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Chapéu
Só o amor salva

Juiz que deu espaço à 'cura gay' é repudiado; ato dia 22

Linha fina
Decisão de Waldemar Claudio de Carvalho viola direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico, diz Conselho Federal de Psicologia; revolta também tomou conta das redes sociais e chegará às ruas!
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Foto: Luke Gillam / Freeimages

São Paulo - Provocou revolta a decisão do juiz Waldemar Claudio de Carvalho, da 14º Vara Federal de Brasília, de aceitar parcialmente liminar contra contra resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) sobre orientação sexual. O juiz fez uma “interpretação” da resolução abrindo a possibilidade de uso de terapias de reversão sexual. A chamada "cura gay" foi repudiada por psicólogos, profissionais de diversos setores e por ativistas do movimento LGBT, que já marcaram atos de protesto.

O pedido de liminar, de acordo com matéria da CUT, foi feito por um grupo ultraminoritário de psicólogos sob argumento de que a resolução do CFP, de 1999, estaria censurando estudos. Entretanto, desde 1990 a homossexualidade deixou de ser listada como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Na contramão da Justiça Federal, o CFP divulgou uma nota em que afirma que atitude dos psicólogos é "violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico". "O Judiciário se equivoca ao desconsiderar a diretriz ética que embasa a resolução, que é reconhecer como legítimas as orientações sexuais não heteronormativas, sem as criminalizar ou patologizar, continua a nota.

O Conselho alertou que “as terapias de reversão sexual não têm resolutividade, como apontam estudos feitos pelas comunidades científicas nacional e internacional, além de provocarem sequelas e agravos ao sofrimento psíquico”. A entidade vai recorrer da decisão.

Daniela Mercury e Gretchen e Fernanda Gentil - Nas redes sociais, o assunto vem sendo intensamente debatido, com muitas críticas ao juiz. Tanto no Facebook quanto Twitter ou Instagram, o tema esteve entre os mais comentados do momento na manhã desta terça-feira 19. A medida do juiz também foi rejeitada por artistas que compartilharam mensagens em apoio à causa LGBT dizendo que “amor não é doença”.

A cantora Daniela Mercury postou uma foto no Twitter com sua esposa e comentou: “Doentes de amor, doentes de respeito mútuo, doentes por nossa família. Somos doentes de felicidade! Nos respeitem!''. Fernanda Gentil, jornalista da Rede Globo, postou uma foto com um termômetro na boca ironizando: "Tentando me curar dessa doença, mas tá difícil..... Ô @paulogustavo31 , obteve sucesso aí??????? #algumadica?". Já a cantora Gretchen se disse decepcionada com os retrocessos que o Brasil passa e pediu mobilização “Esses palhaços do governo federal que querem vender nossa Amazônia, agora inventam que homossexualidade é doença. Convido todos para fazermos um movimento de protesto”.

O ativista e ex-coordenador do Programa Rio Sem Homofobia, Cláudio Nascimento, falou em seu perfil numa rede social que a decisão de “vergonhosa e criminosa”. “Isso contribuiu para a ampliação de estigma e da violência contra LGBT”.

Para o coordenador do Coletivo LGBT da CUT, Marcos Freire, a onda conservadora ligada à bancada fundamentalista reflete o momento que o país passa. "É um retrocesso imenso para a população LGBT porque desde da década de 90 estamos lutando para que nossos direitos sejam reconhecidos. Tivemos uma censura da exposição de arte em Porto Alegre, em Minas outra exposição foi barrada dias atrás. É triste e lamentável o que estamos vivendo nos últimos de hoje. É preciso uma nova postara do movimento LGBT para enfrentar essa onda conservadora", afirma.

O Sindicato dos Psicólogos de São Paulo (SinPsi) também emitiu nota lamentado a decisão, segundo matéria da CUT. Afirma que princípios religiosos não devem se misturar a científicos. Orientação sexual não é algo a ser revertido ou curado, simplesmente porque homossexualidade não é doença. A entidade reitera que o psicólogo e a psicóloga devem entender e acolher o sofrimento do paciente que se reconhece homossexual. A informação, se levada a consultório como causadora de sofrimento, deve ser tratada sem qualquer proposta de “cura”. É preciso intervir sobre as condições que geram o sofrimento. Patologizar uma condição do ser humano só aumenta o ódio e o risco para a comunidade LGBT.

"A decisão judicial estende os retrocessos fascistas do último período. Todas e todos na defesa dos Direitos Humanos e da Diversidade. O SinPsi seguirá firme na luta contra a reversão sexual", disse Fernanda Magano, presidenta do SinPsi.

O sindicato relembra que a questão não é novidade no campo da prática profissional da Psicologia. A batalha anterior foi travada há cinco anos, quando a categoria foi convocada para barrar o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 234, que tinha o mesmo propósito.

A luta contra a homofobia tem sido atacada uma grave ofensiva conservadora no Judiciário, causando apreensão e revolta entre aqueles que defendem um mundo sem preconceito. Exemplos disso foram a Parada LGBT do Paraná (que seria realizada no último domingo) e o cancelamento de uma peça de teatro em que uma transexual representava o papel de Jesus Cristo, ambas canceladas por decisões judiciais.