A Campanha Nacional Unificada dos Bancários 2026 entrou em uma fase decisiva. As negociações avançam em três frentes: a mesa única com a Fenaban, que trata da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e das reivindicações comuns a toda a categoria, e as mesas específicas com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, voltadas à renovação dos acordos coletivos e às questões próprias de cada banco público.
Até 25 de agosto, a Fenaban ainda não havia apresentado um índice de reajuste para salários e demais verbas. No BB, sete rodadas terminaram com poucas respostas às principais reivindicações. Na Caixa, houve avanços pontuais na Promoção por Mérito, mas temas centrais como Saúde Caixa, carreira, condições de trabalho e contratações continuavam pendentes.
Em todas as mesas, o Sindicato atua ao lado dos trabalhadores por valorização, empregos, saúde, direitos e melhores condições de trabalho. Confira o resumo das negociações, o que já avançou e o que ainda precisa de resposta.
Resumo das negociações
Fenaban: nove rodadas e nenhum índice de reajuste
O Comando Nacional dos Bancários reivindica reposição da inflação mais 5% de aumento real, PLR maior, valorização do vale-alimentação e do vale-refeição, defesa do emprego e manutenção dos direitos da CCT. Depois de nove mesas, os bancos ainda não apresentaram uma proposta econômica global.
A mobilização da categoria já obrigou a Fenaban a retirar a proposta de reajustes diferentes por faixa salarial e o congelamento do piso de ingresso. Apesar do recuo, continuam sem resposta o índice de reajuste, a ultratividade da CCT e outras reivindicações centrais.
Banco do Brasil: avanços pontuais, reivindicações centrais sem resposta
Depois de sete rodadas, o BB apresentou propostas em temas de inclusão e proteção a trabalhadoras vítimas de violência doméstica, mas ainda não respondeu às principais cobranças da categoria. Permanecem pendentes a valorização do piso e da carreira, concursos para recompor o quadro, melhores condições de trabalho, combate às metas abusivas e uma solução sustentável para a Cassi.
Caixa: Saúde Caixa concentra o principal impasse
Na Caixa, a negociação também chegou à sétima rodada. A pressão dos trabalhadores garantiu avanços na Promoção por Mérito e suspendeu o processo de migração de caixas e tesoureiros. Porém, as duas propostas apresentadas pelo banco para o Saúde Caixa foram rejeitadas por transferirem mais custos aos beneficiários. Carreira, Super Caixa, contratações e condições de trabalho também seguem sem solução.
Entenda a diferença entre as três mesas
Na mesa única com a Fenaban, o Comando Nacional negocia as cláusulas econômicas e sociais que valem para toda a categoria, inclusive os trabalhadores dos bancos públicos. É nessa mesa que são discutidos o índice de reajuste dos salários e demais verbas, a PLR, os vales, a proteção ao emprego e a renovação da CCT.
As mesas do Banco do Brasil e da Caixa tratam das reivindicações específicas dos empregados de cada instituição e da renovação de seus respectivos acordos coletivos. Por isso, as três negociações são complementares e fazem parte da mesma Campanha Nacional.
Negociações com o Banco do Brasil

O que pedimos ao BB
As reivindicações dos funcionários do Banco do Brasil reúnem cinco eixos prioritários:
- realização de concursos públicos e recomposição do quadro, com defesa da rede de atendimento;
- valorização do piso, da carreira e das funções, com revisão do PCS/PCR, pagamento integral das substituições e incorporação das comissões;
- combate à sobrecarga, às metas abusivas, ao acúmulo e ao desvio de funções;
- solução sustentável para a Cassi, com maior participação do banco, e isonomia para funcionários oriundos de bancos incorporados, inclusive na Cassi e na Previ;
- igualdade de oportunidades, inclusão, ampliação do teletrabalho e proteção aos trabalhadores com dependentes PCDs.
A pauta também inclui escala 4x3, medidas de apoio a funcionários endividados, fim do monitoramento individual do tempo de atendimento e fortalecimento do caráter público do Banco do Brasil.
Como está a negociação com o BB
Desde o início das discussões, em 8 de julho, foram realizadas sete mesas. O banco reconheceu a urgência da situação financeira da Cassi e informou que estudos sobre os funcionários egressos estavam em andamento, mas não apresentou uma solução definitiva. Também anunciou o programa Revisa, voltado à revisão de indicadores pelas unidades.
Na sétima rodada, o BB apresentou alguns avanços pontuais. Entre eles estão a inclusão, no ACT, de políticas de ações afirmativas para mulheres, pessoas com deficiência e pessoas não brancas nos processos seletivos internos; seis meses de estabilidade na função comissionada para bancárias vítimas de violência doméstica após o retorno ao trabalho; e redução da jornada para mulheres em situação de lactação induzida, com extensão a casais homoafetivos em que ambas sejam funcionárias do banco.
Essas medidas são importantes, mas o quadro geral permanece insuficiente. O BB ainda não respondeu às reivindicações centrais sobre carreira, remuneração, concursos, sobrecarga, metas abusivas, Cassi e isonomia. A proposta econômica comum à categoria continua sendo cobrada na mesa única com a Fenaban.
Próximos passos na mesa do BB
A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil permanece em plantão permanente para cobrar devolutivas e propostas concretas. O Sindicato seguirá pressionando por valorização profissional, recomposição do quadro, melhores condições de trabalho e uma solução estrutural para a Cassi, em articulação com a negociação nacional conduzida pelo Comando.
Leia o resumo completo das sete mesas com o Banco do Brasil.
Negociações com a Caixa Econômica Federal

O que pedimos à Caixa
O Saúde Caixa é a principal prioridade da negociação específica. Os empregados defendem a manutenção do caráter solidário e mutualista do plano, com aumento da participação financeira da Caixa e uma solução que preserve trabalhadores da ativa, aposentados e pensionistas.
Também estão entre as principais reivindicações:
- novo Plano de Funções Gratificadas e novo Plano de Cargos e Salários, construídos com participação dos trabalhadores;
- processos seletivos internos com critérios claros, objetivos e inclusivos;
- revisão do Super Caixa, com retorno do princípio “Vendeu, Recebeu”, transparência e negociação com a representação sindical;
- criação do Bônus Caixa para todos;
- combate à sobrecarga, às metas abusivas, ao assédio e ao adoecimento;
- regulamentação do teletrabalho e garantia efetiva do direito à desconexão;
- mais contratações, novos concursos e recomposição das unidades;
- negociação das mudanças tecnológicas e organizacionais com os trabalhadores.
Como está a negociação com a Caixa
A Caixa apresentou duas propostas para o Saúde Caixa, e ambas foram rejeitadas na mesa. A primeira previa elevar a contribuição dos titulares de 3,5% para 5,5% da remuneração-base, aumentar mensalidades de dependentes e ampliar de 7% para 14% o limite de comprometimento da renda familiar. A segunda propôs cobranças por beneficiário e faixa etária, 13 contribuições anuais, piso de R$ 400 por grupo familiar e comprometimento de até 12% da remuneração-base do titular.
As propostas transferiam aos empregados uma parcela ainda maior do crescimento das despesas do plano. Depois das duas recusas, o banco não apresentou uma nova alternativa na rodada de 19 de agosto. O Sindicato e a Comissão Executiva dos Empregados continuam cobrando maior participação financeira da Caixa e uma solução sustentável.
A Promoção por Mérito registrou os avanços mais concretos até aqui. Após pressão dos trabalhadores, a Caixa retirou o Alcance.Caixa dos critérios para obtenção dos deltas, garantiu o pagamento em janeiro dos anos seguintes e aperfeiçoou os critérios de desempate. O banco também suspendeu a seleção para migração de caixas e tesoureiros enquanto o tema estiver em negociação.
Os demais eixos estruturais continuam pendentes. Ainda faltam respostas para um novo PFG e PCS, mudanças nos PSIs, revisão do Super Caixa, condições de trabalho, teletrabalho, direito à desconexão e ampliação do quadro.
Próximos passos na mesa da Caixa
A representação dos empregados seguirá cobrando uma nova proposta para o Saúde Caixa que aumente a responsabilidade do banco no custeio e preserve o princípio de solidariedade. A negociação também precisa avançar em carreira, remuneração variável, contratação de empregados e combate à sobrecarga antes da renovação do ACT específico.
Leia o resumo completo das sete mesas com a Caixa.
Negociações com a Fenaban
O que pedimos aos bancos
A pauta foi construída com participação da categoria, por meio de uma consulta nacional que recebeu quase 55 mil respostas e das conferências dos bancários. As principais reivindicações são:
- reajuste de salários e demais verbas com reposição da inflação mais 5% de aumento real;
- PLR maior e valorização do vale-alimentação e do vale-refeição;
- valorização do piso de ingresso;
- manutenção de todos os direitos da CCT e garantia de sua ultratividade até a assinatura de um novo acordo;
- suspensão das demissões e do fechamento de agências, ampliação do emprego e fim da terceirização de atividades bancárias;
- fim das metas abusivas, proteção à saúde mental e participação dos trabalhadores na prevenção dos riscos psicossociais;
- jornada 4x3, sem redução de salários e direitos, e garantia do direito à desconexão;
- igualdade de oportunidades e medidas efetivas contra racismo, LGBTfobia, assédio e desigualdade salarial;
- proteção dos empregos e dos direitos diante dos impactos da inteligência artificial e da digitalização.
Como está a negociação com a Fenaban
A pauta foi entregue em 24 de junho. Nove rodadas depois, a Fenaban ainda não apresentou um índice de reajuste para salários e demais verbas, apesar dos lucros bilionários do setor. Em 2025, os cinco maiores bancos registraram lucro líquido de R$ 124 bilhões. No primeiro semestre de 2026, apenas Bradesco, Itaú e Santander somaram R$ 45,4 bilhões.
Além de adiar a proposta econômica, os bancos rejeitaram a ultratividade da CCT, a suspensão das demissões e do fechamento de agências e outras medidas de proteção ao emprego. A Fenaban também ameaçou a mesa única, uma conquista histórica que assegura direitos comuns aos trabalhadores de bancos públicos e privados.
Na sétima rodada, os bancos tentaram impor reajustes diferentes para três faixas salariais e congelar o piso de ingresso. A categoria rejeitou a proposta em assembleias com participação de mais de 50 mil trabalhadores. Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% votaram contra a proposta, e 89,34% aprovaram a paralisação de 20 de agosto.
A força da mobilização fez a Fenaban recuar do reajuste por faixas e do congelamento do piso. Ainda assim, a oitava e a nona rodadas terminaram sem índice. Depois da paralisação nacional, os bancos criticaram o movimento e tentaram enfraquecer a mesa única, mas a Justiça do Trabalho negou a liminar solicitada para barrar a paralisação e punir os sindicatos.
Houve avanços limitados nas cláusulas de igualdade. A Fenaban concordou que o canal de assédio também receba denúncias de racismo, inclusive praticado por clientes, e de LGBTfobia. Também aceitou incluir na CCT uma definição orientativa de assédio sexual e importunação. O conjunto das reivindicações econômicas, sociais, de emprego e saúde, porém, continua sem resposta satisfatória.
Próximos passos na mesa da Fenaban
As negociações foram retomadas em 25 de agosto e devem prosseguir ao longo da semana. O Comando Nacional cobra uma proposta global com aumento real para todos, valorização da PLR, recomposição do VA e do VR, proteção ao emprego e renovação dos direitos da CCT.
O prazo é decisivo: a atual Convenção Coletiva termina em 31 de agosto, e a data-base da categoria é 1º de setembro. Sem garantia de ultratividade e sem índice apresentado, a mobilização dos bancários permanece fundamental para pressionar os bancos e conquistar uma proposta à altura dos resultados do setor.
Leia o resumo completo das nove mesas com a Fenaban.
Mobilização é decisiva para avançar
A Campanha Nacional já demonstrou que a participação dos bancários produz resultados. Foi a mobilização nas assembleias e nas ruas que obrigou a Fenaban a retirar a proposta de reajuste por faixas e o congelamento do piso. Também foi a pressão dos empregados que garantiu avanços pontuais nas mesas do BB e da Caixa.
“É inaceitável que o setor bancário, que lucrou R$ 182,4 bilhões no ano passado, que paga milhões anualmente aos seus executivos, tente impor perda salarial real aos seus trabalhadores”, destaca a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.
Agora, a categoria precisa ampliar a pressão por respostas concretas. O Sindicato seguirá defendendo aumento real, empregos, saúde, melhores condições de trabalho, igualdade de oportunidades e todos os direitos conquistados. Acompanhe os canais do Sindicato, participe das assembleias e fortaleça a Campanha Nacional dos Bancários 2026.