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Chapéu
Descaso

Trabalhadores egressos relatam abandono após fechamento do Vila Santander

Linha fina
Sindicato tem recebido uma série de denúncias de bancários após a descentralização do call center, entre elas ausência de gestão ou troca constante de gestores principalmente para os que estão em home office, pressões contínuas e cobrança de resultados mesmo com ineficácia do sistema
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Montagem: Fabiana Tamashiro

O Sindicato tem recebido nas últimas semanas uma série de denúncias de trabalhadores egressos do Vila Santander Paulista (VSP), que encerrou suas atividades em agosto deste ano. Com o fim do contrato de locação do VSP e o início do processo de terceirização das atividades de call center do Santander, houve a descentralização e muitos trabalhadores ou foram transferidos para outros prédios do banco (Bráulio Gomes, Radar, Álvares Penteado, Conexão) ou então estão trabalhando em home office. Os bancários reclamam, principalmente, da ausência de gestão para os que estão em home office, para resolução de problemas e esclarecimento de dúvidas, e também da constante troca de gestores; do sistema ineficaz, que prejudica o trabalho e as avaliações pessoais; e da pressão permanente com cobrança de resultados. 

O dirigente André Bezerra, bancário do Santander, lembra que, até agosto, estes bancários trabalhavam em um local fixo onde a supervisão acompanhava a rotina mais de perto e poderia dar um suporte maior aos trabalhadores. “Agora, a descentralização trouxe uma sensação de abandono aos bancários, segundo várias denúncias recebidas pelo Sindicato. Num período curto, gestores que assumiram recentemente a equipe, por exemplo, estão responsáveis em fazer avaliação de desempenho sem mesmo conhecer os seus subordinados”, ressalta.

Além disso, o fechamento do VSP prejudicou muito as condições de trabalho. “Há queixas relativas ao sistema de trabalho muito ruim, que não funciona, cai ou é intermitente na maior parte do dia. E do abandono desses trabalhadores, que continuam sendo muito cobrados e não têm o suporte necessário para reparos ou acertos no sistema. Muitos adoecem com a pressão contínua. Há ainda vários relatos de notas baixas nas avaliações de desempenho (aderência e AQO), pois o sistema não permite que eles trabalhem com maior eficiência”, ressalta.

O dirigente da Fetec-CUT/SP Alberto Maranho, bancário do Santander, acrescenta que as mudanças também têm deixado muitos trabalhadores inseguros. “Muitos bancários relataram que, quando há um problema em sua máquina, são enviados para trabalhar no prédio da Bráulio Gomes, na região central, muitas vezes à noite, após o horário comercial, quando o centro de São Paulo está vazio e é muito perigoso. Muitos denunciaram, inclusive, dificuldades de acesso na portaria do prédio, que muitas vezes sequer é informada sobre a chegada dos trabalhadores ao local”, enfatiza.

O Sindicato esteve reunido com representantes do banco no dia 10 de novembro para tentar uma negociação sobre teletrabalho e sobre a terceirização do call center, mas o Santander não se comprometeu a negociar nenhum dos pontos levados ao encontro pelos trabalhadores. “Todos esses problemas que hoje afligem os bancários são reflexos da terceirização irrestrita aprovada no governo Temer e praticada pelo banco Santander, que tanto precariza as relações trabalhistas e prejudica os que ainda não foram diretamente atingidos pela terceirização”, acrescenta o dirigente André Bezerra.