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Chapéu
Campanha dos Bancários 2026

Banqueiros, mais uma vez, não apresentam proposta. Bancários cobram índice de reajuste!

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Nona negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)

Nona negociação da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 (Foto: Seeb-SP)

Foi realizada nesta segunda, 24 de agosto, a nona mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (federação dos bancos), no âmbito da Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026. Mais uma vez, os banqueiros enrolaram e não apresentaram uma proposta com índice de reajuste para salários e demais verbas.

Em nenhuma das campanhas nacionais anteriores, a Fenaban postergou tanto a apresentação de uma proposta concreta para a categoria. Em 2018, a proposta foi apresentada em 7 de agosto; em 2020, em 18 de agosto; em 2022, em 19 de agosto; e, em 2024, em 21 de agosto.

“Os banqueiros, mais uma vez, optaram por desrespeitar a categoria e não apresentaram proposta de índice de reajuste. Ao invés disso, enrolaram e atacaram nossa legítima paralisação, aprovada em assembleias por todo o Brasil, que foi extremamente bem sucedida; atacaram a nossa organização sindical, os sindicatos, com o intuito de reduzir direitos; e, mais uma vez, ameaçaram a mesa única de negociação. Além disso, como já fizeram em outras negociações, sugeriram levar o desfecho da Campanha Nacional dos Bancários ao Supremo Tribunal do Trabalho”, diz a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.

“Estamos unidos e mobilizados, bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, por aumento real, reajuste maior no VA e VR, valorização da PLR e do piso da categoria. Não aceitaremos ataques à mesa única, uma das nossas conquistas históricas, e à nossa organização. Não seremos pautados por ameaças e pela intransigência dos banqueiros. Exigimos uma proposta decente já”, acrescenta.

Em relação às cláusulas econômicas, entre outros pontos, os bancários reivindicam 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.

Paralisação

A negociação teve início com os banqueiros criticando e tentando descredibilizar a paralisação nacional realizada na última quinta-feira, 20 de agosto, que foi aprovada em assembleias no dia 17 de agosto por mais de 50 mil trabalhadores de todo o país, de bancos públicos e privados, que também rejeitaram proposta da Fenaban de um novo modelo de reajusta por faixas salariais, que valeria também para VA e VR.

Proposta esta retirada pelos banqueiros justamente após o Comando apresentar o resultado das assembleias em mesa de negociação, no dia 18 de agosto, quando os bancos também haviam tentado impedir a paralisação, afirmando que só seguiriam na mesa se a categoria desistisse do movimento.

Os banqueiros ainda alegaram, na negociação desta terça 24, que nunca foi feita uma paralisação durante as negociações, o que não corresponde à verdade, uma vez que a categoria tem como prática histórica realizar paralisações parciais ou de dia todo para defender seus direitos.

O Comando Nacional dos Bancários rebateu os banqueiros afirmando que a paralisação foi legítima e envolveu milhares de trabalhadores, de bancos público e privados, ganhou apoio da sociedade – afetada pelas altas taxas de juros, fechamento de agências e redução do número de bancários – e teve grande repercussão na imprensa.

Além disso, uma prova da força da paralisação foi o fato de os banqueiros buscarem uma liminar na justiça para impedir o movimento e punir financeiramente sindicatos, que foi indeferida pela 20ª Vara do Trabalho de Brasília. Esta foi a primeira vez que os bancos, durante uma Campanha Nacional, tentam impedir judicialmente uma paralisação dos bancários.  

“A paralisação do dia 20 de agosto, que envolveu milhares de bancários e bancárias de todo o Brasil, de bancos públicos e privados, foi uma grande demonstração de organização e força da nossa categoria. A grande adesão ao movimento é resultado da indignação de toda a categoria com os bancos diante da ausência de proposta, com o fechamento de agências, demissões e o adoecimento dos trabalhadores de um dos setores mais lucrativos e rentáveis da economia”, avalia Neiva Ribeiro.

“Foi exatamente pela falta de proposta e pelo adiamento das negociações econômicas que a paralisação aconteceu, com boa adesão em todo o país. Os bancos tiveram tempo suficiente para construir uma proposta, mas foram adiando essa discussão. A mobilização dos trabalhadores é consequência da postura da Fenaban”, reforça Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional.  

Ataques à organização e unidade da categoria

Com o intuito de tensionar ainda mais a negociação, os banqueiros voltaram a sugerir o fim da mesa única de negociação, separando trabalhadores de bancos públicos e privados. O Comando Nacional dos Bancários, mais uma vez, afirmou que esta possibilidade não está em discussão.

Chega de enrolação

Diante da recusa dos banqueiros em apresentar uma proposta de índice de reajuste para salários e demais verbas, a negociação desta segunda-feira (24) foi encerrada.

“Estamos no dia 24 de agosto, a exatos sete dias do limite de validade da atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) sem proposta de índice que impactam em todas as cláusulas econômicas, de reajuste salarial e melhorias nas demais verbas, como PLR, vales refeição e alimentação e piso salarial”, explica Juvandia Moreira.  

Fim da ultratividade

A estratégia dos bancos, de postergar a apresentação de uma proposta para uma data cada vez mais próxima da data-base da categoria (1º de setembro), está relacionada com o fim da ultratividade (garantia da validade de um acordo coletivo de trabalho, além da sua vigência, até a assinatura da sua renovação), aprovado na Reforma Trabalhista, durante o governo de Michel Temer, com amplo apoio de parlamentares da direita.

Ou seja, com o fim da ultratividade, caso não seja assinada a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) até a data-base da categoria, os direitos dos bancários não assegurados em lei não estarão garantidos.

O Comando Nacional, ao longo das negociações, cobrou da Fenaban a garantia da ultratividade, o que foi negado pelos banqueiros. 

Negociações continuam

Comando Nacional dos Bancários cobra da Fenaban a apresentação de uma proposta nesta terça-feira 25 (Foto: Seeb-SP)

As negociações entre o Comando Nacional dos Bancários serão retomadas na manhã desta terça-feira, 25 de agosto, e seguem durante toda a semana.

“A mesa geral precisa andar para que as mesas específicas também possam avançar mais. Não podemos permitir que tudo fique paralisado. Os trabalhadores têm reivindicações econômicas e específicas importantes, e a Campanha Nacional precisa avançar em todas essas frentes. O caminho é a negociação, com propostas concretas e disposição dos bancos para valorizar os trabalhadores”, destaca Juvandia Moreira.

“Deixamos claro para os banqueiros que a categoria quer respeito e valorização. Isso significa trazer para a mesa de negociação uma proposta para as cláusulas econômicas, com o índice de reajuste para salários e demais verbas. Não vamos ficar debatendo outros temas enquanto isso não ocorrer. A expectativa para a negociação de amanhã, 25 de agosto, é que os banqueiros finalmente coloquem uma proposta na mesa”, conclui Neiva Ribeiro.  

Os bancários e bancárias devem ficar atentos ao site e redes sociais do Sindicato para atualizações das negociações, encaminhamentos e convocações de novas ações de mobilização.

Banqueiros podem pagar

Os dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários ao longo das oito mesas de negociação realizadas até o momento mostram, de forma inequívoca, que os banqueiros possuem todas as condições para atender às reivindicações da categoria.

  • Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
  • Após a pandemia, entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;
  • Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
  • A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
  • A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira.
  • Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
  • O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.

Bancários precisam ser valorizados

Além dos dados econômicos, o Comando Nacional apresentou dados referentes à trajetória da remuneração da categoria, que comprovam a necessidade de valorização dos trabalhadores:

  • A redução do emprego na categoria levou a uma queda na massa salarial real de 17% desde 2014 e de 2% no ano passado, o que corresponde a uma perda de R$ 1 bilhão por mês para os trabalhadores;
  • Entre 2019 e 2025, as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) nos bancos caíram 15%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 17%;
  • Em 2025, a cobertura das despesas com pessoal com a receita com tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123%. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%;
  • A média da remuneração per capita anual de um diretor estatutário de banco é de R$ 10,3 milhões, 120 vezes maior que a remuneração anual da função de escriturário, incluindo salários, 13º, férias, VA, VR e PLR;
  • Desde 1997, a PLR de caixa teve aumento real de 140%. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 360%, 2,6 vezes maior que o valor da PLR;
  • Ainda que a CCT preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%;
  • A inflação estimada para a data-base da categoria bancária de 2026 é de 4,39%. Para retomar a mesma relação observada em setembro de 2019 (1,34 vezes) do vale-alimentação em relação ao valor da cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40%. Ou seja, dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73;
  • Em cinco municípios (São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), que juntos somam 50% da categoria bancária, o preço médio da refeição é superior ao vale-refeição atual de R$ 53,33/dia dos bancários.

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