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Chapéu
14º CONCUT

Trabalhadores debatem conjunturas nacional, internacional e estratégias de luta

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Juvandia Moreira, vice-presidenta da CUT e presidenta da Contraf-CUT, faz sua intervenção no segundo dia do 14º Congresso Nacional da CUT (CONCUT)

Nesta sexta-feira (20), delegados sindicais de todas as regiões do Brasil e também estrangeiros, de diversas categorias, além de autoridades públicas e convidados, voltaram a se reunir no Expo Center Norte, em São Paulo, para o segundo dia do 14º Congresso Nacional da CUT (CONCUT).

“Neste segundo dia de CONCUT debatemos os desafios dos trabalhadores na atual conjuntura nacional e também internacional, assim como as estratégias que temos de definir aqui nesse congresso para os próximos quatro anos. Estamos em um momento de reconstrução do Brasil, em que precisamos fortalecer a democracia e colocar a classe trabalhadora e seus direitos como prioridades na agenda do país. E em todos os debates desta sexta-feira foi unanime a avaliação de que o movimento sindical possui um papel decisivo para pressionar, nas ruas e redes, um Congresso infelizmente ainda conservador e neoliberal na direção de um país melhor para todos”

Lucimara Malaquias, secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Conjuntura nacional

A primeira mesa de debates do segundo dia do 14º CONCUT debateu a conjuntura nacional e contou com intervenções do senador Humberto Costa, vice-presidente do PT; e de Rafael Freire, secretário-geral da CSA (Confederação Sindical das Américas).  

Na sua fala, Rafael Freire enfatizou que a conjuntura brasileira não está isolada e destacou a importância de conectar a estratégia local de luta com a articulação internacional dos trabalhadores. “O que nós passamos no Brasil, se passa na Argentina, no Paraguai, no Chile, em Honduras, na República Dominicana. Os ataques são os mesmos. A resposta tem de ser articulada regionalmente e internacionalmente.”

O secretário-geral da CSA também convidou os presentes para a Jornada Latino-americana e Caribenha de Integração dos Povos, que reunirá movimentos sociais, sindical, artistas, intelectuais e autoridades públicas em Foz do Iguaçu, nos dias 7, 8 e 9 de dezembro.

Papel dos movimentos sociais e sindical para a reconstrução do Brasil

Já o senador Humberto Costa destacou as ações bem-sucedidas do governo federal para a reconstrução de todas as políticas sociais destruídas por Temer e Bolsonaro, além da retomada do desenvolvimento econômico e da confiança internacional no Brasil.

Por outro lado, o senador enfatizou que para o Brasil avançar mais nas pautas de interesse dos trabalhadores e do povo como um todo, contrapondo um Congresso de maioria conservadora e neoliberal, os movimentos sociais e sindical precisam assumir estas pautas como bandeiras de luta, pressionando parlamentares nas ruas e redes.

“Para viabilizar o nosso projeto só com a luta social, com o povo organizado (...) Temos de ter uma agenda em que os temas que interessam aos trabalhadores e ao governo precisam ser objeto de mobilização social”, destacou Humberto Costa, citando três pautas que devem ser bandeiras de luta: taxação de offshores, dos fundos exclusivos, e a reforma tributária.

Estratégias da CUT

Na parte da tarde foi realizada uma mesa sobre estratégias da CUT para o próximo período, com falas das forças que integram a CUT. A mesa teve como coordenadora a vice-presidenta da CUT, presidenta da Contraf-CUT e ex-presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.

“Saímos de um cenário de tentativa de golpe, de ataque a democracia, de um presidente que foi um genocida, para um cenário de reconstrução do Brasil. Esse é o nosso grande tema. A defesa da democracia, dos direitos, das vidas, para transformar o nosso país e o mundo em um lugar melhor, justo e sustentável”, disse Juvandia na abertura da mesa.  

Após as falas das forças políticas que integram a CUT, e da exposição sobre estratégia internacional, na qual foi ressaltada a necessidade o fortalecimento dos laços entre os trabalhadores da América Latina, Juvandia fez uma exposição sobre a estratégia nacional da CUT para o próximo período.

“Estruturamos nossa estratégia em três grandes eixos. Começamos com um grande eixo que é o fortalecimento do movimento sindical, da classe trabalhadora, da negociação coletiva (..) O nosso segundo eixo é a defesa da democracia, dos direitos e da soberania. Para ter democracia nós precisamos de direitos (...) O terceiro é o desenvolvimento econômico sustentável, com inclusão social. Aqui é fundamental colocar os super ricos no imposto de renda”, expôs Juvandia.

Brigadas Digitais

Na sequência, a vice-presidenta da CUT fez uma exposição sobre as Brigadas Digitais, convidando a todos a acessarem o canal das brigadas no WhatsApp.

“As brigadas digitais têm como propósito formar, organizar, comunicar e lutar. Uma ferramenta muito mais ampla do que repassar uma notícia. É uma forma de expandir a nossa luta, a nossa narrativa (...) Temos de ter unidade no assunto geral, ter clareza e velocidade”, concluiu Juvandia.

Povo Palestino

Plenário do 14º CONCUT aprovou resolução em solidariedade ao povo palestino (Foto: Seeb/SP)

Entre a primeira e segunda mesa de debates desta sexta-feira foram realizados dois atos de solidariedade internacional.

O primeiro ao povo palestino, que sofre historicamente um apartheid perpetrado por Israel, com apoio dos EUA, e agora enfrenta trágicas consequências de uma ação militar israelense, que em poucos dias vitimou mais de 4 mil pessoas na Faixa de Gaza.

No ato de solidariedade ao povo palestino – que contou com a intervenção de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) – foi aprovada resolução do 14º Congresso Nacional da CUT sobre o tema.

“A CUT soma a sua voz a de todos aqueles que no plano internacional condenam de forma veemente os crimes de guerra cometidos pelo governo sionista de Israel e exige um cessar fogo imediato, a suspensão do cerco a Faixa de Gaza, com acesso urgente da população a comida, água, medicamentos, energia, combustível e demais serviços básicos”, enfatiza o documento aprovado por ampla maioria.

Na mesma resolução, a CUT também condena os atos de terror que vitimaram mais de mil civis israelenses e repudia ainda “que os ataques perpetrados pelo Hamas estejam sendo utilizados pela extrema-direita israelense para escalar sua estratégia expansionista e colonialista, que pode constituir um verdadeiro genocídio do povo palestino”.

Argentina

O segundo ato de solidariedade foi para com os trabalhadores argentinos, que irão as urnas no próximo domingo para o primeiro turno da eleição presidencial, na qual precisam evitar a vitória de Javier Milei.

“A gente sabe muito bem o que vocês estão passando na Argentina. É só lembrar como estávamos na véspera da eleição (...) O risco de um candidato que quer acabar o banco central argentino, que quer acabar com o Ministério da Educação, que quer privatizar tudo, que vai perseguir a organização dos trabalhadores argentinos. Porém, conheço a capacidade de organização e mobilização dos trabalhadores argentinos. Tenho certeza de que Sergio Massa vai ao segundo turno e irá vencer as eleições na Argentina”, disse o presidente da CUT, Sergio Nobre.

Valorização da negociação coletiva e atualização da organização sindical

A terceira mesa de debates teve como tema o primeiro eixo estratégico do Concut: Fortalecimento do sindicalismo cutista. Valorização da negociação coletiva e atualização da organização sindical. “O tema da organização sindical será o grande desafio para a próxima gestão. A necessidade de construir um novo modelo sindical”, declarou Sergio Nobre.  

Após a fala do presidente da CUT, ocorreu a votação das emendas sobre o primeiro eixo estratégico do 14º CONCUT.

Regimento

Nesta sexta-feira também foi realizada a leitura do regimento do 14º Congresso Nacional da CUT, que submetido a aprovação do plenário foi aprovado por unanimidade.

O 14º Congresso Nacional da CUT continua com uma ampla programação neste sábado (21). Acompanhe a cobertura no site e redes sociais do Sindicato.

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