Pular para o conteúdo principal
Chapéu
26 de Agosto

Dia da Igualdade Feminina: Sindicato cobra avanços nas negociações com os bancos

Imagem Destaque
Dia da Igualdade Feminina: Sindicato cobra avanços nas negociações com os bancos

O Dia Internacional da Igualdade Feminina, celebrado em 26 de agosto, é uma oportunidade para reforçar a luta pela igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres. A data surgiu em 1973, nos Estados Unidos, para lembrar a conquista do direito ao voto pelas mulheres norte-americanas, em 1920. No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932, com a instituição do Código Eleitoral.

Mais de nove décadas depois, a igualdade entre homens e mulheres ainda está distante de ser uma realidade no mundo do trabalho. No setor financeiro, as desigualdades aparecem na remuneração, no acesso a oportunidades, na ascensão profissional e na presença feminina em determinadas áreas, especialmente nas de tecnologia.

Durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, o Comando Nacional dos Bancários levou à mesa com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a necessidade de medidas concretas para enfrentar essas desigualdades. A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destaca que a igualdade de oportunidades precisa sair do discurso e se transformar em ações efetivas.

“Não basta reconhecer que existe desigualdade. É preciso que os bancos assumam compromissos concretos, com metas, prazos, transparência e participação das entidades sindicais no acompanhamento dos resultados. A igualdade de oportunidades é uma reivindicação histórica da categoria e precisa estar no centro das relações de trabalho no setor financeiro”, afirma Neiva.

Diferença salarial ainda é grande

Os dados apresentados pelo Comando Nacional nas negociações mostram a dimensão do problema. A remuneração média das bancárias passou de 77,5% da remuneração dos homens, em 2016, para 81,6% em 2025. Apesar do avanço, o ritmo de redução da desigualdade é lento: apenas 0,46 ponto percentual por ano. Mantida essa velocidade, seriam necessários cerca de 40 anos para eliminar a diferença salarial.

Atualmente, as mulheres da categoria recebem, em média, R$ 11.694, enquanto os homens têm remuneração média de R$ 14.336, uma diferença de 18,4%. O recorte racial evidencia uma desigualdade ainda mais profunda: mulheres pretas recebem, em média, 34,2% menos do que homens brancos.

Para o movimento sindical bancário, os bancos precisam apresentar planos de ação capazes de enfrentar essas disparidades, com transparência e participação das entidades representativas dos trabalhadores. Entre as medidas cobradas estão o estabelecimento de metas e cronogramas, mecanismos de avaliação dos resultados, acompanhamento dos canais de denúncia, capacitação de gestores e iniciativas para garantir a permanência e a ascensão profissional das mulheres.

Demissões, liderança e tecnologia

A reestruturação do sistema financeiro e o avanço da digitalização também têm impacto desigual sobre homens e mulheres. Entre 2020 e maio de 2026, os bancos fecharam 32,3 mil postos de trabalho. Cerca de 80% dessas vagas eram ocupadas por mulheres.

Embora as mulheres já representassem 47,7% dos cargos de liderança nos bancos em 2025, elas ainda recebiam 26% menos que os homens em funções similares. Os números mostram que a presença feminina em posições de comando não garante, por si só, igualdade salarial. Outro desafio está na área de Tecnologia da Informação (TI). Em 2025, as mulheres ocupavam apenas 24,5% dos postos de trabalho no setor, percentual inferior aos 31,9% registrados em 2012.

Por isso, o Comando Nacional também cobra dos bancos o cumprimento das cláusulas 98 e 99 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), que estabelecem medidas relacionadas ao apoio e à transparência nas iniciativas de inclusão de mulheres nas áreas de tecnologia. A categoria reivindica ainda investimentos na formação e qualificação profissional das trabalhadoras, ampliando as possibilidades de acesso a áreas estratégicas e de maior remuneração.

seja socio