, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça brasileiro aprovou pedido de reparação em nome da trabalhadora rural e sindicalista, que se tornou anistiada política post-mortem.

 

 

 



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