Daniella Marques, coordenadora do programa econômico do candidato Flávio Bolsonaro (Foto: econômico do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (Valter Campanato/Agência Brasil)
Daniella Marques, a coordenadora do plano econômico do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, afirmou que “só vai ter eleição daqui oito anos”, caso o senador seja eleito no domingo 25. A declaração ocorreu durante entrevista a um podcast, ao lado de Flávio Bolsonaro, quando Daniella falava sobre o “tesouraço” proposto pelo candidato do PL.
Daniella destacou ainda que a direita elegeu a maioria no Senado e afirmou que sua equipe prepara um “cardápio de cortes”.
“Quais são os cortes que vão fazer? A gente vai entregar o cardápio na mão dele [Flávio Bolsonaro], tem trezentos [cortes], pode pegar o Roberto Campos, o Mansueto, o Paulo Guedes […] Eu estou no conselho de economia da Fiesp com Roberto Campos, tem trinta economistas lá debatendo para entregar o cardápio”, disse a administradora de empresas.
“Tem o que a gente quer e o que passa, aí vai ele [Flávio Bolsonaro] e o Rogério Marinho [coordenador da campanha presidencial do PL] […] No dia 1, foi eleito, tem capital político, dois terços do Senado, que é aonde a discussão é profunda e técnica, só vai ter eleição daqui oito anos pra gente botar o Brasil no lugar”, acrescentou.
Para a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, a fala de Daniella Marques joga luz sobre o desprezo do campo bolsonarista pela democracia e, também, na subserviência de Flávio Bolsonaro à elite empresarial do país.
“A fala da coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro, sobre só ter eleições daqui 8 anos, nos dá a dimensão do risco que corremos nesta eleição. A democracia está em risco, assim como também estão os nossos direitos trabalhistas, a livre organização dos trabalhadores em sindicatos, a negociação coletiva, os bancos públicos e os programas sociais”, alerta a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
“Além disso, Daniella Marques revela que o tesouraço pretendido por Flávio Bolsonaro, caso eleito, é gestado por economistas da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Flávio Bolsonaro não foi ouvir as entidades dos trabalhadores para planejar seus cortes. Ele entregou essa tarefa para a elite empresarial. Logo, sem sombra de dúvidas, quem vai perder direitos, políticas públicas, programas sociais, e orçamento para a saúde e educação, serão os trabalhadores e a população mais pobre”, acrescenta.
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Reforma administrativa digital
Em agosto, em um evento do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), Daniela Marques defendeu o que ela chama de “reforma administrativa digital”, questionando quantas carreiras poderiam ser substituídas por inteligência artificial, citando ainda a possibilidade de redução no número de servidores públicos.
No mesmo evento, Daniella Marques mencionou a possibilidade de uma PEC para reduzir “despesas públicas”, sem detalhar quais seriam as medidas propostas.
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Quem é Daniella Marques
Daniella Marques, coordenadora do programa econômico de Flávio Bolsonaro, não possui graduação em economia, e sim em Administração de Empresas pela PUC-RJ, com MBA em finanças pela Ibmec.
No governo de Jair Bolsonaro, em 2019, atuou no Ministério da Economia, junto com o então ministro e seu ex-sócio Paulo Guedes. Um dos destaques da sua atuação na pasta foi a colaboração com a Reforma da Previdência, que aumentou o tempo de contribuição para homens e mulheres e reduziu o valor dos benefícios.
Em julho de 2022 - após Pedro Guimarães pedir demissão da presidência da Caixa, em meio a graves denúncias de assédio moral e sexual – Daniella Marques foi nomeada por Jair Bolsonaro como presidenta do banco público.
Ao assumir a presidência da Caixa, Daniella Marques deu continuidade ao plano de desmonte do banco público, através da venda de subsidiárias, conduzido até então por Pedro Guimarães. Em agosto de 2022, defendeu a venda de participações de subsidiárias da Caixa. Citou a Caixa Seguridade, que já tinha estreado na Bolsa, e a Caixa Asset.