No dia 30/06, o Sindicato participou do Dia Nacional de Mobilização pelo Fim da Escala 6x1, na Av. Paulista
O Senado Federal inicia nesta quarta-feira, 14 de outubro, a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, com a adoção de dois dias de descanso semanal e redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial. A votação representa uma etapa decisiva de uma reivindicação histórica do movimento sindical, que busca garantir mais tempo para o descanso, a convivência familiar, o lazer e a qualidade de vida dos trabalhadores.
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região sempre defendeu essa bandeira, mesmo a categoria bancária já tendo conquistado o descanso aos sábados e domingos. A entidade entende que a redução da jornada beneficia toda a classe trabalhadora e fortalece a luta por melhores condições de trabalho em todas as categorias.
“A luta por melhores condições de trabalho não pode se limitar à nossa categoria. A conquista beneficiará indiretamente os bancários, ao melhorar as condições de vida de familiares e amigos que seguem na 6x1. Além disso, abrirá espaço para aprofundar o debate sobre a jornada 4x3 nos bancos”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato.
Mobilização nas ruas e nas redes

A atuação do Sindicato em defesa do fim da escala 6x1 vai além das declarações. Em 2025 e 2026, a entidade participou da Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, somando-se a milhares de trabalhadores e trabalhadoras na defesa da redução da jornada sem redução salarial.
Nos últimos anos, o tema também ganhou destaque nas redes e no site do Sindicato, juntamente com atividades presenciais. Em maio deste ano, a entidade recebeu o deputado federal Alencar Santana (PT-SP) para discutir a escala 6x1 e a conjuntura política para sua extinção. Na mesma atividade, o Sindicato lançou uma cartilha produzida para informar a população sobre a importância da redução da jornada.
"A escala 6x1 só está em debate porque o governo é nosso. Com eles, o trabalhador só perde. A primeira medida do governo Bolsonaro foi a reforma da previdência. O trabalhador perdeu. Então a 6x1 só virou prioridade porque o governo do presidente Lula pautou em regime de urgência", afirmou Alencar Santana durante a atividade no Sindicato.

Bancários já estiveram ameaçados pela escala 6x1
A história recente demonstra que os direitos conquistados precisam ser defendidos permanentemente. Em 2019, durante o governo Jair Bolsonaro, a Medida Provisória 905 ameaçou alterar as condições de trabalho da categoria bancária, ao ampliar a possibilidade de trabalho aos sábados e modificar regras relacionadas à jornada.
O movimento sindical bancário reagiu, mobilizando trabalhadores e negociando com a representação dos bancos para preservar a jornada. A resistência demonstrou que conquistas históricas não estão livres de retrocessos e que a organização coletiva é fundamental para impedir a retirada de garantias.
Flávio Bolsonaro, por motivos eleitorais, tenta enganar os trabalhadores e esconder suas reais intenções
O anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) votará a favor do fim da escala 6x1, feito nesta semana, contrasta com as críticas que fez à proposta ao longo de sua tramitação.
Em maio, o senador classificou a discussão como “inoportuna e eleitoreira” e afirmou que a mudança poderia provocar “desemprego em massa”. Na ocasião, defendeu uma proposta alternativa baseada na negociação direta entre empregados e empregadores, com remuneração proporcional às horas trabalhadas.
Já em outubro, acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de agir por oportunismo eleitoral ao defender a redução da jornada. No dia 13, porém, anunciou que votará favoravelmente à proposta, alegando que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6x1. Apesar da mudança, Flávio manteve a defesa da flexibilização.
Fim da escala 6x1 em risco
De acordo com publicação da Folha de S. Paulo, feita no dia 13/10, Flávio fez chegar a aliados que vai rever pontos da proposta caso seja eleito. O vereador carioca e deputado federal eleito Rick Azevedo (PSOL-RJ), um dos principais nomes da mobilização pelo fim da escala 6x1, alertou para a contradição do senador em publicação nas redes sociais:
“De forma eleitoreira, Flávio Bolsonaro (PL) se contradiz e declara ser a favor do fim da escala 6X1. Contudo, a aprovação dessa medida não terá validade alguma diante da aprovação da PEC das horas flexíveis, proposta pelo candidato.”
A resistência à proposta também aparece nas declarações de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro. Em agosto, Daniella classificou o debate sobre o fim da escala 6x1 como “populista e inócuo”.
A luta continua
O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região seguirá mobilizado em defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada sem redução salarial. A votação no Senado é um passo importante, mas a conquista estará em risco caso Flávio Bolsonaro vença as eleições.
"Propostas hoje apresentadas pelo candidato bolsonarista como, por exemplo, o ‘trabalho por horas’ e a negociação individual de direitos com o patrão, podem atingir em cheio nossas conquistas históricas. Os trabalhadores precisam ficar atentos para não transformar o voto em um cheque em branco para a retirada de direitos", alerta Neiva Ribeiro.