No julgamento do dissídio coletivo ajuizado pela Caixa Econômica Federal após o impasse nas negociações para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que seja garantido a todos os empregados da Caixa o direito de oposição à cobrança da taxa negocial.
Em cumprimento à determinação do Tribunal, o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região disponibilizará aos empregados da Caixa um procedimento para manifestação da oposição.
No entanto, cabe lembrar quer esses recursos são indispensáveis para a manutenção da estrutura, fortalecimento da luta e toda a organização do movimento que acontece não somente durante a campanha nacional, mas durante todo o ano. Enfraquecer a entidade também enfraquece a luta. Veja por quê:
Contribuição da categoria protege a própria categoria
Os recursos dos empregados financiam a atuação em defesa dos direitos e de novas conquistas
Tudo começa no Conecef, o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal. É o principal fórum de debates e deliberações dos trabalhadores da instituição. Nesses encontros anuais, os empregados definem a pauta de reivindicações específicas para a Campanha Unificada da categoria e para as negociações permanentes com a Caixa.
No Congresso, participam delegados de todo o país eleitos em encontros estaduais. Além de definir a pauta da categoria, o Conecef também promove importantes debates técnicos que norteiam a atuação das entidades representativas.
A organização e realização do Conecef exige recursos para locação de espaços, deslocamentos, hospedagens, palestrantes, entre outros. Por isso, é fundamental que a categoria financie sua própria luta, garantindo a preservação dos espaços de debate e diálogo entre os empregados.
Greve forte é greve com suporte
Em 2026, os empregados da Caixa realizaram uma greve histórica de 20 dias. Em sua base, o Sindicato paralisou centenas de locais de trabalho e realizou grandes protestos na Avenida Paulista e nos prédios administrativos.
Ao longo de toda a greve, os empregados da Caixa contaram com apoio jurídico, suporte logístico nas regionais do Sindicato, materiais de luta (faixas, cartazes, adesivos, carro de som, tendas) e estrutura comunicacional dedicada à divulgação da greve e de suas reivindicações. Todas as regionais do Sindicato estiveram todo o tempo com toda sua estrutura voltada para o sucesso da mobilização.
Promover um movimento forte como o realizado neste ano demanda valores expressivos com infraestrutura e recursos humanos. Contribuir com o Sindicato é preservar a força das mobilizações da categoria.
Proteção jurídica
O departamento jurídico do Sindicato é um instrumento da categoria na hora de preservar direitos. Da mesma forma, esse é um dos principais custos do Sindicato, o que exige a colaboração dos bancários.
Desde o suporte individualizado oferecido aos bancários, passando pela assessoria permanente nas negociações até a defesa da categoria perante o TST no dissídio coletivo. Em todos os momentos, os empregados da Caixa podem contar com esse importante apoio.
Aqui tem representação
Você conhece a CEE? A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa Econômica Federal é o órgão de representação dos trabalhadores encarregado de negociar diretamente com a direção do banco. Sua atuação envolve:
- Dar voz aos empregados: atua nas mesas de negociação representando os interesses do quadro de pessoal do banco.
- Negociação: debate e constrói o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico da Caixa.
- Pautas de carreira: negocia planos de cargos, salários, funções e regras de seleção interna (PSI).
- Saúde e benefícios: acompanha a manutenção e a qualidade do plano de saúde (Saúde Caixa) e da PLR Social.
A contribuição dos trabalhadores garante o funcionamento e a assessoria permanente dos integrantes da CEE. São frequentes encontros, reuniões e debates dedicados a melhorar cada vez mais a defesa dos empregados da Caixa. Essas reuniões também envolvem custos.
Comunicação que informa e transforma
Sabe aquele jornal entregue no seu local de trabalho que resume os últimos acontecimentos? E aquele conteúdo no site e nas redes que faz um assunto complexo parecer simples? As mensagens que você recebe no WhatsApp ou a newsletter que chega no seu e-mail?
Se comunicar adequadamente com a categoria demanda profissionais de diversas áreas (jornalismo, design gráfico, social media, etc), impressões gráficas, recursos tecnológicos, carros de som, logística de entrega de materiais, entre outros recursos.
Sem comunicação, não há diálogo com a categoria. Portanto, manter e fortalecer os recursos desse campo são fundamentais para o Sindicato exercer sua missão.
Embasamento científico faz a diferença
O Sindicato mantém uma subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) que produz estudos estratégicos, pesquisas de custo de vida e análises sobre o desempenho do setor financeiro para subsidiar as negociações da categoria.
Garantir esse suporte profissional é indispensável para assessorar a negociação visando alcançar os melhores resultados. Por isso, contribuindo com o Sindicato, você também fortalece a luta por melhores condições de trabalho.
Campanha da Caixa em 2026 teve negociação, greve e desfecho no TST
A Campanha Nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal em 2026 foi marcada por meses de negociação, forte mobilização, greve nacional e, ao final, pelo julgamento de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST).
A pauta específica foi construída no 41º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa (Conecef), realizado em junho, em São Paulo, e entregue ao banco em 24 de junho. Entre as prioridades estavam a defesa do Saúde Caixa, valorização da carreira, mais contratações, melhores condições de trabalho, combate às metas abusivas e ao adoecimento e defesa da Caixa 100% pública.
Saúde Caixa no centro do debate
As negociações específicas começaram em 8 de julho. Desde as primeiras rodadas, o Saúde Caixa esteve no centro das discussões. Os trabalhadores reivindicavam uma solução sustentável para o plano, com preservação do modelo 70/30 — no qual a Caixa responde por 70% das despesas e os usuários por 30% — e o fim do teto que limitava a participação do banco a 6,5% da folha.
As mesas também discutiram carreira, Promoção por Mérito, Super Caixa, teletrabalho, direito à desconexão, diversidade, condições de trabalho e recomposição do quadro.
Após sete rodadas, alguns avanços foram obtidos. Na Promoção por Mérito, houve mudanças nos critérios para concessão dos deltas e antecipação do pagamento. Os principais impasses, entretanto, permaneceram.
No início de setembro, após dez rodadas, a Caixa apresentou uma proposta para renovação do ACT. Além das questões específicas, o texto incorporava as conquistas da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários, como reajuste pelo INPC mais 0,6% de aumento real.
A proposta foi considerada insuficiente. Em assembleia encerrada em 4 de setembro, 90% dos participantes na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo rejeitaram o texto e aprovaram greve por tempo indeterminado a partir do dia 10.
Greve amplia pressão sobre a Caixa
A paralisação começou com forte adesão. No primeiro dia, 245 das 299 agências da base do Sindicato ficaram fechadas, além dos quatro centros administrativos da Caixa na capital.
Pressionado, o banco apresentou nova proposta, com prêmio de R$ 3 mil e aumento para 8% do teto de participação da Caixa no Saúde Caixa. Em assembleia no dia 11, porém, 68% dos empregados rejeitaram a proposta e mantiveram a greve.
A mobilização cresceu. Em 14 de setembro, cerca de 95% dos locais de trabalho da base estavam paralisados e mais de 700 empregados participaram de ato na Avenida Paulista.
Novas negociações, nos dias 16 e 17, resultaram em avanços. A Caixa propôs elevar de 6,5% para 9% da folha, a partir de 2027, o teto de sua participação no Saúde Caixa, além de preservar o pacto intergeracional, direitos do ACT e da CCT e pagar prêmio extraordinário de R$ 3 mil. Os dias de greve poderiam ser compensados em até 180 dias.
Mesmo com os avanços obtidos pela mobilização, a maioria considerou a proposta insuficiente. Em assembleia no dia 21, 59,3% dos participantes na base de São Paulo votaram pela rejeição e continuidade da greve. Nacionalmente, a proposta foi rejeitada em 102 bases e aprovada em 30.
Negociação termina no TST
Após 13 rodadas de negociação e uma tentativa de mediação, a Caixa ajuizou dissídio coletivo no TST em 24 de setembro, levando ao Judiciário a definição das condições do ACT. O banco pediu, entre outros pontos, que a greve fosse considerada abusiva.
A Contraf-CUT contestou o pedido, defendeu a legalidade do movimento, a preservação dos direitos conquistados pela categoria e a compensação dos dias parados sem desconto salarial.
O julgamento ocorreu em 29 de setembro. O TST rejeitou o pedido para considerar a greve abusiva, mas determinou o encerramento da paralisação. Os dias parados deverão ser compensados em até 180 dias, evitando desconto salarial.
A sentença normativa terá vigência de dois anos e estabeleceu reajuste de 4,6%, correspondente ao INPC mais 0,6% de aumento real, para salários e benefícios, mantendo o mesmo índice conquistado pela categoria bancária em mesa de negociação. Foram preservadas ainda as regras anteriores da PLR e demais cláusulas econômicas e sociais do ACT 2024-2026.
Durante o julgamento, o relator, ministro Maurício Godinho Delgado, fez uma defesa enfática da negociação coletiva e destacou que o ACT da Caixa reúne mais de cem cláusulas construídas ao longo de décadas.
“Na vida humana, nada supera a negociação coletiva”, afirmou. Segundo Godinho, uma sentença judicial não consegue reproduzir a riqueza de um acordo construído entre as partes.
O ministro defendeu ainda a retomada das negociações. Daqui a dois anos, encerrada a vigência da sentença normativa, a construção de um novo ACT dependerá novamente da negociação coletiva.
Dissídio retirou avanço no Saúde Caixa
Um dos principais impactos da judicialização ocorreu justamente no Saúde Caixa. Durante a greve, a mobilização havia levado o banco a propor a elevação para 9% da folha do teto de sua participação no plano a partir de 2027. No julgamento, porém, o TST manteve o limite de 6,5%. Também ficaram de fora aportes financeiros previstos na proposta negociada.
Assim, apesar de preservar direitos históricos, garantir reajuste com aumento real e afastar a abusividade da greve, a decisão ficou aquém, em pontos importantes, do que havia sido alcançado na mesa.
A Campanha Nacional de 2026 evidenciou a força da organização dos empregados da Caixa. A greve pressionou o banco e arrancou avanços sucessivos, sobretudo no Saúde Caixa. Entretanto, o desfecho no TST, judicializado pela Caixa, manteve as bases do ACT anterior (2024-2026) impedindo, por exemplo, o equacionamento do déficit no plano de saúde que havia sido rejeitado pelos empregados na terceira proposta.
Oposição à taxa negocial: veja como fazer
A oposição à cobrança da taxa negocial será feita de forma online, por meio deste link, entre os dias 5 e 7 de outubro de 2026, das 9h às 18h; e no dia 8, das 9h às 16h. Esse procedimento estará disponível somente para os empregados da caixa da base da base do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.